Aumentos

Da renda da casa à cerveja. 2018 traz aumentos para todos. Saiba aqui

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Pagar a renda, abastecer o carro ou comer no restaurante: não há nada que escape ao aumento dos preços no próximo ano.

Ano novo, preços novos. A saga repete-se a cada dia Mundial da Paz e 2018 não vai ser exceção: a primeira segunda-feira do ano chega com um aumento generalizado dos preços. Alguns por decreto ou pela inflação, outros por arrasto, todos a pesar no bolso das famílias.

No Orçamento do Estado ficou estipulada a subida dos impostos sobre os automóveis e sobre as bebidas alcoólicas. Em Diário da República já está impresso o artigo que abre a porta ao aumento das rendas, que vai depender, ainda assim, da (boa) vontade de cada senhorio. Coube também ao Governo definir o limite para o aumento dos transportes, e pelo menos em Lisboa já é certo que os passes vão custar mais.

No supermercado, um cabaz com leite, ovos, azeite e pão também deverá ficar mais caro, muito por culpa da seca que assolou o país este ano. As associações dos respetivos setores e as contas do INE sobre os custos de produção deixam antever subidas expressivas dos preços no próximo ano, mas para já são apenas pistas.

Quem ainda não comunicou oficialmente as resoluções de ano novo foram as operadoras de telecomunicações. Contactada pelo Dinheiro Vivo, a NOS preferiu não comentar; a Vodafone garante que não prevê aumentar os tarifários, tal como a Nowo; já a MEO deixa possíveis aumentos em aberto, ao remeter a publicação de novas condições para 30 de dezembro.

Contudo, nem tudo são más notícias para as famílias. Na lista do lado não vai encontrar o aumento da conta da luz. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) confirmou ontem que as tarifas no mercado regulado vão descer 0,2% em 2018. Numa fatura mensal de 45,7 euros, serão nove cêntimos a menos. O preço da água também não vai subir, segundo a atualização das tarifas.

Garantido está também o aumento do salário mínimo. Se a proposta do Governo for para a frente, será de 23 euros, para os 580 euros. As contas ficam feitas com o aumento das pensões, entre 3,7 e 55 euros, que em janeiro vão engordar os bolsos de 2,8 milhões de pessoas.

O que vai aumentar em 2018

Renda de casa – 1,12%

É a primeira despesa do mês e a que leva a maior fatia do ordenado. A partir de 1 de janeiro, as rendas de casa poderão sofrer a maior subida dos últimos cinco anos. Caso queiram, os senhorios estão autorizados a aumentar o valor dos arrendamentos até 1,12%.

Na prática, uma renda de 500 euros poderá subir até 5,6 euros por mês. Desde 2012 que o aumento não era tão acentuado. No ano passado ficou-se pelos 0,54%. Para a Associação Nacional de Proprietários (ANP), a subida fica, ainda assim, aquém do esperado. O valor definido “não tem sequer lógica”, defende António Frias Marques. Em declarações ao Dinheiro Vivo, o presidente da ANP questiona “a dicotomia das decisões”, que ditam uma subida que pode chegar aos 2,5% no caso dos transportes, por exemplo, e limitam as rendas a “apenas” 1,12%, abaixo da inflação esperada. “Os proprietários não aguentam”, garante.

Compra de casa – 5%

Se comprar casa faz parte das suas resoluções de Ano Novo, talvez seja melhor pensar duas vezes. E a médio ou longo prazo. Em 2018 o preço das habitações vai voltar a subir, à semelhança do que já aconteceu este ano. O último inquérito Portuguese Housing Market Survey, feito a empresas do setor imobiliário e proprietários, revela que o valor de venda das casas deverá aumentar em média 5%. A tendência deverá manter-se pelo menos até 2022. O mesmo estudo prevê que ao longo dos próximos cinco anos, os preços das habitações terão um aumento médio de 6%. Esse já foi, aliás, o valor médio da subida no último ano, segundo os dados mais recentes do INE. Sem surpresas, é em Lisboa, Porto e Algarve que a busca por casa nova será mais difícil, porque a oferta não chega para a procura.

