fundos comunitários

Fundos para a inovação em debate na CCDR-N

Vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDR-N), Ester Gomes da Silva. Fotografia: DR
Vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDR-N), Ester Gomes da Silva. Fotografia: DR

Dos 80 mil milhões de euros de financiamento que o Horizonte 2020 teve, entre 2014 e 2020, Portugal só teve acesso a 620 milhões

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) acolhe, no dia 4 de novembro, uma reunião de um Grupo de Trabalho da Comissão Europeia, promovido pelo Joint Research Centre e pela Direção Geral da Política Regional, que servirá para a definição das linhas gerais de aplicação do programa “Horizonte Europe” no próximo quadro comunitário de apoio. Um encontro que permitirá recolher contributos para uma “eficaz absorção” pelos beneficiários dos fundos europeus destinados a promover a inovação e a transferência de conhecimento científico para o tecido empresarial, destaca a CCDR-N.

O Horizonte 2020 é o maior programa de investigação e inovação da União Europeia, tendo contado, no atual quadro comunitário de apoio (2014-2020), com 80 mil milhões de euros de financiamentos. Destes, Portugal teve acesso a, apenas, 620 milhões, sendo que quase metade foi para apoio a projetos na Área Metropolitana de Lisboa; ao Norte coube uma fatia de quase 25% e a região Centro arrecadou quase 16%. A questão é que este é um programa “muito competitivo”, dominado por centros de excelência em toda a Europa, e os atores portugueses, quer as empresas quer os centros de saber, têm tido “alguma dificuldade” em conseguir financiar-se, porque ainda não estão nesse patamar, reconhece a vice-presidente da CCDR-N, Ester Gomes da Silva. O objetivo do encontro é, precisamente, o de promover e incentivar a um maior número de parcerias entre instituições públicas e privadas.

“Neste contexto, serão, igualmente, abordadas as prioridades de investimento previstas nas estratégias regionais de especialização inteligente, documentos que servem de referencial a áreas económicas e científicas com potencial de crescimento”, refere a CCDR-N, dando conta que o grupo de trabalho da Comissão Europeia entendeu focar o debate em torno da aplicação dos apoios europeus a investimentos relacionados com a economia circular e os sistemas avançados de produção, incluindo nanotecnologias, materiais e tecnologias de informação, comunicação e eletrónica.

“Apesar do caminho já percorrido, e o Norte foi classificado como uma região fortemente inovadora no último relatório da Comissão Europeia, a verdade é que tem havido algumas dificuldades no acesso às calls do Horizonte 2020, que são puramente competitivas, porque há, ainda, algum atraso relativo e, em muitas áreas científicas, ainda não atingimos o patamar de excelência e, por isso, precisamos de melhorar essa capacidade concorrencial, designadamente estabelecendo colaborações com entidades de outros países”, diz Ester Gomes da Silva, sublinhando que “quanto mais soubermos quais são as nossas singularidades, em melhores condições estaremos para trabalhar em candidaturas conjuntas”.

A vice-presidente da CCDR-N reconhece que houve uma “melhoria considerável”, nos últimos anos – basta ter em conta que a região Norte vai receber o maior investimento de sempre do Horizonte 2020, o CIBIO-InBIO, o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, bem como o futuro Centro de Investigação Multidisciplinar de Excelência em Medicina Regenerativa e de Precisão, uma parceria entre cinco universidades nacionais – Minho, Porto, Aveiro, Lisboa e Nova de Lisboa, e a britânica UCL – University College London, líder mundial em Ciências e Tecnologias da Saúde – mas acredita que é possível “fazer mais e melhor”, não só fazendo “melhor uso da regulamentação existente”, mas, também, “melhorando a articulação entre os fundos estruturais geridos ao nível central e ao nível regional”.

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