Óbito

21 líderes recordam Paulo Nunes de Almeida

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As reações à morte de Paulo Nunes de Almeida começam a surgir minutos depois de noticiada, na manhã desta quinta-feira. Aos 60 anos, o presidente da AEP faleceu no Porto, na sequência de uma doença prolongada.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte do presidente da AEP, sublinhando que “liderou pelo exemplo”, e salientando a sua “capacidade de ouvir e unir”, a sua “energia e resiliência”. “Os empresários portugueses perdem um homem bom que representava com empenho a iniciativa empresarial”, declara o chefe de Estado, que apresentou “sentidas condolências à família e à associação empresarial que dirigiu com grande dinamismo desde 2014, após longos anos na vice-presidência”.

Pedro Siza Vieira, ministro Adjunto e da Economia

Numa nota de pesar, o ministro adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, lamenta a morte do presidente da AEP: “Foi com uma enorme tristeza que tomei conhecimento da morte do dr. Paulo Nunes de Almeida. O país perde um cidadão empenhado, toda a vida, na modernização da economia e na vitalidade do tecido empresarial, e eu perco um amigo, pois tive a grande honra e o grato prazer de ter sempre contado com o seu conselho sensato e próximo. À sua família e à AEP endereço as mais sentidas condolências nesta hora difícil.”

José António Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva, relembra a claridade da personalidade de Paulo Nunes de Almeida. “O seu empenho como promotor de inovação e defensor da mobilização de todos na qualificação de pessoas e instituições destacou-se num nível muito elevado. Neste momento de tristeza manifesto à sua família e à AEP a minha profunda solidariedade e sinceras condolências”.

José Gomes Mendes, secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade

“Paulo Nunes de Almeida não nos deixará nunca”, começa por dizer José Gomes Mendes, secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade. “Partiu, mas o seu legado manterá bem viva a memória de um homem bom, um empresário com um talento natural para a construção de consensos. Das inúmeras vezes em que nos cruzámos, retenho a gentileza do trato e, sobretudo, a paixão que partilhávamos pelo empreendedorismo e pela formação dos recursos humanos. Estas foram as qualidades que o projetaram na AEP e no movimento associativo empresarial, com benefícios para o país que vão perdurar por muito tempo.”

Daniel Proença de Carvalho, presidente do conselho de administração do Global Media Group

O presidente do conselho de administração do Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho, considera que “Paulo Nunes de Almeida teve um papel muito relevante na dinamização do associativismo empresarial, especialmente no Norte, e na defesa da iniciativa privada enquanto motor do crescimento económico. Era uma pessoa frontal, independente, que defendeu as suas ideias com coragem, será recordado como um líder que deixou uma marca nas associações empresariais a que presidiu”.

Alexandre Fonseca, CEO da Altice

Alexandre Fonseca, CEO da Altice, confessa que foi com grande pesar que recebeu a notícia do desaparecimento do Paulo Nunes de Almeida, “um grande vulto do setor empresarial do nosso país”. “Tive o prazer de o conhecer enquanto Presidente da AEP e também do Conselho Fiscal do FC Porto, dois cargos onde revelou ser um homem de consensos e de um empenho e dedicação dignos de registo. Antes mesmo de a palavra estar na moda, o Paulo já era um verdadeiro empreendedor, estando sempre atento às diferentes e importantes conquistas no seio do setor empresarial. Foi pela mão dele que assistimos à criação do Portugal Fashion, à primeira presidência da Associação Têxtil de Portugal, ou, mais recentemente, à Campanha Portugal Sou Eu, iniciativas e cargos a que imprimiu um imenso dinamismo e disrupção, tal como a tudo quanto fazia. Essas são características e marcas da sua personalidade, que serão recordadas por todos quanto o conheceram.”

Luís Castro Henriques, presidente da Aicep

Para Luís Castro Henriques, presidente da Aicep, “é uma triste notícia. O país perdeu um homem de consensos e um grande defensor das empresas. O Paulo Nunes de Almeida era genuinamente dedicado aos empresários e era uma figura admirada e respeitada entre todos. Com a sua elevada experiência, tentava sempre ser parte da solução, e não do problema, e era uma figura agregadora entre o tecido empresarial, colaborando com muitas Associações e Instituições, nomeadamente a AICEP, de forma sempre leal e correta. Fará muita falta a Portugal”.

