Fenómeno

As imagens do eclipse que custou 700 milhões em produtividade

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Empresas norte-americanas concederam 20 minutos aos trabalhadores para observarem o fenómeno, algo que não saiu barato aos cofres norte-americanos.

Não é todos os dias que ocorre um eclipse solar total. Aliás, no caso dos Estados Unidos, onde o fenómeno ocorreu de forma mais visível, tal não acontecia há quase cem anos (a última vez foi em 1918). Essa foi a principal razão que levou milhões de cidadãos a sair às ruas para observar, registar e recordar os três minutos (hora e meia, se for considerado o período combinado de visibilidade ao longo de todo território norte-americano) durante os quais a Lua se interpôs entre o Sol e a Terra.

Vendo o fenómeno pela lente económica, o eclipse terá custado aos cofres norte-americanos perto de 700 milhões de dólares (694 milhões no total, cerca de 588 milhões de euros) em produtividade, uma vez que a grande maioria das empresas concedeu um intervalo aos seus funcionários para que o trabalho não os privasse de assistir a algo único.

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A estimativa é feita pela empresa de outplacement Challenger, Gray & Christmas, que fala numa pausa média de 20 minutos que as empresas ‘ofereceram’ aos cerca de 87 milhões de trabalhadores que estariam em funções durante o evento. No entanto, estes números podem representar uma avaliação feita por baixo.

Isto porque, além daqueles que fizeram a dita pausa, houve ainda milhares que poderão ter optado por prolongar o fim de semana ao escolher folgar na passada segunda-feira, dia em que ocorreu o eclipse.

“Serão muito poucos os que não vão sair à rua quando há uma maravilha celestial a acontecer por cima das suas cabeças”, explica a Challenger, citada pela agência Reuters.

Um impacto mínimo quando colocado em perspetiva

A empresa adianta, no entanto, que os 694 milhões de dólares ‘perdidos’ não terão efeitos significativos na macroeconomia dos Estados Unidos, uma vez que o valor apurado (resultante da multiplicação da fração do salário médio/hora pelo tempo expectável de paragem) “é muito pequeno, comparando com a quantidade de salários pagos aos empregados ao longo de um ano”.

O número acaba até por perder relevância quando comparado com outros grandes eventos nacionais e com custos mais avultados, como o Super-Bowl e a segunda-feira que o sucede para discutir o jogo, o torneio anual de basquetebol universitário NCAA (conhecido como o March Madness) ou a Cyber Segunda-feira (período de compras on-line a seguir ao dia de Ação de Graças nos EUA).

Traduzindo cada um deles em números, a March Madness custa, por exemplo 615 milhões de dólares por hora em produtividade. A Ciber Monday, por seu lado, representa perdas de 450 milhões por cada 14 minutos de compras, enquanto a segunda-feira pós-Super Bowl significa 290 milhões de dólares perdidos a cada 10 minutos só a debater sobre o jogo.

Entre quem perde, há quem ganhe

Nem tudo pode ser visto como o ‘copo meio vazio’. Entre as milhares de empresas que perderam rentabilidade produtiva, houve outras que lucraram como nunca. Veja-se, por exemplo, o estado do Tennessee, que recebeu cerca de 1,4 milhões de visitantes.

No caso da cidade de Sweetwater, que recebeu 75 mil turistas, cuja grande parte ocupou, por exemplo, todos os quartos dos hotéis da região, aos quais acrescem ainda os lugares pagos de estacionamento. Só a cidade de Nashville, capital do estado, espera lucrar entre 15 a 20 milhões de dólares graças aos breves três minutos de eclipse.

A estes números acrescem ainda os lucros de empresas que se prepararam devidamente para o fenómeno, como as que fabricam os óculos ideais para ver a Lua a encobrir o sol; as que personalizaram indumentária alusiva ao evento (como poderá ver na galeria acima) ou ainda a compra ou aluguer de equipamento capaz de observar e registar o momento, como é o caso das câmaras fotográficas ou de filmar.

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