Greve dos motoristas

Gasolineiras prioritárias com quebras de receitas entre 90% e 100%

Lisboa, 12/08/2019 - Bomba REPA (Rede Emergência de Postos de Abastecimento ) Galp Birre, esta manhã durante o Primeiro dia de Greve dos Motoristas de Transporte de Matérias Perigosas.
Os representantes dos Motoristas pretendem um acordo para aumentos graduais do salário base até 2022.
( Pedro Rocha / Global Imagens )
Lisboa, 12/08/2019 - Bomba REPA (Rede Emergência de Postos de Abastecimento ) Galp Birre, esta manhã durante o Primeiro dia de Greve dos Motoristas de Transporte de Matérias Perigosas. Os representantes dos Motoristas pretendem um acordo para aumentos graduais do salário base até 2022. ( Pedro Rocha / Global Imagens )

Sozinhos na luta, os motoristas baixaram a guarda e aceitaram o “convite” do governo para negociar. Se os patrões se juntarem, a greve será suspensa. No terreno, as gasolineiras somam prejuízos.

Ao fim de cinco dias intensos de paralisação por parte dos motoristas de matérias perigosas, a semana terminou com a promessa de uma suspensão temporária da greve até ao final do plenário do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias (SNMMP), que terá lugar amanhã.

Isolado na greve, depois de o Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM) ter abandonado o protesto, Francisco São Bento, presidente do SNMMP, começou por dizer que a luta estava para durar – “um mês, seis meses, um ano” – e que os camionistas se manteriam em luta, “duros como aço”.

Mas com o avançar do dia o discurso mudou. Em comunicado, o sindicato admitiu estarem “criadas as condições necessárias para todas as partes se sentarem à mesa” e surpreendeu ao anunciar “a suspensão temporária da greve” assim que os patrões da ANTRAM se juntarem às negociações.

Com vários cenários ainda em aberto à hora de fecho desta edição, nem o governo nem os patrões querem fazer contas ao impacto financeiro que esta segunda greve dos motoristas está a provocar nos cofres públicos, nas contas das empresas e nas carteiras dos portugueses.

Fonte do setor confirmou ao Dinheiro Vivo que os principais prejuízos atingem, neste momento, as bombas escolhidas para integrar a rede de emergência de postos de combustíveis (REPA) para veículos prioritários. As queixas existem e estão a subir de tom por parte dos revendedores de combustíveis, cujos preços não vão variar muito na próxima semana: o gasóleo sobe um cêntimo, enquanto a gasolina não mexe.

Com estes valores, e em apenas quatro dias da semana passada, já há gasolineiras que reportam quebras entre os 90% e os 100% nos litros vendidos, no número de abastecimentos e nas receitas de caixa.

“Face à média diária do mês de julho, e tendo em conta que agosto é por norma o melhor mês do ano, há associados que passaram de vendas de 11 mil litros por dia no mês passado para 800 litros durante a greve. Outros dizem-nos: temos 50 mil litros nos tanques e só vendemos 300 litros, porque recusamos milhares de abastecimentos diariamente”, contou ao Dinheiro Vivo Francisco Albuquerque, presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustível (Anarec), pedindo ao ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes, para acabar com a REPA exclusiva.

Além de só poderem vender combustível aos veículos prioritários e outros equiparados, diz o responsável da Anarec, estes postos têm de estar abertos 24 horas por dia, o que significa “uma perda de receitas e um aumento dos custos”.

Ontem, Matos Fernandes anunciou a redução do número de postos exclusivos para veículos prioritários para metade – de 52 para 26 – e garantiu que os “stocks continuam a subir, com as cargas de combustíveis superiores aos abastecimentos. Hoje estamos melhor no abastecimento de combustível do que nos dias anteriores”.

Os revendedores de combustíveis acusam o ministro de ter desvalorizado as suas queixas e alertam para uma “situação dramática”. “A lei prevê uma compensação e estas empresas vão ter de ser compensadas pelo governo”, diz Francisco Albuquerque. Questionada, fonte oficial do ministério não quis fazer comentários.

A meio da semana, Matos Fernandes disse não perceber “qual é o prejuízo que poderão ter. Se estão a comparar com o dia 15 de agosto do ano passado, em que não havia greve, eventualmente estarão a vender menos combustível”, admitiu. A ANAREC acusa “as entidades prioritárias de abastecer as viaturas em postos fora da REPA”.

Na frente de batalha, a reunião entre o SNMMP e o governo decorreu ontem à tarde no Ministério das Infraestruturas e Habitação, sob a batuta do ministro Pedro Nuno Santos, que “convidou” os motoristas para negociar, apesar do processo de mediação ter caído por terra na véspera. “Vamos ver se há condições para as negociações e só depois a greve será suspensa”, avisou Francisco São Bento à entrada para a reunião, com o polémico porta-voz, Pedro Pardal Henriques, presente mas remetido para segundo plano.

“É altura de tréguas”, pediam os motoristas em Aveiras de Cima em reação à reunião do sindicato com o governo e a uma possível suspensão da greve. A fechar o dia, e a semana, o primeiro-ministro, António Costa, disse que “é tempo de o sindicato dos motoristas acabar com a greve. O desejo que todos temos é de que este esforço final possa abrir portas ao diálogo. E que o fim de semana e a nova quinzena de agosto cheguem sem mais preocupações”.

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