Coronavírus

Gastos com jogos online duplicam em Portugal. Viagens e restaurantes em queda

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Os pagamentos à Steam Games e à Playstation cresceram 241% e 136%, a que se junta o aumento de 73% de compras à Nintendo, diz a Revolut

Confinados em casa, os portugueses estão a gastar menos em restauração, mas mais em plataformas de gaming e de videojogos, bem como nas subscrições de serviços de streaming. Os dados são da Revolut, a fintech britânica que conta já com mais de 400 mil utilizadores em Portugal, e que comparou as opções de compra em março com as realizadas no mês anterior.

Steam Games, PlayStation e Nintendo foram as três marcas que registaram maior subida no número de transações feitas, com variações que vão os 73% no caso da Nintendo aos 241% mais da Steam. Os gastos com a PlayStation cresceram 136%. Mais moderados foram os crescimentos das compras à Apple e Google, que aumentaram 15 e 11%, respetivamente, enquanto as subscrições da Netflix foram 9% superiores a fevereiro.

Março marca, também, uma mudança nos hábitos de consumo dos bens alimentares, o que não admira já que o Estado de Emergência foi decretado a 18 de março, na sequência da pandemia de covid-19, e está em vigor desde as 0h00 do dia 22 de março. E os dados da Revolut mostram que, durante o mês passado, os portugueses reduziram em cerca de 30% o número de transações em supers e hipermercados, mas aumentaram em 35% os gastos. Este crescimento foi, ainda, mais significativo – 44%, na semana de 10 a 18 de março, que antecedeu o encerramento das escolas no país.

“Os portugueses terão assim privilegiado a realização das suas compras de mercearia na semana que antecedeu a declaração de novas medidas limitativas da liberdade no país”, conclui a Revolut em comunicado.

O que não invalida que haja um acréscimo de procura nos serviços de entregas como UberEats ou Glovo. A UberEats registou um aumento de 22% no número e de 30% no valor dos pedidos, comparativamente a fevereiro, e a Glovo, que permite a entrega de múltiplos produtos, registou um crescimento de 27% no número de transações e 51% no volume transacionado.

Do lado das perdas, a restauração é, sem surpresas, o sector que “mais sofreu com o impacto do novo coronavírus”, diz a Revolut, que conclui que houve uma quebra de 50% no volume de pagamentos com os seus cartões em março comparativamente a fevereiro. Os gastos com viagens aéreas, que haviam registado um pico com as férias do Carnaval, caíram 49%, enquanto a procura por plataformas de transportes ligeiros de passageiros caiu 39%. Em causa estão perdas de 56% em volume e 48% em valor da Uber, de 59% e 55%, respetivamente, da Bolt e de 61% em número e de 57% em valor da Kapten.

A análise aos pagamentos com cartões Revolut permitiu, ainda, perceber que as compras pagas em terminais físicos caíram 12% em março, o que coincide com a redução das deslocações dos portugueses ao exterior, e ao facto de grande parte do retalho se encontrar encerrado, com exceção dos supermercados, farmácias e outros serviços essenciais. Mas os portugueses estão, também, a gastar menos em geral nas suas compras online, o que poderá indiciar que “os receios face ao futuro e potencial impacto na economia nacional também estão a deixar os consumidores mais conservadores”, diz a Revolut: o volume transacionado em plataformas de e-commerce caiu 2% em março.

A Revolut conta com mais de 10 milhões de clientes em todo o mundos, dos quais mais de 400 mil em Portugal. Está já presente em países como a Austrália e Singapura, e entrou, recentemente, no mercado norte-americano.

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