Investimento

Bragança acena a turistas e a empresas e duplica exportações desde 2011

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De Bragança a Lisboa já não são nove horas de distância, mas quatro. A autarquia aposta na posição central no contexto do mercado ibérico.

O estudo, encomendado pela Câmara de Bragança, confirmou as suspeitas: quando convidados a dizer o que pensam desta zona do país, muitos portugueses respondem sem hesitar que “é muito longe” e que “se come muito bem”. Do resultado estatístico, as autoridades locais passaram aos atos e têm em marcha, desde 2014, uma campanha que realça a segunda ideia e tenta desconstruir a primeira. Já há resultados à vista: o número de dormidas de turistas aproximou-se das cem mil; o investimento tem crescido e as exportações duplicaram face a 2011, ultrapassando os 711 milhões de euros em 2017

A rede de estradas e o túnel do Marão pulverizaram a frase que abre a canção Para Ti Maria, em que Tim lamenta que “de Bragança a Lisboa são nove horas de distância”. Por isso, quando em 2017 os Xutos foram tocar a Bragança, Hernâni Dias, presidente da câmara, tentou convencer a banda a mudar a letra. Não conseguiu, mas quem assistiu ao concerto soube que o pedido tinha sido feito.

“De facto, antes eram nove horas. Era um aborrecimento. Mas já não é assim. Agora são quatro se vierem de carro e uma hora e meia se vierem de avião”, precisa o autarca. Daí que o plano que foi delineado tenha associado uma campanha que aposta no slogan “Bragança é perto”. A campanha tem sido promovida dentro e fora de portas – afinal, 60% dos turistas da região vêm de Espanha -, mas não se limita a piscar o olho aos turistas. Olha também para os empresários e investimentos.

O peso da Faurecia no tecido empresarial local é incontornável e está expresso nos 500 novos postos de trabalho criados com os investimentos realizados pelo construtor de peças para automóvel nestes últimos três anos. Mas há mais. “Temos assistido a uma dinâmica das empresas que se instalaram em Bragança e que levaram à criação de cerca de mil postos de trabalho”, refere Hernâni Dias. E exemplifica com as três empresas da área da metalomecânica (uma delas é a Mautomotive) que se instalaram no parque industrial da cidade; ou no investimento na área da energia que está muito virado para o mercado angolano; ou ainda na instalação (em curso) de uma empresa na área da cosmética. Em carteira está também um projeto, que envolve um investimento de 15 milhões de euros, na área das energias renováveis e um outro para exploração de água natural – que criará 50 novos postos de trabalho.

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E o que leva as empresas a olhar para esta zona de Trás-os-Montes quando procuram um local para investir? Hernâni Dias enumera várias vantagens competitivas: “Não cobramos derrama de IRC e somos das poucas capitais de distrito que o fazem.” A isto soma as condições dadas a quem se instale no parque industrial, onde os lotes podem ser adquiridos por um euro por metro quadrado. “Em 2014 criámos um regulamento que inclui benefícios para as empresas em função do número de empregos criados e que lhes permite baixar o valor do lote”, diz. A autarquia decidiu ampliar a zona industrial, estando as condições ainda a ser ultimadas.

Bragança quer fixar jovens. Fotografia: D.R.

Neste piscar de olhos às empresas, a localização do concelho é apresentada como uma mais-valia. Afinal, diz, Bragança “tem uma posição muito central no contexto ibérico” e a proximidade aos portos do norte de Portugal e de Espanha dão-lhe vantagem para quem quer exportar para a Europa. Os números acompanham o discurso: em 2011, Bragança vendia ao exterior 355,4 milhões de euros de produtos; em 2016, as exportações subiram para os 636,5 milhões e em 2017 avançaram mais 12%, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística.

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E o que vende Bragança para o mundo? Essencialmente peças para carros (89% das exportações vêm deste setor) e o seu valor duplicou em 2017 face a 2011. Esta foi também a ordem de grandeza do crescimento das exportações de produtos agrícolas (nomeadamente frutas), de madeira e carvão vegetal, bebidas, gorduras e óleos vegetais. Espanha, França e Reino Unido estão, por esta ordem, entre os três principais destinos. Toda vertente de natureza tem também funcionado como um chamariz para os turistas. E, ainda que portugueses e espanhóis continuem a ser os principais clientes, pelo Parque Natural de Montesinho veem-se cada vez mais ingleses, franceses e brasileiros. Hernâni Dias acredita que a inauguração do Museu da Língua Portuguesa (o segundo no mundo), no final de 2020, reforce o número de visitantes. O projeto está a ser trabalhado para atrair os mais velhos e os mais jovens, apostando na realidade virtual.

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