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Futebol contribui com 549 milhões para o PIB nacional

O Sport Lisboa e Benfica celebrouo 37º titulo nacional no Estádio da Luz após conquistar a I Liga 2018/2019. 

( Filipe Amorim / Global Imagens )
O Sport Lisboa e Benfica celebrouo 37º titulo nacional no Estádio da Luz após conquistar a I Liga 2018/2019. ( Filipe Amorim / Global Imagens )

Na época 2018-19, a Liga Portugal e as 32 Sociedades Desportivas foram responsáveis por 2.621 postos de trabalho diretos, mais 33,8%.

A indústria do futebol gerou na época desportiva 2018-2019 receitas superiores a 847 milhões de euros, dando um contributo de 549 milhões de euros para o PIB nacional, uma subida de 39,2% face à época desportiva anterior. O Futebol já gera diretamente, assim, cerca de 0,3% da riqueza nacional, conclui a terceira edição do Anuário do Futebol Profissional Português, promovido pela Liga Portugal e pela EY Portugal, conhecido esta quarta-feira na Conferência Futebol Profissional e Economia Pós Covid-19, no Auditório do Parque dos Poetas, em Oeiras.

“Não só as receitas na época 2018-19 aumentaram, como se verificou uma melhoria significativa dos principais rácios financeiros e económicos das Sociedades Desportivas. Tal desempenho dá nota do fim de um ciclo estratégico, que levou a uma maior consolidação e equilíbrio competitivo e a uma maior preocupação em projetar as marcas dos emblemas e das competições do campeonato Português em novos mercados”, destacou Pedro Proença, presidente da Liga Portugal, citado em nota de imprensa.

Pedro Proença aponta para entrada desta indústria numa fase de maturidade, “em que a Liga Portuguesa de Futebol Profissional terá maior responsabilidade na distribuição de receita para as Sociedades Desportivas, nomeadamente através de uma política comercial ativa e com retorno, e da expansão do produto consolidado a novos mercados, nacionais e internacionais”.

A melhoria na época 2018-2019 “deveu-se essencialmente à entrada em vigor do novo ciclo de distribuição de receita das competições europeias (com um impacto positivo de 68 milhões de euros); à subida global do saldo de transação de jogadores na Liga NOS (que registou um aumento de perto de 72 milhões de euros); e à introdução dos novos contratos de direitos audiovisuais com os operadores televisivos para a transmissão dos jogos”, pode ler-se na nota de imprensa.

Anteriores edições têm mostrado alguma oscilação na contribuição deste setor para o PIB, com um contributo de 311 milhões de euros na época 2015-16; de 455 milhões de euros na edição seguinte; e de 351 milhões de euros na época
2017-18.

Na época de 2018-2019 – ano em que o Benfica emergiu como vencedor da Primeira Liga – o contributo para o PIB subiu 39,9%, para 549 milhões de euros.

“Esta foi uma época de grande dinamismo para o Futebol Profissional, sendo que o seu contributo para a economia nacional calculado neste Anuário fica, contudo, aquém da real dimensão, uma vez que da sua cadeia de valor resultam impactos indiretos e induzidos significativos que ainda não conseguimos contabilizar – como, por exemplo, os gastos em restauração em dias de jogo”, diz Miguel Farinha, partner da EY Portugal e responsável pela área de Strategy and Transactions, citado em nota de imprensa.

Emprego aumentou 33,8%

Na época 2018-19, a Liga Portugal e as 32 Sociedades Desportivas foram responsáveis por 2.621 postos de trabalho diretos, um aumento de 33,8% face à época anterior. Os jogadores representam a maior fatia remuneratória (238 milhões euros), com a produtividade média anual dos profissionais de futebol (atletas, treinadores e funcionários) a situar-se em 210 mil.

No período, futebol profissional gerou mais de 150 milhões de euros em impostos para o Estado. O Anuário do Futebol Profissional Português revela em detalhe, e pela primeira vez, as contribuições fiscais das Sociedades Desportivas. “O volume de contribuições fiscais mais relevantes está indexado às remunerações dos agentes desportivos, o que pode constituir uma ameaça à atratividade de talento profissional”, destaca nota de imprensa.

Em conjunto, o IRS e as contribuições para a Segurança Social geraram, cerca de 116 milhões de euros em impostos, tendo um peso nas contribuições fiscais de 57% e de 21%, respetivamente. Por fim, o IVA teve contribuição de 23 milhões de euros.

“Estes números demonstram que o Futebol Profissional se assume como um pilar da sociedade portuguesa, sendo capaz de gerar avultados benefícios sociais, culturais e económicos”, continua, mas aponta para os desafios no atual contexto da pandemia que fechou os estádios aos adeptos. “Não podemos ignorar os desafios prementes que o Futebol Profissional encara neste contexto pandémico. Dada a importância desta indústria para a economia nacional, é vital minimizar os impactos desta crise, protegendo esta atividade e os milhares que dela dependem, garantindo que as Sociedades Desportivas se mantêm na rota de crescimento que deram sinal de estar a percorrer”.

Na época desportiva de 2018-2019, 67% dos jogos da Liga NOS e da LEDMAN ProLiga foram transmitidos por operadores televisivos, um aumento de 9 pontos percentuais face à época anterior. Simultaneamente, a utilização média dos estádios aumentou 4 p.p., fixando-se em 35%.

A “centralização da comercialização dos direitos audiovisuais, por forma a mitigar as assimetrias na distribuição de receitas provenientes desta componente, que atualmente se concentram no primeiro terço da tabela das competições profissionais” – tema que tem gerado discussão no sector e terá estado na origem da saída da NOS (detentora de direitos de televisão dos clubes) de patrocinador principal da I Liga já a partir da próxima época – a “alteração dos regimes das apostas desportivas proposta pela Liga Portugal, com vista a uma distribuição justa e equitativa da receita obtida pelas casas de apostas”, ou “revisão do enquadramento fiscal em sede de IVA e IRC para as Sociedades Desportivas”, assim como a “diminuição de IRS relativa aos praticantes desportivos, enquanto políticas fiscais de incentivo à competitividade das Sociedades Desportivas” são algumas das ideias para responder aos desafios futuros o sector.

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