Gaspar também disse “sim” a taxa sobre depósitos no Chipre

Vítor Gaspar
Vítor Gaspar

Em Bruxelas impera o silêncio sobre o plano de resgate ao Chipre decido “por unanimidade”, pelos ministros das Finanças da zona euro, na madrugada de sábado, quando o Eurogrupo apoiou o plano cipriota para “mobilizar recursos internos, para limitar a dimensão da ajuda financeira”, entre eles a aplicação de uma taxa sobre os depósitos. E, no executivo comunitário não há quem queira acrescentar “comentários políticos” à decisão dos ministros das Finanças.

“Nesta fase não estamos a acrescentar comentários políticos” à decisão apoiada “por unanimidade” pelos ministros das finanças, no Eurogrupo, “incluindo pelo Chipre”, declarou o porta-voz da Comissão Europeia, Simon O”Connor, que deixou igualmente todas as questões dos jornalistas por responder.

“A decisão do Eurogrupo foi adotada por unanimidade, por todos os Estados-membros da zona euro, incluindo o Chipre, tendo em conta a situação específica no país”, afirmou.

“Comissão não faz comentários adicionais nesta fase, além de dizer que apoiamos plenamente os esforços do presidente Anastasiades e a população, com o objetivo de trazer estabilidade financeira e para um caminho de crescimento estável e sustentável”, acrescentou o porta-voz, sem nunca manifestar apoio à decisão do Eurogrupo.

Na Alemanha, Wolfgang Schaeuble assegurou que “a taxa para os depósitos inferiores a 100.000 euros não foi uma invenção de Berlim”, deixando entender que a proposta poderia ter partido do BCE. No entanto, confrontado com estas afirmações, Jörg Asmussen garantiu que “não foi o BCE a empurrar para a medida especial adotada”, explicando que se tratou “do resultado das negociações em Bruxelas”.

“Sim, nós fornecemos apoio técnico, como sempre, mas não forçámos essa medida especial”, acrescentou o membro da comissão executiva do BCE.

BCE garante que não há risco de contágio a Portugal

Em Portugal “não há risco” de serem aplicadas taxas aos depósitos bancários, porque o país “não sofre dos mesmos problemas do sector financeiro cipriota”, assegurou fonte do Banco Central Europeu, pedindo anonimato.

O membro da Comissão Executiva do BCE, Jörg Asmussen já tinha deixado claro que os depositantes portugueses, tal como “os depositantes de qualquer país sobre programa não correm risco. Porque, num país sob programa as necessidades de financiamento estão completamente cobertas sobre o programa”.

Fonte Banco Central Europeu garantiu ao Dinheiro Vivo que em Portugal não podem ser aplicadas taxas aos depósitos bancários porque o país “não sofre dos mesmos problemas do sector financeiro cipriota”, não sendo possível fazer “comparações diretas”.

Durante o último mês, a União Europeia intensificou as suas “preocupações” com a possibilidade do sistema financeiro cipriota estar a ser utilizado para a lavagem de dinheiro. Em fevereiro, os ministros das Finanças da zona euro encomendaram às autoridades de Chipre a realização de uma “avaliação conduzida por uma empresa privada” para afastar tais dúvidas, de modo a poderem adotar uma decisão, em março.

A agenda da União Europeia já previa, desde aquela altura, a possibilidade da aplicação de cortes aos depósitos bancários e este era um tema discutido por responsáveis do Eurogrupo. Mas, no Chipre pensava-se que seria uma forma de “pressionar as autoridades” a avançarem com um programa de privatizações e com mexidas no imposto que é aplicado às empresas, apurou o Dinheiro Vivo.

Ao nível da UE, desde o pedido de resgate, dirigido à Comissão Europeia em junho, pelas autoridades cipriotas, que havia “uma certa relutância” em entregar dinheiro dos contribuintes europeus ao Chipre, por “não se saber bem que destino lhe seria dado”, avançaram fontes europeias.

*Em Bruxelas

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