Gaspar sai do governo preocupado com exceções na reforma do Estado

O triângulo do Governo foi desfeito
O triângulo do Governo foi desfeito

As exceções abertas pelo Governo na reforma do Estado e a perda de credibilidade junto à troika foram os últimos argumento para a saída de Vítor Gaspar. No final da última semana, o ex-ministro das Finanças esteve reunido com FMI, Comissão e BCE e ouviu as dúvidas colocadas pelos três quanto à capacidade do Governo concretizar os cortes previstos despesa.

A troika, adiantava a TSF no fim de semana, viu com maus olhos o recuo do Executivo perante os professores e teme que sejam abertas novas exceções depois do Governo se ter comprometido a cortar 4,7 mil milhões na despesa até 2015.

Depois de cinco dias de trabalho em Lisboa, a missão técnica da troika alertou o ministro para os riscos políticos e constitucionais das medidas previstas, sobretudo depois do CDS ter obrigado Gaspar a suspender a taxa de sustentabilidade sobre as pensões e de vários constitucionalistas preverem um novo chumbo do Constitucional aos cortes na Função Pública.

Na carta enviada ao primeiro-ministro, Vítor Gaspar lembra o “pesado fardo” sobre Passos Coelho e garante que os “riscos e desafios dos próximos tempos são enormes”. Num recado a Portas, o ex-ministro garante ainda que é sua “firme convicção” que a sua saída “contribuirá para reforçar a sua liderança [de Passos Coelho] e a coesão da equipa governativa”.

O maior “risco” é sem dúvida um novo chumbo – seria o terceiro – do Tribunal Constitucional às medidas previstas para a reforma do Estado, nomeadamente a convergência retroativa das pensões. Apesar de Passos acreditar que o único caminho é o da consolidação interna – já o repetiu por várias vezes -, cumprindo as metas acordadas com a troika, um travão do Constitucional à reforma do Estado seria mortal para o défice combinado pelo Governo para 2013 e 2014.

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