Saúde

Conferência HINTT: “Eu quero ser o centro da saúde”

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O futuro da saúde esteve no centro da reflexão da primeira edição do HINTT- Health Intelligent Talks & Trends 2017, evento organizado pela tecnológica portuguesa Glintt e que decorreu no dia 4 de outubro na Fundação Champalimaud.

O médico futurista Bertalan Meskó, de 32 anos, veio da Hungria para falar do impacto das tecnologias digitais no futuro da saúde.

Doutorado no estudo da genómica humana, e um dos cem mais aclamados autores da Amazon, o jovem visionário quer ajudar pacientes, médicos, reguladores governamentais e empresas a fazer da saúde digital uma realidade, ou seja, a levar a cabo uma “transformação cultural com tecnologias disruptivas.” Hoje, os médicos dizem-nos o que fazer, o que tomar, e nós obedecemos. “Não há tempo para a empatia, o que é inaceitável”, diz, defendendo serviços médicos personalizados porque somos todos diferentes. Por onde podemos começar? Um dos principais catalisadores da mudança na saúde é a inteligência artificial, acredita Bertalan Meskó.

Com a evolução da capacidade digital, a quantidade de dados digitais disponíveis tem vindo a crescer a grande velocidade, duplicando a cada dois anos. O Big Data permite construir melhores perfis de saúde e modelos preditivos em torno de pacientes individuais para que se possa diagnosticar e tratar melhor a doença.

Mas para acompanhar o crescimento do mundo do Big Data precisamos de inteligência artificial, diz, e esta “já entrou nas nossas vidas.”

Está nos nossos carros, nas buscas do Google, nas sugestões da Amazon, por exemplo. A Siri da Apple, o Cortana da Microsoft, o OK Google da Google e os serviços Echo da Amazon já nos ajudam a procurar um restaurante, obter instruções de direção ou executar uma pesquisa simples na web.


 

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Bertalan Meskó

Seja curioso pela sua saúde

Hoje, devemos ser curiosos sobre o futuro da nossa própria saúde, diz Meskó, admitindo ser um apaixonado por tecnologia e por ficção científica. Ele próprio usa há uma década aplicações mobile e outros health trackers no seu quotidiano.

Nesta nova era digital os pacientes ganham cada vez mais poder sobre os seus cuidados e tornam-se especialistas da sua própria saúde. Querem ser parceiros dos profissionais de saúde e estar atualizados sobre como podem gerir a sua doença. “A essência da saúde digital é tornarmos o paciente como o centro dos cuidados de saúde.”

O futuro dos cuidados de saúde passa por permitir que todos tenham acesso à saúde por meio das tecnologias de informação da nova geração, dando poder ao paciente. São cada vez mais comuns os websites que colocam o paciente no centro, como o DrEd, o médico online; a PatientsLikeMe, uma plataforma onde os pacientes partilham informação entre si; ou a ZocDoc, onde é possível ter aconselhamento médico através de uma aplicação mobile.


 

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Alexandre Quintanilha

O conhecimento dá poder às pessoas

Citando Francis Bacon, Alexandre Quintanilha, físico e antigo professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, acredita que o conhecimento dá poder às pessoas, mas resta saber como é que este se relaciona com o Big Data e com a questão da compreensão. Na sua opinião, que tem por base o pensamento de Einstein que muito admira, “estamos a afogarmos em informação, mas ávidos de conhecimento”. É que, assegura, a informação por si só não é conhecimento – para se transformar em conhecimento precisa de ser interpretada. “O conhecimento não é compreensão e esta nem sempre é sabedoria,” diz o físico português, alertando para o problema da cibersegurança e para os dilemas éticos do novo conhecimento digital.

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John Rayner, diretor regional para a Europa do Healthcare Advisory Services Group (HIMSS)

Maturidade digital nas unidades de saúde

O evento terminou com a apresentação do estudo sobre maturidade digital nas unidades de saúde que foi apresentado por John Rayner, diretor regional para a Europa do Healthcare Advisory Services Group (HIMSS). Esta organização sem fins lucrativos dedica-se, desde 1961, à certificação de instituições de saúde através de um modelo de registo médico eletrónico. Em Portugal, o Hospital de Cascais é a única unidade certificada. A nível empresarial, a Glintt é a primeira empresa portuguesa a conquistar a certificação HIMSS através da especialização de 24 consultores. Este modelo de avaliação hospitalar contribui para a redução de erros clínicos, diminuição das taxas de readmissão, aumento da produtividade e rentabilização de custos.


 

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Filipa Fixe, diretora de Healthcare da Glintt

Prémio HINTT 2018 com candidaturas abertas

Até 21 de maio de 2018 estão abertas as candidaturas para o Prémio HINTT 2018. Como explicou Filipa Fixe, diretora de Healthcare da Glintt, dirige-se a unidades de saúde e startups que queiram ver reconhecidas as suas melhores práticas na área das tecnologias da informação e comunicação em quatro áreas: segurança do paciente, apoio à decisão clínica (proposta de valor); resultados clínicos; e inovação em startups.

A lista dos finalistas será publicada até 3 de outubro de 2018, e a entrega dos prémios está marcada para outubro, na próxima edição do HINTT.

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