Indústria do calçado

Marita Moreno. Sapatos com folhas de ananás e casca de banana

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A sustentabilidade é uma preocupação constante da designer Marita Setas Ferro, que procura usar materiais inovadores e amigos do ambiente.

Artesã, designer e escultora, Marita Setas Ferro dedicou mais de 30 anos ao vestuário, como formadora na Escola Artística e Profissional Árvore e da marca Marita Moreno, que criou em 2009. Há três anos decidiu trocar a roupa pelos sapatos, objetos mais escultóricos e, por isso, mais desafiantes, e não mais parou. A sustentabilidade é uma das suas principais apostas, com o recurso a materiais naturais, como o linho, rendas, madeira ou cortiça, e inovadores, como o piñatex, uma fibra produzida a partir das folhas do ananás, ou placas de fibra de casca de banana. Vende já para França, Itália, Alemanha e EUA e até já despertou a atenção da Netflix.

A coleção de primavera-verão foi inspirada em princesas do universo cinematográfico e inclui modelos como Ermione, Leia ou Daenerys. A Netflix está a preparar uma nova série sobre deusas e admitia integrar alguns sapatos Marita Moreno. A parceria não chegou a avançar, mas Marita Setas Ferro espera que possa vir a acontecer um dia, já que a marca tem uma agente em Los Angeles, que está apostada em dar a conhecer o calçado português ao mundo cinematográfico. “Temos feito eventos em Beverly Hills para comunicar a marca e dar a conhecê-la a atores e influenciadores sociais. Há que criar buzz em torno da Marita Moreno para que, depois, consigamos chegar a consumidor”, explica a designer portuguesa.

Contratada está também uma agente para o mercado canadiano. Mas apesar de ter nascido virada exclusivamente para o mercado internacional, a Marita Moreno é alvo crescente de solicitações em Portugal. “As pessoas começam a estar muito atentas e a sustentabilidade está na moda”, diz. Além da loja online da própria Marita Moreno, os sapatos e carteiras podem ser comprados nas plataformas Overcube e Minty Square. O showroom da marca fica em Lourosa, Santa Maria da Feira, sendo o calçado produzido em São João da Madeira, Felgueiras e Fafe. Marita faz questão de usar matérias-primas nacionais e de “levar a cultura portuguesa e o made in Portugal ao mundo”. A única exceção é o biocouro, que compra em Espanha.

Além da linha vegana, que lançou em 2017 em resposta a solicitações do próprio mercado, a Marita Moreno tem uma linha sustentável, em que usa peles que não foram sujeitas a tratamentos com metais pesados, e uma linha upcycling, desenvolvida a partir da reciclagem dos restos das coleções anteriores. Para breve está previsto o lançamento de uma linha de colares para aproveitar, também, os restos do couro.

Além disso, a Marita Moreno tem também uma linha muito exclusiva, para homem e senhora, com apenas cem pares, devidamente numerados. “São peças únicas, escultóricas”, explica. Custam entre 180 e 280 euros, mas é possível comprar um par de sapatos Marita Moreno, dos não numerados, a partir dos 125 euros. “São preços muito interessantes comparados com as marcas francesas ou italianas”, garante a designer, sublinhando que se trata de “produtos de nicho, de elevada qualidade e muito diferenciadores”. Para Marita Setas Ferro, a indústria portuguesa faz “excelentes produtos”, mas falta-lhe a componente de design. “Fazemos sapatos iguais a todos os outros, precisamos de ser um bocadinho mais atrevidos, mais arrojados, para sermos mais reconhecidos internacionalmente.”

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