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Sapatos velhos e pneus ganham nova vida na Bolflex

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Fábrica de Felgueiras criou a e-rubber, uma borracha ecológica produzida a partir de desperdícios. Até borras de café são aproveitadas.

A maioria das empresas está agora a acordar para o tema da sustentabilidade, “empurrada” pela procura crescente no mercado de produtos amigos do ambiente, mas a Bolflex, empresa de solas para calçado, já há muito que procura formas de diminuir o desperdício. Precisamente pela consciência do peso que a indústria tem na criação de lixo. “Para vendermos três milhões de pares de solas gerávamos 150 toneladas de desperdícios, no mínimo. E pagávamos para os enterrar. Junte-lhe tudo o que um sapato leva mais e imagine a quantidade de lixo que está em causa, as pessoas não têm noção e muitas empresas não sabem sequer quanto pagam para enterrar estes desperdícios, que podem ganhar nova vida”, explica António Ferreira, fundador da empresa de Felgueiras.

Criou, em 2013, uma unidade de reciclagem de borracha e outros polímeros, a RubberLink, mas que só quatro anos depois conseguiu começar a laborar em pleno. Um investimento de mais de 1,5 milhões e onde transforma pneus, sapatos e lonas velhas, mas também incorpora uma série de outros materiais, como a cortiça, a palha, o serrim, a casca de arroz, folhas de árvores e até borras de café, na criação da e-rubber, uma borracha desvulcanizada, produzida em “quantidade e qualidade” suficiente para abastecer o mercado industrial europeu. E que pode chegar a incorporar até 90% de reciclados.

“Só não recebemos materiais metálicos e ferrosos, de resto, aceitamos tudo”, diz o empresário, que recebe desperdícios de borracha de vários países europeus. Sapatos para reciclar começam agora a chegar, designadamente de um cliente dos EUA, que os receberá de volta, transformados em novas solas e em “pele” para gáspeas (a parte superior do calçado). O processo está devidamente patenteado e a procura é tanta que António Ferreira admite que terá, em breve, de triplicar a capacidade de reciclagem. “A reação do mercado tem sido extraordinária, porque conseguimos fazer um produto que dá para qualquer tipo de sapatos, dos desportivos ao calçado de segurança. Conseguimos produzir uma tela de qualquer cor e com a espessura que quisermos, o céu é o limite”, explica. Mas este é um investimento que o preocupa seriamente: “Estou a pensar muito bem. É tudo muito bonito quando as coisas correm bem e o Estado fica logo com metade. Mas, se correm mal, somos só mais um número na lista das execuções”.

Com 140 trabalhadores diretos e uma faturação que este ano deverá ser de 11 milhões de euros, a Bolflex espera que os reciclados assegurem já 45 a 60% do total da sua produção em 2020. “No mínimo”, diz o empresário, que prevê vendas totais de 13 a 15 milhões de euros no próximo ano.
O novo produto tem gerado interesse das grandes marcas nacionais e internacionais, e até de grandes retalhistas do mundo do vestuário. A Bolflex marcou presença na última edição do Portugal Fashion, com a apresentação de uma linha de calçado feita a partir de e-rubber, criados em parcerias com várias empresas nacionais. Nascida como empresa de componentes, avançar com produção própria de calçado é coisa de que o empresário não quer ouvir falar. “Está totalmente fora de questão, isso era dar um tiro no pé”, garante António Ferreira.

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