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Prestígio do chocolate português vem da “imaginação culinária”

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País tem baixos níveis de consumo de chocolate, mas fabricantes nacionais já vendem para 30 países.

Portugal é um dos países da Europa que menos consome chocolate, no entanto, os fabricantes e marcas nacionais “gozam de grande prestígio internacional”, assegura Barata Simões, secretário-geral da Associação dos Industriais de Chocolates e Confeitaria (ACHOC), que atribui esse prestígio à “capacidade inovadora” e à “imaginação culinária” dos profissionais, mantendo, no entanto, a composição e denominação do produto de acordo com a lei.

Cada português ingere, em média, por ano, 1,5 quilos de chocolate, “quando em Espanha e Itália o consumo fica acima dos 3,4 quilos, em França 4, e na Alemanha ou Suíça 10 a 12 quilos por ano”, adiantou o responsável.

Apesar de acreditar que a tendência de consumo em Portugal se vá inverter no futuro, aponta duas razões para a diferença face ao panorama europeu: por um lado, “os mitos que ainda persistem na sociedade portuguesa sobre o chocolate” (ver fotogaleria), por outro, “o preço”.

“Enquanto, que nos outros países da Europa o chocolate é considerado um complemento alimentar e, por isso, tem uma taxa de IVA menor, por exemplo, em Espanha o IVA do chocolate é de 10%, em Portugal mantém-se nos 23%, o que no plano fiscal representa um prejuízo brutal”, sustenta Barata Simões.

Em sua opinião, com a taxa fiscal aplicada “perdem todos, perde o consumidor porque paga mais caro, perdem os operadores que vendem menos e perde o Estado, porque arrecada menos imposto, e menos ainda, quando muitas vezes os operadores, especialmente nas zonas fronteiriças, vão abastecer-se ao país vizinho, com a Fazenda nacional a perder também no IRC”.

Mesmo assim, Portugal exporta chocolate. Do total que representa o setor, 200 milhões de euros, 10 a 15 milhões são de exportação, com marcas nacionais a vender para mais de 30 países.

“Os operadores nacionais marcam pela imaginação culinária. Enquanto, que as grandes marcas internacionais têm duas ou três fábricas a produzir três ou quatro variedades, as marcas nacionais são mais pequenas, com maior capacidade de inovar e adaptar-se a novos conceitos culinários”, sublinhou Barata Simões.

O que falta “é alterar a forma como ainda se olha para o chocolate. Ou seja, é necessário esbater a concentração da sazonalidade deste produto. O Natal representa 40% e a Páscoa mais de 20% do consumo total, e é entre estes dois períodos que o consumo de chocolate tem que subir, e deixar de ser visto como prenda, ou gratificação e passar a integrar a alimentação”, referiu.

Esse crescimento “tem-se verificado com a abertura de muitas boutiques de chocolate pelo país fora e com muito sucesso”, permitindo, assim, o aumento do consumo, embora a produção nacional ainda corresponda apenas a 30% do total consumido.

Os grandes desafios para a ACHOC são “desmontar os mitos à volta do chocolate, fazendo perceber que é um complemento alimentar, e que é o único produto industrializado regulamentando com um decreto específico quanto à composição e denominação”. Além disso, pretende “tentar fazer com que os políticos e Governo entendam a importância do produto, bem como os ganhos para todos, se a carga fiscal diminuir”.

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