Automóveis – 1,4%

Depois da casa, o carro. A partir de janeiro, o preço dos automóveis novos vai acelerar. Mesmo que esteja satisfeito com o modelo que tem na garagem, prepare-se, porque também vai pagar mais. O Orçamento do Estado para 2018 estipula um aumento de 1,4% tanto para o imposto sobre veículos (ISV), que incide sobre o ato da compra, como para o imposto único de circulação (IUC), que é pago todos os anos. No caso do ISV, o aumento vai depender da cilindrada do carro. Um automóvel mais modesto, com 999 cilindros, vai custar mais três euros. Já uma “bomba” com 6749 cm3 terá um agravamento de quase 900 euros. A mexida é a mesma para os veículos a gasolina e a gasóleo.

Já o IUC, que equivale ao antigo selo do carro, vai subir para os carros adquiridos depois de julho de 2007. O aumento vai variar entre 1,4 e 11,5 euros. Os carros mais recentes serão, no entanto, beneficiados. Apesar de se manter a taxa adicional de IUC para os veículos comprados a partir de 2017, o valor vai baixar. Um carro que emita entre 180 e 250 gramas de dióxido de carbono por quilómetro vai pagar 28,92 euros. As emissões superiores a 250 gramas de CO2 terão uma taxa de 58,04 euros. Para a Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), estes aumentos “não se justificam” porque os impostos sobre o setor “já são demasiado pesados”.

Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, sublinha que o ISV “tem uma carga fiscal muito elevada e ainda é sujeito a 23% de IVA, além de que desde 2016 houve aumentos acima da inflação muito significativos”. O mesmo se passa com o IUC, afirma Hélder Pedro, que “desde a reforma fiscal de 2007 é o imposto que mais tem crescido em termos de receita”. Há boas notícias, porém, para os proprietários de carros elétricos, que vão continuar isentos de IUC.

Ao todo, o governo espera arrecadar mais 88 milhões no próximo ano com o aumento dos dois impostos.

Combustível – 1,4%

Após sair do stand ao volante do carro novo, vai ser preciso encher o depósito. Também aqui a carteira vai ficar mais leve. Em 2018, o imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) será atualizado em linha com a inflação. Ou seja, deverá subir pelo menos 1,4%. No entanto, o governo decidiu manter em vigor no próximo ano o adicional à taxa do ISP, introduzido em 2014. No caso da gasolina, esse acréscimo traduz-se numa subida de 0,07 cêntimos por litro, enquanto o gasóleo continua a ficar 0,035 euros mais caro. Face ao ano passado, a receita amealhada com este imposto deve aumentar 49 milhões de euros.

Portagens – 1,4%

É a inflação de outubro que dita o aumento das portagens no ano seguinte. De acordo com o INE, circular na autoestrada em 2018 vai custar mais 1,42%. O que significa que uma viagem na A1 entre Lisboa e Porto, no troço Alverca-Grijó, vai ficar 30 cêntimos mais cara. Já a travessia da Ponte Vasco da Gama vai custar mais cinco cêntimos. Este será o segundo ano consecutivo de aumentos nas autoestradas. Nos três anos anteriores a inflação foi tão baixa que o preço das portagens estacionou.

Transportes – 2%

Se os impostos do carro ou o preço da gasolina não entram nas suas contas mensais, é provável que seja utente dos transportes públicos. Nesse caso, as notícias também são más. O aumento dos tempos de espera não pode ser previsto, mas a subida dos preços em janeiro é mais do que certa. Segundo um despacho publicado em Diário da República, as tarifas não podem subir mais do que 2,5%. E o aumento médio está limitado a 2%. Em Lisboa não vão chegar a tanto.

O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) definiu uma subida média de 1,4% no preço dos passes para 2018. Assim, o Navegante Urbano, válido na Carris, Metro e CP, aumenta 50 cêntimos para 36,7 euros. O Navegante Rede sobe 60 cêntimos enquanto os passes intermodais aumentam entre 25 e 95 cêntimos. Mantém-se inalterados o custo dos cartões Lisboa Viva, Viva Viagem/7 Colinas e Andante.