António Saraiva, líder da CIP

António Saraiva, líder da CIP, fala de “um dirigente como poucos”. “Tive o privilégio de a seu lado testemunhar uma profunda paixão e dedicação às organizações que dirigia, honrando e dignificando com entrega e devoção a luta pela edificação do associativismo empresarial”.

“Paulo Nunes de Almeida deixou um legado de inquietude associativa que o caracterizava, assim como a excelência em tudo o que fazia, e deixou uma marca na região Norte. Marcou uma viragem na AEP que se iniciou com José António Barros e que veio consolidando ao longo do tempo. E participou também num momento de viragem da própria CIP. Desde sempre esteva ligado ao associativismo empresarial até ao F. C. Porto, no seu conselho fiscal. Deixa uma marca de excelência, de atitude, de resiliência, confiança e lealdade com que sempre tratava os assuntos. Paulo era um construtor de pontes, consensos e equilíbrios. Era um dos melhores de nós. Não será fácil substituí-lo, porque o Paulo dava tudo de si próprio e não é comum encontrar pessoas com disponibilidade total para as causas”, destaca António Saraiva.

Bruno Bobone, presidente da CCIP

“Morreu um grande nome do associativismo português”, destaca Bruno Bobone, Presidente da CCIP. “Paulo Nunes de Almeida foi um amigo de quem se gosta pela sua simplicidade, simpatia, honestidade e dedicação ao seu projeto. Tomou a seu cargo uma importante associação empresarial, que atravessava uma situação complicada e difícil e conseguiu dar-lhe as condições de se tornar numa das organizações empresariais que mais contribuíram para o apoio ao desenvolvimento da economia portuguesa nos últimos anos. Com a sua postura tranquila e a sua simplicidade simpática, conseguiu mover as montanhas que poucos se atreveriam a enfrentar e obteve os resultados que poucos acreditariam ser possíveis. Recuperou uma instituição garantindo-lhe as competências e os apoios que foram necessários à manutenção da credibilidade do seu projeto. Perdemos um amigo, um lutador e um grande defensor das empresas e da economia portuguesa.”

Pedro Matias, presidente do ISQ

Pedro Matias, presidente do ISQ, recorda “Paulo Nunes de Almeida como uma figura destacada do setor empresarial e nomeadamente do Associativismo em Portugal. A ele se devem muitas batalhas e muitas vitórias em prol da afirmação da ‘Indústria’ e das empresas enquanto motor do desenvolvimento económico e social. Destacado dirigente associativo da AEP sempre procurou promover e afirmar a inovação e a competitividade das empresas. Era uma pessoa inteligente, cordata e mobilizadora que vai deixar muitas saudades no Norte do país e em Portugal”.

Celso Guedes de Carvalho, comissário da Expo Dubai

Celso Guedes de Carvalho, comissário da Expo Dubai, destaca em Paulo Nunes de Almeida a “humildade. Sentido de dever. Entrega às causas em que acreditava. Amor pela cidade do Porto e pela Região Norte. Desprendimento. Homem de família. Um líder discreto mas impactante no resultado agregador de talento”.

Óscar Afonso, professor da Faculdade de Economia do Porto

Óscar Afonso, professor da Faculdade de Economia do Porto, recorda Paulo Nunes de Almeida como “um líder empresarial excecional, pelas suas qualidades pessoais e profissionais, pela sua coragem e pela capacidade de lucidez com que interpretava o mundo empresarial. Desempenhou sempre com muita competência cargos empresariais relevantes; entre outros, na Associação Nacional de Jovens Empresários, na Associação Comercial do Porto, no Conselho Geral da Confederação Empresarial de Portugal e na Fundação da Associação Empresarial de Portugal (AEP). O reconhecimento com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito Empresarial pelo Presidente da República, durante as comemorações do 170º aniversário da AEP, sumaria a sua visão, o seu sentido estratégico, a sua intuição empresarial, a sua influência decisiva para a sobrevivência da AEP, bem como o seu contributo para a aposta na internacionalização da economia portuguesa e para a oferta qualificada da produção nacional”.

Ramalho Fontes, presidente da AESE Business School

Ramalho Fontes, presidente da AESE Business School, destaca que “com a cultura empresarial no seu ADN familiar, soube colocá-la ao serviço da AEP com serenidade, profissionalismo e paciência. Os valores familiares também fizeram parte do seu protagonismo cívico. Um testemunho que nos deve servir de exemplo a continuar”.

