Energia

Galp quer ser mais verde e cria nova Fábrica de Inovação

Jorge Fernandes é o novo diretor de inovação da Galp, depois de ter trabalhado 20 anos fora de Portugal. 
FOTO: GALP
Jorge Fernandes é o novo diretor de inovação da Galp, depois de ter trabalhado 20 anos fora de Portugal. FOTO: GALP

Para as energias renováveis e novos negócios, a Galp prevê alocar 10% a 15% de um investimento de 1,2 mil milhões por ano até 2022.

Quando em Barcelona, num recente fórum sobre inovação, perguntaram a Susana Quintana-Plaza o que significa inovar na Galp, a chief operating officer da petrolífera portuguesa não hesitou na resposta: “Podem rir-se, mas o meu trabalho número um é trazer energias renováveis para a Galp, dos atuais 8 MW para 10 GW. Para uma empresa de petróleo e gás, isto é algo de outro planeta. É disruptivo e inovador.”

Prova de que a inovação se tornou um assunto muito sério para a Galp, no contexto da transição energética em curso, é o facto de o CEO, Carlos Gomes da Silva, ter conseguido convencer o experiente gestor Jorge Fernandes a regressar a Portugal para se tornar o novo diretor de inovação da petrolífera, depois de 20 anos a trabalhar no estrangeiro, em empresas multinacionais como a Kraft Foods, Nestlé, DSM ou Clariant.

Já instalado nas Torres de Lisboa, na capital, Jorge Fernandes tem agora o rumo bem traçado para 2020: criar uma novíssima Fábrica de Inovação com a marca Galp, capaz de desenvolver novas ideias de negócio criadas em Portugal e exportá-las para todas as geografias onde a petrolífera marca presença.

“Esta fábrica será uma plataforma física, com equipas nossas, que estarão a olhar para o mundo, mas que será também uma porta de entrada de novas ideias e tecnologias através de startups, de parceiros de negócio. Terá uma lógica muito híbrida. A sede será em Lisboa, mas com ligação a ecossistemas de inovação em diferentes geografias, como Espanha ou Brasil, entre outras. Vão desenvolver desde novas aplicações móveis a processos físicos e químicos de transformação de resíduos em combustíveis menos poluentes. Vão também estudar o hidrogénio para a mobilidade e para a descarbonização da indústria.”

A criação de uma nova Fábrica de Inovação casa na perfeição com a atualização do plano estratégico da Galp, apresentado recentemente e de acordo com o qual mais de 40% do investimento de longo prazo estará relacionado com a transição energética: maior presença do gás natural no mix de produção e desenvolvimento do negócio de geração de eletricidade através de fontes renováveis.

Para as renováveis e novos negócios, a Galp prevê alocar entre 10% e 15% de um investimento total que poderá chegar a 1,2 mil milhões por ano até 2022. “Mostra bem o compromisso firme da Galp e dos acionistas” com os novos modelos de negócio e as novas soluções tecnológicas para colocar a empresa no caminho (sem retorno) da transição energética.

Depois de já ter chefiado a comitiva da Galp na edição de 2019 da Web Summit, onde a petrolífera esteve presente em busca de “startups interessantes” e “oportunidades de negócio muito específicas”, reunindo com várias empresas internacionais, para o próximo dia 17 de dezembro Jorge Fernandes tem já agendado um evento de matchmaking com startups e PME validadas pela Comissão Europeia através da atribuição de fundos europeus.

“Daí vai sair uma lista de empresas com as quais vamos conversar sobre oportunidade e desafios, para ver se há um entendimento comum e se as soluções desenvolvidas por elas nos são úteis para resolver desafios internos ou oportunidades de negócio conjuntas”, disse Jorge Fernandes em entrevista ao Dinheiro Vivo, confirmando que “as startups e as scaleups são uma ótima fonte de inovação e de novas tecnologias”. E assim a Galp “consegue ir mais rápido porque não tem de ter as competências todas”, garante.

Jorge Fernandes não tem dúvidas: a inovação é hoje um dos pilares estratégico para a Galp. “Queremos contribuir para a transição energética e para novas soluções de mobilidade. Queremos descarbonizar o setor petrolífero. Pode passar pela revalorização de resíduos para a produção de combustíveis, investir em startups, como aconteceu com a Flow. Criar uma cultura interna de inovação transversal a toda a organização e participar no ecossistema externo de inovação”, diz o novo diretor de Inovação, que sonha com a “refinaria do futuro. Temos de olhar para alternativas em que podemos revalorizar resíduos ou biomassa, e produzir combustíveis de valor acrescentado. Em Portugal temos 2,8 milhões de toneladas de resíduos que vão parar a aterros e que têm valor que pode ser reprocessado para produtos comercializáveis. Estamos a estudar soluções”.

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