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Tomás Correia venceu no Montepio, mas incerteza vai continuar

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A ASF tem nas mãos o futuro da nova (velha) administração da Associação Mutualista. Mas Tomás Correia confia que vai cumprir todo o mandato.

Venceu as eleições e continua como presidente da maior mutualista do país, pela quarta vez consecutiva. Mas o fim do processo eleitoral para o próximo triénio marca apenas o início de um novo desafio para António Tomás Correia: passar nos testes de idoneidade do seu novo supervisor financeiro, a ASF-Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões. Tomás Correia, que preside aos destinos da Associação Mutualista Montepio Geral há mais de uma década, tem processos em curso no Banco de Portugal e na justiça.

Há opiniões jurídicas diversas. Umas apontam que Tomás Correia terá de sair, ou nem sequer chegará a tomar posse como presidente da Mutualista. Outras garantem que, dado o prazo de 12 anos que a Mutualista tem para se adaptar ao novo Código das Associações Mutualistas, Tomás Correia ganhou tempo e vai continuar no cargo. Até porque ainda falta ser criada uma comissão de acompanhamento da transição para as novas regras das mutualistas. Mas há um ponto em que juristas estão de acordo: a permanência de Tomás Correia na presidência da Mutualista tem estado dependente de decisões políticas e de supervisores. Mesmo o governo, que passou, sob pressão, a supervisão financeira da Mutualista para a ASF enquanto decorriam as eleições, não se livra de responsabilidades na Mutualista, já que tem tido a tutela da instituição e do setor. “O futuro desta administração eleita está nas mãos da ASF “, disse António Godinho, que ficou a seis pontos percentuais de Tomás Correia nas eleições, em declarações ao Dinheiro Vivo. “Mas os associados podem mobilizar-se e fazer algo mais”, adiantou. Tanto Godinho, que liderou a lista C, como Fernando Ribeiro Mendes, que comandou a lista B, têm afirmado que não irão ficar de braços cruzados após o fim das eleições. Mas Ribeiro Mendes lamenta que a passagem da supervisão financeira da Mutualista para a ASF só agora tenha ocorrido. “Devia ter acontecido antes de começarem as eleições”, afirmou, aos jornalistas, antes de votar na passada sexta-feira.

Vitória da abstenção
A lista A, de Tomás Correia, acabou por vencer as eleições com 42,4% dos votos. A lista C, de António Godinho, arrecadou 35,6% dos votos e a B, de Fernando Ribeiro Mendes, obteve 20,1% dos votos. Houve 1,2% de votos brancos e 0,7% de votos nulos. Votaram 47 mil associados dos cerca de 480 mil que podiam exercer o voto, um dos maiores níveis de abstenção de sempre em eleições da Associação. Também o mediatismo em torno das eleições, foi histórico, devido às muitas polémicas em que Tomás Correia está envolvido e a acusações de práticas irregulares ou duvidosas no processo eleitoral.

Entre os associados que votaram presencialmente, e que falaram ao Dinheiro Vivo, o sentimento é unânime: independentemente do resultado das eleições, querem mudanças na Mutualista. Para que seja afastado o clima de desconfiança que tem rodeado a Associação nos últimos anos. Entre as mudanças que pedem está a redução “dos salários principescos muito adequados à banca mas desajustados para uma instituição de cariz social e mutualista”, como referiu um dos associados apoiantes de Tomás Correia. “Há que retomar a ligação aos valores do mutualismo”, disse Catarina Real, que é associada “desde pequenina”. E pede “serenidade” em torno da instituição. Para David Ferreira, que votou em Tomás Correia, o importante é que haja estabilidade.

O processo eleitoral deixou feridas e uma divisão entre os associados votantes. Pela primeira vez, as duas listas opositoras a Tomás Correia superaram em percentagem de votos a lista do incumbente. Se António Godinho e Fernando Ribeiro Mendes se tivessem unido nas eleições, Tomás Correia não voltaria a presidente da Mutualista. Agora, a sua tomada de posse e continuidade não está nas mãos dos associados mas na de José Almaça, presidente da ASF, para quem se viram todos os holofotes e expectativas em relação ao futuro da Mutualista, da sua Caixa Económica Montepio Geral e dos ativos que tem e que se aproximam dos 4.000 milhões de euros. O banco terá Carlos Tavares como presidente executivo mas precisa ainda de um chairman – que será escolhido por Tomás Correia e pela sua administração. A Mutualista precisa dar a volta aos resultados, que, antes de impostos, superaram as duas centenas de milhões de euros de prejuízos em 2017, e que estão com suportados artificialmente em créditos fiscais. As eleições acabaram. Mas incerteza vai continuar a assombrar a Associação.

 

 

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