António Amaral, partner da Deloitte e membro do conselho fiscal da AEP

“Tive o privilégio de partilhar duas das suas paixões: o seu amor pelo seu FCP e a causa à qual dedicou parte da sua vida, que foi o desenvolvimento e apoio do associativismo empresarial, com particular ênfase no Norte do país”, começa por recordar Paulo Gaspar, auditor da Deloitte e membro do conselho fiscal da AEP. “No FCP durante vários anos pautou sempre a sua ação com grande sensatez, lealdade e sinceridade. Na AEP dedicou-se, com toda a sua energia, à defesa do associativismo empresarial. Era uma força da natureza. Um Homem com uma inteligência superior, sempre atento aos pormenores, e mobilizador das pessoas do seu meio para as causas que abraçou.”

João Rui Ferreira, presidente da Associação Portuguesa da Cortiça

Paulo Nunes de Almeida “foi um exemplo do que é servir sem pedir nada em troca”, considerou a Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), para quem foi uma pessoa focada “no crescimento do país e sempre ao lado das empresas” e “inspirou quem também faz parte do movimento associativo”. Para João Rui Ferreira, presidente da associação, “a APCOR e toda a indústria da cortiça vão recordá-lo sempre com admiração e, a partir de hoje, com muita saudade. Obrigado, Paulo”.

José Manuel Fernandes. CEO da Frezite

“Paulo Nunes de Almeida foi um empresário vertical que lutou por valores sempre associados à melhoria de uma sociedade em que a economia empresarial era a sua área alvo”, recorda José Manuel Fernandes. CEO da Frezite. “Isto deu lhe sempre uma matriz de viver a pensar e criar projetos para benefício de todos na base de um altruísmo exemplar. Como seu Presidente do Conselho Consultivo da AEP e antigo colega do CÁ da AEP sempre senti o seu modo de estar no Associativismo Empresarial que era de servir, sempre disponível para ir mais longe na valorização das instituições que representava Era dotado de uma inteligência elevadíssima e de uma capacidade de mobilização de tudo a sua volta . O país perdeu um dos seus melhores. A saudade invade-nos”.

Estela Barbot, gestora

“Pelo Paulo tenho enorme admiração pela integridade e luta que travou com a doença nos últimos anos”, afirmou a empresária e gestora, atual membro do conselho de Administração da REN.

Isabel Furtado, presidente da Cotec

“O Paulo é daqueles homens que realmente vai fazer muito falta. De invulgar vontade e empenho em tudo o que fazia, tinha sempre os interesses de desenvolvimento do país à frente de tudo. Tive o privilégio de trabalhar com ele e aprender com ele. Acima de tudo era uma boa pessoa e deixa-nos uma grande tristeza ao vê-lo partir tão cedo”, referiu a gestora.

Luís Mira Amaral, gestor

“Conheci o Dr. Paulo Nunes de Almeida como Presidente da Associação Têxtil de Portugal, onde fez uma obra extraordinário não só na consolidação do associativismo empresarial do sector mas também na defesa junto da Comissão Europeia deste importantíssimo sector face às ameaças então da China.”

“Depois acompanhei a sua atuação quer como Presidente da AEP quer da Fundação AEP, onde foi sempre uma voz do Norte serena, esclarecida e prestigiada na defesa das empresas portuguesas. Ao conviver com ele no Conselho Geral da CIP tive a oportunidade de o conhecer na sua verdadeira dimensão humana e de acompanhar com grande angústia a sua extraordinária tenacidade na luta contra a doença que o vitimou. Recentemente nos 170 anos da AEP, já muito doente, conseguiu fazer ainda um lúcido, objetivo e extraordinário discurso. Tive o pressentimento que seria talvez o último a que assistiríamos e assisti com grande emoção à sua justíssima condecoração pelo Senhor Presidente da República que se dignou ir ao jantar para pessoalmente o elogiar e condecorar. A sua morte apanha-me na Rússia onde venho presidir ao International Supervisory Board dos jogos de simulação de gestão SDG/Expresso. Comovidamente registo a perda dum homem exemplar, ficando a economia e o associativismo empresarial mais pobres. Sentidamente envio à família, à AEP e à CIP as mais sinceras condolências”.

