Sucesso Made in Portugal

A luta pelo talento, frangos felizes e alfaces em Marte

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CEO da Altran Portugal pede ao governo que facilite a chegada de estrangeiros ao mercado português. Empresas apostam forte na digitalização.

As empresas portuguesas estão diferentes e as mudanças prometem não ficar por aqui. No painel dedicado à indústria, falou-se sobre como a aposta tecnológica é transversal a setores de negócio muito distintos, mas o destaque acabou por ser o talento tecnológico em Portugal – ou a falta dele.
“Temos de ter uma estratégia de importação de talento”, defendeu Célia Reis, diretora executiva da Altran Portugal. “Os EUA fizeram isso há anos. Os cérebros que estão em centros de investigação e desenvolvimento são de uma série de países. É algo que temos de fazer com urgência.”

A responsável diz que o processo de contratação de alguém de fora de Portugal demora, em média, quatro meses. “Isto não pode ser.” Célia Reis apontou como grandes entraves “a validação de competências feita pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a validação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), “que avalia a idoneidade da pessoa enquanto ser humano”.

“Nós não precisamos da validação tecnológica porque nós fazemos. O que precisamos é que o governo faça a validação da idoneidade do indivíduo por sistemas informáticos. Isto é crítico, pois abrimos a comporta de Portugal.”

A CEO diz que se arrancar com novos projetos grandes a necessidade de contratação afetaria certamente outras empresas. “Se decidisse recrutar 200 ou 250 seniores (quatro ou mais anos de experiência), descapitalizava uma série de empresas em Portugal.”

O talento em Portugal é bom e a Bosch é um dos melhores exemplos de quem tem investido forte nesta qualidade competitiva.

“A geração millennial é uma referência para a Bosch que, sistematicamente, tem inaugurado no país centros de desenvolvimento e inovação. São muito importantes as parcerias com as universidades, porque a qualidade da educação e dos recursos humanos é exemplar. Não é por acaso que a quantidade de empresas que se instalam cá está a aumentar”, referiu Jónio Reis, administrador da multinacional alemã.

Se por um lado é difícil recrutar – também por causa do aumento de salários -, segurar a mão-de-obra tecnológica não é mais simples. “Para os engenheiros de software, os salários terão subido entre 15% e 20% nos últimos dois anos. Fora dos grandes centros ainda é mais difícil atrair e reter talento. E isso não se faz só pelo salário. Na minha geração o sonho era sair da faculdade e comprar um carro. Hoje quem sai da universidade dificilmente terá esse objetivo. A captação e retenção de talento mudou muito em dez anos.”

Com o consumo de carne de aves a aumentar, o grupo Lusiaves investiu na modernização das suas operações para se manter competitivo. Durante o debate, o administrador Paulo Gaspar confirmou o investimento de um milhão de euros na fábrica de rações do grupo, a Racentro, tudo para “trazer mais controlo à alimentação dos animais”.

A opção de “constantemente investir e reinvestir nos negócios” tem passado muito pela verticalização das operações do grupo Lusiaves e também por um grande foco nas questões ambientais e de produção responsável.

“Estamos constantemente a investir nas nossas instalações para dotá-las de todos os confortos necessários para que as nossas galinhas sejam felizes. Temos grande parte dos nossos frangos ao ar livre, muitos deles até com uma ótima vista para o rio.”

Outro exemplo de como os hábitos de consumo obrigam a uma reconversão das empresas foi dado por Manuel Tarré, presidente da Gelpeixe. “Estamos numa indústria em que o peixe é um bem escasso. Não há o perigo de haver uma quebra de os nossos netos não comerem peixe, mas há o perigo de os nossos netos não comerem as mesmas espécies de peixe que comemos hoje.” Da produção da empresa, 20% já é alimentação congelada.

A empresa de alimentos ultracongelados está a desenvolver, a nível interno, novos equipamentos para o corte de peixe para responder à procura que tem havido: a média de consumo é de 56 quilos por pessoa em Portugal e 24,8 na União Europeia.

O mercado internacional é agora a grande prioridade da Gelpeixe: nos próximos cinco anos a empresa quer exportar 50% da produção, quando neste momento não ultrapassa os 16%.

Também a ISQ está a preparar-se para o futuro. “Deixámos de inspecionar a máquina e inspecionamos o sensor que inspeciona a máquina”, explicou Pedro Matias, presidente do grupo de engenharia.
Os esforços de modernização do ISQ vão ainda mais longe, a ponto de a empresa estar a criar novas unidades de negócio. Através da spinoff Grow to Green, estão a ser criados algoritmos que imitam a natureza.

“Desenvolvemos um software que imita o processo a partir do momento em que a planta é colocada na terra, para que depois possa ser comida e até com características mais elevadas. Não tem químicos, não tem pesticidas. Temos poupanças de água na produção de alface na casa dos 98%. Podemos produzir alface no deserto, em Marte ou no corredor do supermercado.”

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