Fundo de recuperação

“Fundo de recuperação é orgia financeira”. Barroso pede mecanismos de controlo

José Manuel Durão Barroso
José Manuel Durão Barroso ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Durão Barroso recomenda controle da AR para assegurar eficácia e transparência na gestão dos fundos de apoio à pandemia.

Durão Barroso recomenda que Portugal crie uma comissão parlamentar para acompanhar a utilização das verbas ao abrigo do fundo de recuperação, aprovado pela União Europeia em resposta à pandemia. A ideia justifica-se, segundo o próprio, porque em causa está “uma pipa de massa, quase uma orgia financeira”.

Para o ex-presidente da Comissão Europeia, “era muito bom para todos garantir a eficácia na utilização dos fundos, mas também a transparência na sua utilização”, disse ontem em entrevista ao Observador.

“Eu recomendaria muita transparência”, até porque, “mostraria aos nossos parceiros que estamos interessados na boa utilização dos fundos”, reforçou. E contribuiria para evitar “a ideia de que pode haver ganhos ilegítimos”, que é corrosiva para a democracia.

O homem que liderou o executivo comunitário antes de Angela Merkel, fez questão de lembrar que o acordo que resultou na aprovação do fundo de recuperação não veria a luz do dia se o Reino Unido ainda se mantivesse na UE. “Sem o Brexit não teria sido possível este acordo”, que só aconteceu porque o “chefe dos frugais saiu”, disse, admitindo que esse papel cabe agora à Holanda.

Durão Barroso lembrou, a propósito, que durante as mais duras negociações que travou no seu mandato, “o país mais difícil era sempre o Reino Unido”, que liderava uma aliança com um grupo que ainda não era conhecido como “os frugais”.

Em todo o caso, Durão Barroso considera que algumas das exigências desses países, nomeadamente as de ligar financiamentos a reformas, têm razão de ser. “Acho que têm razão”, uma vez que, de acordo com os tratados, a política económica de um país não é apenas do seu interesse exclusivo. E acrescenta que a ideia de ligar as reformas ao financiamento nem sequer é nova, sendo que a Alemanha também se tinha mostrado disponível a avançar por aí.

Sobre o orçamento comunitário, Barroso considera que se os Estados não aumentarem os recursos próprios terão de reforçar as suas contribuições para a União, pelo que a primeira opção será a tendência. Uma dessas soluções é a aplicação da taxa de carbono. Mas, lembra, “depende das eleições nos Estados Unidos”, pois sem um acordo para os Estados Unidos integrarem um acordo global, de pouco serve.

O ex-primeiro ministro e líder do PSD reiterou que não vai voltar a ocupar qualquer cargo político em Portugal. Apesar de admitir que a Presidência da República é “uma grande honra para qualquer português”, garantiu que não se irá candidatar, mas não revelou se voltaria a apoiar Marcelo Rebelo de Sousa para Belém.

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