Fundação José Neves: Emprego na área de saúde, distribuição e alimentar subiu com a pandemia

Se antes da pandemia, as profissões ligadas ao turismo estavam em alta, havendo falta de recursos humanos para responder à procura, atualmente essas áreas têm pouca procura.

A pandemia provocou mudanças no mercado de trabalho não apenas por ter dado um novo fôlego ao teletrabalho, mas também ao nível das áreas que são mais procuradas. O portal Brighter Future, da Fundação José Neves e que reúne a maior base de conhecimento sobre educação, empregabilidade e competências em Portugal, revela que até ao terceiro trimestre do ano passado os setores que tiveram um maior aumento de empregabilidade foram os da saúde, distribuição e produção de alimentos.

"Em concreto as profissões de enfermeiro, operador de máquinas, de fabrico de produtos alimentares e similares e de carteiro e similares", indica o portal em comunicado.

Do outro lado da moeda, no campo das profissões que sofreram maior queda na procura estão algumas das ocupações associadas aos setores mais penalizados pela pandemia, como é o caso do turismo e da restauração. Antes do covid-19, a AHRESP chegou a estimar que faltavam mais de 40 mil pessoas para responder às necessidades desta área. Contudo, agora, e de acordo com a plataforma, as profissões com menos procura são: rececionista de hotel, gerente de restauração, compositor, músico, cantor, bailarino e coreógrafo.

"Independentemente dos efeitos da pandemia, os dados recolhidos e analisados pela plataforma Brighter Future indicam que no topo da lista com mais ofertas de emprego mantêm-se profissões com uma forte componente tecnológica e com ligação ao setor do comércio. São os casos de: programador de software; analista de sistemas; operador de caixa e outros trabalhadores relacionados com vendas; pessoal de informação administrativa; especialista em recursos humanos; técnico de apoio aos utilizadores das tecnologias da informação e comunicação (TIC); programador web e multimédia; representante comercial; empregado de aprovisionamento, armazém, de serviços de apoio à produção e transportes; mecânico e reparador de máquinas", explica ainda o Brighter Future.

A evolução da pandemia também trouxe outras mudanças. "Do primeiro para o segundo trimestre de 2020, cerca de 80% das profissões registaram um decréscimo de ofertas de trabalho, mas o cenário melhorou no entretanto". Do segundo para o terceiro trimestre, o do verão, a "grande maioria das profissões recuperou da queda verificada nos primeiros seis meses".

Houve, no entanto, duas exceções: professor de línguas fora do ensino oficial e diretor e gerente de outros serviços (planeia, dirige e coordena a oferta de serviços prestados por agências de viagens, centros de conferências, centros de chamadas, centros comerciais ou parques de campismo, entre outros). "Nas restantes profissões registaram-se sinais de retoma, embora muitas apresentem ainda níveis de procura que ficam aquém do período pré-pandemia, entre janeiro e março".

Quanto às competências do futuro em Portugal, há duas aptidões a ganharem força e que são consideradas essenciais para os próximos anos: aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem.

"A aprendizagem ativa é a capacidade de compreender as implicações de nova informação para os processos de decisão e de resolução de problemas atuais e futuros. É uma aptidão mais relacionada com profissões como a de Engenheiro Químico, Biólogo e Médico. Estratégias de Aprendizagem define-se como a capacidade de selecionar e utilizar métodos de formação e instrução adequados ao ensino de novas matérias. Trata-se de uma aptidão essencialmente usada em profissões do setor da educação".

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