Galp. "Vamos encontrar soluções para cada caso dos 401 trabalhadores da refinaria"

José Carlos Silva, administrador executivo da petrolífera, afirmou perante a Comissão Parlamentar de Ambiente que os funcionários da empresa "são a nossa principal preocupação"

A administração da Galp garante que irá "encontrar soluções para cada um dos 401 trabalhadores envolvidos" no encerramento da refinaria de Matosinhos, prometendo que todos serão "ouvidos e tratados com respeito e dignidade". José Carlos Silva, Chief Executive Officer da Galp Energia, foi esta quarta-feira ouvido na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, a requerimento do grupo parlamentar do PS, na qual sublinhou que as pessoas "são a nossa principal preocupação".

Concluída a caracterização do universo dos colaboradores, no âmbito de um "estudo exaustivo" que "está em curso" para encontrar "as melhores soluções" para os trabalhadores afetados pelo fecho da refinaria, este responsável diz que "há vários caminhos possíveis", designadamente ao nível da mobilidade interna, da requalificação de competência ou dos quadros de reforma ou pré-reforma. Há ainda cerca de 60 funcionários afetos à atividade logística que deverão manter-se, dado que o espaço da refinaria irá se transformado num parque logístico para abastecimento à região.

No imediato, a administração da Galp decidiu já "orientar os processos de contratação" na empresa de modo a "desenvolver oportunidades de integração" de funcionários da refinação noutras funções dentro do grupo. O que significa "direcionar parte substancial das novas vagas deste ano" no grupo Galp para os colaboradores envolvidos no encerramento da refinaria de Matosinhos.

"Há vários caminhos possíveis, mas independentemente daqueles que forem seguidos, gostaria de deixar bem claro que a primeira responsabilidade em relação a estes colaboradores cabe à Galp. Cada caso é um caso e as pessoas serão ouvidas e todas serão tratadas com o respeito e a dignidade que se exige", sublinhou. Os contactos com os colaboradores arrancam "já nos próximos dias".

Sobre as razões para o encerramento da refinaria, o Chief Executive Officer (COO) da Galp Energia fala numa decisão "complexa e difícil", tomada após um "longo processo de maturação" e cujas razões se prendem com o contexto macroeconómico adverso, resultante da transição energética, das alterações nos padrões de consumo e de mobilidade, mas também da concorrência internacional.

Uma decisão tomada na reunião do conselho de administração da Galp a 18 de dezembro e comunicada ao Governo, num quadro de "respeito institucional", no mesmo dia. Aos trabalhadores, a informação foi prestada numa reunião com a Comissão de Trabalhadores no dia 21, o primeiro dia útil seguinte, o mesmo dia em que a empresa comunicou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários a sua decisão. Seguiu-se, nova reunião com os trabalhadores, a 29 de dezembro, explicou José Carlos Silva.

Sabendo-se que a decisão da Galp foi por concentrar em Sines toda a atividade de refinação do grupo, os deputados insistiram particularmente nos efeitos desta decisão a nível ambiental. O COO da Galp foi perentório: " Em termos de impacto direto nas emissões, dizer que o descomissionamento da refinaria de Matosinhos permitirá uma efetiva redução de 900 mil toneladas de emissões de CO2 por ano. Isto é factual". Acrescentou, ainda, que estas 900 mil toneladas - que contemplam já a instalação e funcionamento do parque logístico em Matosinhos - são o equivalente a 5% das emissões de produção de energia em Portugal.

Sobre possíveis impactos junto dos clientes, a Galp diz-se "empenhada em garantir a continuidade de fornecimento de combustíveis" na região. "É uma clara posição que estaremos presentes no mercado, sublinha. E mesmo o 'pipeline" que liga a refinaria ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro será mantido. "Não há nenhuma disrupção a esse respeito", frisou.

Quanto a projetos para a reconversão da refinaria de Matosinhos, José Carlos Silva garante que há várias possibilidade em estudo e avaliação, mas nada está ainda definido. Questionado especificamente sobre o interesse em instalar uma refinaria de lítio no espaço da Petrogal, atendendo ao recente anúncio da compra de 10% do projeto de exploração de lítio nas Covas do Barroso, este responsável foi perentório: "Neste momento não temos qualquer projeto concreto para além do parque logístico. Estamos a desenvolver estudos enquadrados no ãmbito da transição energética e sustentabilidade ambiental. Estamos a avaliar oportunidades, onde se incluem a cadeia de valor das baterias, mas também do hidrogénio verde, um tema central e importante no âmbito da transição energética".

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