vinhos

Herdade Grande vai investir meio milhão nos próximos cinco anos

Reestruturar a vinha, reforçar o peso dos vinhos de maior valor acrescentado e crescer no enoturismo são apostas de António e Mariana Lança, 3.ª e 4.ª geração da família que gere a centenária empresa da Vidigueira.

Aos 100 anos, a Herdade Grande, na Vidigueira, está apostada em rejuvenescer. A equipa, os vinhos, as vinhas. A palavra chave é agregar valor e, por isso, a empresa, dirigida por António e Mariana Lança, a terceira e quarta geração à frente do negócio familiar, renovaram a equipa de enologia, com a contratação de Diogo Lopes, e estão, agora, a lançar novos vinhos no mercado, como os Herdade Grande Amphora Branco e Tinto 2018 e o Herdade Grande Sousão 2017. E preparam-se para investir meio milhão de euros, nos próximos cinco anos, na reestruturação de metade da sua área de vinha. O enoturismo será outra das grandes apostas.

“O sucesso e o futuro do sector vitivinícola está na valorização da nossa produção, quer interna quer externamente, e, por isso, estamos muito centrados na qualidade. Queremos focar-nos no aumento da produção dos vinhos que agregam mais valor”, diz Mariana Lança, diretora-geral da Herdade Grande, uma das mais emblemáticas propriedades no Alentejo e que, este ano, comemora o seu centésimo aniversário. Para assinalar a data, a empresa reuniu, esta semana, uma centena de parceiros na propriedade, convidando-os a conhecer os novos vinhos que vêm reforçar o portefólio da empresa, que produz anualmente 400 mil garrafas. “Somos, com muito orgulho, uma empresa familiar, com uma estratégia de identidade e diferenciação em que nos interessa, mais do que aumentar o volume, defender a nossa marca”, sustenta.

Com 350 hectares no total, a Herdade Grande tem 60 hectares de vinha, com especial enfoque nas castas tradicionais alentejanas. Metade precisa de ser replantada. “As vinhas começam a não responder tão bem como desejaríamos. Cada hectare de vinha custa-nos 20 mil euros, rapidamente chegaremos ao meio milhão de investimento. Vamos apostar muito nas castas regionais, reforçando a Tinta Grossa e a Tinta Caiada, e investindo no Alicante Bouschet e na Touriga Nacional que têm provas dadas”, explica.

Brasil, Canadá, Angola e países europeus são os principais mercados de destino dos vinhos da Herdade Grande, que destina ao exterior 40% da sua produção. Além do vinho, a empresa exporta, também, azeite, em especial para a Alemanha e o Brasil, além dos restantes mercados europeus. São apenas cinco mil garrafas ao ano, de uma gama premium, mas com tendência para crescer. O olival está a crescer e, dentro de dois anos, ocupará tanta área como a vinha.

O enoturismo é outra das grandes apostas da centenária propriedade, que recebe, por ano, cerca de mil visitantes, sobretudo brasileiros, americanos, ingleses e alemães. Um número ainda “residual”, admite Mariana Lança, já que grande parte são agentes e parceiros. Mas também há quem esteja de passagem e entre para conhecer a propriedade. “Acredito muito no enoturismo e temos muita margem para crescer. Quem sabe, no futuro, poderemos vir a investir numa unidade de alojamento, mas, para já, a prioridade está na reestruturação das vinhas”, diz Mariana. No entretanto, a irmã Filipa, que é arquiteta, já começou a delinear o que poderá vir a ser este projeto. A quarta geração é, ainda, composta por Joana Lança, fiscalista, que dá apoio em tudo o que são questões fiscais e contratuais.

Para já, a Herdade Grande organiza provas diversas, piqueniques na vinha, participação na vindima e outras iniciativas sob marcação. Tal como, pontualmente, aceita grupos de maior dimensão, para festas ou casamentos, que queiram degustar a gastronomia típica da região devidamente harmonizada com os vinhos da casa. Mas, nesses casos, têm de subcontratar empresas para esse serviço. O objetivo é conseguir “profissionalizar, crescentemente, esta área”. Exemplo destes eventos foi o que organizou esta semana para assinalar o centenário e apresentar nova equipa de enologia e os novos vinhos, que marcam o regresso da Herdade Grande às tradicionais talhas alentejanas, que não eram usadas há 25 anos, desde que António Lança – que foi um dos que dinamizou o nascimento da Adega Cooperativa da Vidigueira -, se aventurou como produtor-engarrafador.

São 1600 garrafas do Herdade Grande Amphora Branco de 2018, todas numeradas, e que têm um preço de venda ao público que rondará os 20 euros. Do Amphora Tinto 2018 são, apenas, 1300 garrafas nesta primeira edição e terá um preço semelhante. Inovador é o Sousão 2017, um “monocasta improvável” no Alentejo, destinado a “nichos de consumidores”, designadamente aqueles que “não se identifica com a casta Tinta Grossa”. São 1200 garrafas e vão custar entre 18 e 20 euros. “Estes vinhos são complementos ao nosso projeto, mantemos a tipicidade dos vinhos alentejanos, mas queremos, também, demonstrar a capacidade de inovar da empresa a nível vitícola. São projetos diferenciadores para nichos”, frisa Mariana Lança.

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