Gentiloni. Retoma congelou com "novas medidas em Lisboa, infeções e quebras no turismo"

Comissário da Economia revelou que retoma deste ano ficou na mesma (3,9%) porque antes de fecharem as previsões "observávamos um aumento das infeções, quebras no turismo e medidas restritivas na região de Lisboa no final do mês passado".

A previsão de crescimento de Portugal este ano ficou em 3,9%, segundo a Comissão Europeia (CE), o mesmo nível de há três meses. Todos os país melhoraram as suas perspetivas menos Portugal e Finlândia.

No caso de Portugal, explicou esta quarta-feira o comissário europeu da Economia, a previsão ficou estagnada por causa das medidas de confinamento impostas na área da Grande Lisboa, das novas infeções e da quebra que se começou a sentir no turismo já durante o mês de junho.

Na conferência de imprensa sobre as novas previsões do verão, Paolo Gentiloni clarificou que a manutenção da previsão de crescimento nos 3,9% avançados em maio "não está está ligada ao ritmo da vacinação" ou ao facto de a economia portuguesa ter aberto as portas cedo demais, ainda antes da quarta vaga da pandemia.

"Penso que a projeção foi mantida nos 3,9% sobretudo porque antes da data de corte para a recolha de indicadores [cut off date, dia 26 de junho de 2021, neste caso] observávamos já algum aumento das infeções e quebras no turismo", explicou o comissário de origem italiana.

O responsável da CE recordou ainda que foram tomadas "medidas na região de Lisboa no final do mês passado" por causa desse aumento de infeções, o que terá tido um impacto negativo na avaliação e nas contas da Comissão Europeia.

Banco de Portugal "é mais otimista" porque não foi a tempo da quarta vaga

Gentiloni constatou ainda que a previsão do Banco de Portugal (4,8%) "é mais otimista" do que a de Bruxelas. Em meados de junho, o banco central governado por Mário Centeno apontou para um crescimento possível na ordem de 4,8% este ano.

Note-se que segundo o BdP, "a data de fecho para os dados das projeções macroeconómicas, elaboradas no contexto do exercício do Eurossistema de junho de 2021, foi 21 de maio".

Ou seja, os 4,8% ainda não refletiam a rápida degradação da situação pandémica que aconteceu depois, em junho, nem a aplicação de medidas mais restritivas à Grande Lisboa e aos 45 concelhos que já caíram na lista vermelha por terem níveis de contágio e de infeção muito acima dos limites de segurança.

Nesse sentido, o comissário europeu reiterou que "a nossa previsão tem em conta a evolução da situação nas últimas semanas em Portugal" e recordou que o país "está mais ligado ao turismo internacional do que outros", o que agravou o problema em junho, à medida que foi imposto um semi cofinamento.

No entanto, diz Gentiloni, "confio que o certificado verde [certificado sanitário digital da UE] vai ajudar" o turismo, "sobretudo os países mais ligados ao turismo internacional, como Portugal".

Ainda assim, este turismo estrangeiro "vai levar mais tempo a recuperar." Algumas das regiões mais expostas a esse risco são "algumas áreas de Itália, Grécia e Portugal", avisou o economista italiano.

(atualizado às 15h com mais declarações de Gentiloni)

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