A subida dos custos, em áreas como a manutenção, o pessoal e a energia, e o facto de não haver aumentos nos passes há dois anos, são as justificações apresentadas para os novos preços. Os argumentos não convencem a Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa. “Estes aumentos são uma afronta. Nos últimos anos só houve desinvestimento nos transportes. Não tem havido qualquer melhoria na qualidade do serviço que justifique estes aumentos, pelo contrário. Recebemos queixas todos os dias. E o valor dos passes já é demasiado elevado. Uma família que precise de dois ou três passes mensais tem um encargo elevadíssimo”, critica Cecília Sales, porta-voz da Comissão de Utentes.

Pão – 4%

O alarme soou no final de novembro. Segundo a Associação dos Industriais de Panificação, Pastelaria e Similares do Norte (AIPAN), o preço do pão terá de subir cerca de 20% em 2018, devido à situação insustentável que vive o setor. Desde 2011 que o preço do pão não mexe. A subida dos custos de produção, nomeadamente do salário mínimo, mais os gastos com combustível, gás e eletricidade, tornam o aumento inevitável, na visão das associações do setor.

Contactada pelo Dinheiro Vivo, a Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP), confirma que comprar uma carcaça vai ficar mais caro a partir de janeiro, mas acredita que o aumento deverá rondar apenas 3% a 4%. “A panificação utiliza mão-de-obra muito intensiva, logo, por causa do aumento do salário mínimo, o preço do pão terá de ser atualizado.

Mas nunca em 20%. Todos os padeiros deste país têm consciência de que o pão é diferente dos outros alimentos. Na composição do preço do pão há sempre um valor social. Temos sempre muito cuidado nesta questão”, explica José Francisco Silva, presidente da ACIP.

Azeite – 30%

O ano de 2018 vai ser difícil para a dieta mediterrânica. Além do pão, também o azeite vai chegar mais caro à mesa dos portugueses. E o aumento não vai ser meigo. Segundo o INE, deverá rondar os 30%. A falta de chuva e as temperaturas elevadas durante os meses de setembro e outubro prejudicaram as colheitas. Os técnicos explicam que “a redução de oferta interna, aliada ao aumento de procura internacional, gerou um aumento de preços deste produto no ano de 2017”. A produção de azeite terá caído 9,3% este ano.

Leite e ovos – 5%

A seca continua a fazer estragos. Em 2018, prepare-se para pagar mais pelo pastel de nata. Depois de já ter disparado quase 60% nos últimos dois meses, o preço dos ovos deverá continuar a subir no próximo ano, até aos dois euros por meia dúzia. Além da seca, também os incêndios e a crise da contaminação com fipronil, que este ano afetou alguns países da União Europeia, contribuíram para o aumento dos preços.

Segundo o INE, o custo de produção dos ovos subiu 23% face a 2016. No ano passado tinha recuado quase 15%. Já o preço do leite deverá subir 5%. O INE explica que “os efeitos da seca (…) terão tido consequências nos custos de produção, dada a necessidade de recorrer a alternativas de alimentação mais onerosas”.

Álcool – 1,5%

Nem os copos com os amigos escapam. No próximo ano vai mesmo pagar (um pouco) mais por uma cerveja. O OE 2018 ditou uma subida de 1,5% do imposto sobre o álcool e bebidas alcoólicas (IABA), que inclui cerveja, bebidas fermentadas, espumantes, bebidas espirituosas e vinhos licorosos. O imposto sobre a cerveja passa para 8,34 euros por hectolitro, sendo que pode chegar a 29,30 euros, dependendo do volume de álcool. Trocado por miúdos, isto significa que, sem arredondamentos, uma cerveja que hoje custa 1,10 euros deverá aumentar dois cêntimos. Pelo peso que tem na economia nacional, o vinho continua a escapar ao aumento deste imposto.

Tabaco – 2,1%

Ainda no capítulo dos vícios, também o preço do maço de tabaco deverá sofrer o já habitual aumento. Que em 2018 deverá rondar os 10 cêntimos em certas marcas. O imposto sobre o tabaco tem duas componentes: uma específica, que vai aumentar 1,4%, e outra que incide sobre o valor, que diminui 1% no próximo ano. Para manterem as margens, as marcas mais baratas terão de aumentar preços. Um maço de tabaco que custe 4,70 euros deverá aumentar 10 cêntimos a partir de janeiro. Já os maços mais caros, a partir dos 4,90 euros, poderão passar incólumes à subida dos preços.

Com Ana Marcela

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