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Futuro ministro brasileiro das Finanças quer ‘receita Pinochet’ para a economia

EPA/MARCELO SAYAO
EPA/MARCELO SAYAO

Guru económico de Bolsonaro diz que liberalismo consertou o Chile de Pinochet, e promete fazer o mesmo no Brasil.

O Brasil prepara-se para sofrer um “choque liberal”, promete Paulo Guedes, guru do programa de reformas prometidas por Jair Bolsonaro antes de vencer as eleições presidenciais do último domingo.

O futuro ministro brasileiro da Economia diz que “não há vacas sagradas” nas empresas estatais brasileiras – ainda que o líder do Partido Social Liberal tenha garantido que Petrobrás, Eletrobrás e Banco do Brasil não serão privatizados – e elogia a política económica do regime ditatorial chileno de Augusto Pinochet. O liberalismo da escola de Chicago, diz, salvou o Chile e também salvará o Brasil.

O futuro governante, associado desde longe ao Chile de Pinochet, onde trabalhou, tem tido poucas credenciais entre os economistas do Brasil. Mas o seu perfil eleva-se agora com a vitória de Bolsonaro, e o mundo quer saber como pensa.

O Financial Times entrevistou-o no seu escritório no Rio de Janeiro, e com a entrevista publicada esta segunda-feira os leitores do económico britânico com reputação global ficam a saber que a receita de Paulo Guedes seguirá de perto aquela que o grupo dos chamados “Chicago Boys” aplicaram depois da instalação da ditadura militar de Pinochet: limpar o Estado dos ativos nacionais, privatizar a previdência, liberalizar comércio e cortar despesa. Os 25 economistas de Pinochet, adeptos do liberalismo de Milton Friedman, também fixaram o câmbio do peso chileno numa experiência sem sucesso para conter a inflação.

“Os Chicago boys salvaram o Chile, consertaram o Chile, consertaram a confusão”, elogiou o economista doutorado na Universidade de Chicago e antigo professor na Universidade do Chile – onde esteve até ao início da década de 1980. Ao FT, Paulo Guedes afirma ter sido discriminado pela sua associação a Pinochet e a Chicago. “Fui atacado como liberal radical”.

Agora, o economista diz que o tempo é o certo para resolver um défice fiscal de 7% e uma dívida pública que supera os 800 mil milhões de euros (3,7 biliões de reais). “Há agora uma oportunidade única de implementar este choque liberal devido ao preço fiscal do sector público do Brasil”, afirma.

O custo médio da dívida brasileira nos 12 mesesde 2017 atingia 10,34%. O programa Bolsonaro pretende reduzir estes custos, eliminar o défice primário brasileiro ainda em 2019, e reduzir a dívida pública em 20%. Para isso, prepara-se para vender grande parte de 147 empresas públicas do país, entregar concessões a privados e vender também imobiliário do Estado. Nos planos está também a transformação do sistema de pensões, uma simplificação tributária – vários candidatos, aliás, propunham a unificação dos impostos sobre o consumo – e alguma liberalização no comércio externo.

O FT nota mais semelhanças com o Chile do final da década de 1970. O liberalismo económico da agenda junta-se ao apreço confesso de Bolsonaro pela ditadura militar brasileira. Paulo Guedes junta as duas visões no lema nacional. “A ordem está a encontrar o progresso – a ordem é Bolsonaro, o progresso são as ideias liberais”, diz ao Financial Times.

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