Tim Vieira, empresário

“O Paulo Nunes de Almeida destacou-se por uma forte ligação à atividade empresarial e foi uma figura de referência no nosso país. O seu trabalho muito contribuiu para a afirmação da imagem das empresas portuguesas e da economia nacional. O Paulo deixa uma marca forte no associativismo, principalmente em áreas que são cruciais para a nossa economia e que passam pela internacionalização, pela promoção do empreendedorismo e pela aposta na formação profissional. A atividade empresarial em Portugal ficou mais pobre, mas tenho a certeza de que saberemos dar continuidade ao seu trabalho e honrar o nome deste que foi um grande homem no mundo empresarial português.”

Armindo Lourenço Monteiro, vice-presidente da CIP

Quando tomei a decisão de escrever estas linhas uma dúvida assaltava-me: deveria fazer uso de recursos estilísticos, valências semânticas e outros jogos de palavras que supostamente mediriam por cima o meu quociente intelectual, e habilmente sombreariam um devido louvor publicado, ou exigir-se-ia uma mensagem retilínea, direta e franca, sem desvios, paragens ou interrupções, objetiva, concreta e explícita como indiciam os livros da governança quando pretendemos aplaudir publicamente o trabalho de alguém? Tal curta hesitação esfumou-se ao lembrar o percurso, o carácter e a personalidade do meu muito querido amigo. O presente texto é, pois, um manifesto elogio ao Paulo Nunes de Almeida.

O 170º aniversário da AEP – Associação Empresarial de Portugal muito recentemente festejado, oportunidade em que o Presidente da República condecorou o Paulo Nunes de Almeida com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito Empresarial, reconhecimento pela sua intervenção enquanto dirigente associativo na defesa das empresas, do empresariado e da economia nacional, trouxe-me à memória tantos combates que travamos juntos, tantas conversas em prol de um país competitivo, tantas dores de cabeça à procura de um futuro mais risonho, próspero e sustentado. Procurando estimular outros na resiliência da escolha de vida pela vocação e prática de trabalhar por conta própria, sem ais, sem azedume, sem pessimismo, sem lamúrias de espécie nenhuma… na senda de Almada Negreiros no seu magnífico “Ultimatum Futurista” que instigava os portugueses da sua geração: “Resolvei em pátria portuguesa o genial otimismo das vossas juventudes”.

Um Portugal certamente melhor caso proliferassem nas lusitanas terras homens da estirpe do Paulo Nunes de Almeida. Pessoa de pactos, consensos e entendimentos, sem caprichos, vaidades ou presunções, detentor de ideias, juízos e convicções que jamais ousaram sobrepor-se ao bem comum. Recordo-me a título de exemplo da empreitada levada a cabo na indústria têxtil de vestuário portuguesa. Fundindo várias associações, consolidando a representatividade institucional do setor, erigindo as bases para a transformação de paradigma da ITV. Uma pioneira revolução que permitiu a escalada do setor na cadeia de valor.

Revivo também o papel do Paulo Nunes de Almeida nos primeiros tempos da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários. Uma pedrada no charco quando o país celebrava uma dúzia de anos de democracia, acabava de entrar na CEE – Comunidade Económica Europeia e emergia uma renovada classe de business man. Um projeto precursor na promoção do empreendedorismo jovem, na prestação de serviços de aconselhamento empresarial e na realização de ações de qualificação profissional, na criação de redes de networking e no apoio à internacionalização.

Ultimamente revejo a missão cumprida à frente dos destinos da AEP – Associação Empresarial de Portugal. Recuperando financeiramente a secular instituição, reforçando a capacidade de intervenção e relançando o seu prestígio. Defendendo escolhas difíceis, reestruturando a organização e influenciando políticas. Ainda que já com visíveis debilidades físicas, na promoção do papel do empresário, na defesa da cooperação associativa e na procura da eficiência coletiva. O Paulo Nunes de Almeida era à prova de bala!

Um modelo que reganha tanta mais relevância quanto hoje assistimos à frequente diabolização da atividade empresarial no espaço público. Olvidando a nossa história recente: foram indivíduos empreendedores, destemidos e ousados como o Paulo Nunes de Almeida que levantaram Portugal após a bancarrota do Estado em 2011; foram as empresas portuguesas que partiram em busca de novos mercados além fronteiras que equilibraram a balança comercial; foram os trabalhadores do setor privado que depois de perderem o emprego criaram negócios, inventaram produtos, e relançaram a iniciativa por conta própria. Na verdade, os cofres vazios do Estado combateram-se com a abnegação, o esforço e o zelo de outros Paulos Nunes de Almeida. Obrigado, meu amigo!

 

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