vinho do Porto

“Governo acatará” o que a Assembleia da República decidir sobre a Casa do Douro

O secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, na tomada de posse dos novos órgãos sociais da Associação de Empresas de Vinho do Porto (AEVP). Fotografia: José Coelho / Lusa
O secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, na tomada de posse dos novos órgãos sociais da Associação de Empresas de Vinho do Porto (AEVP). Fotografia: José Coelho / Lusa

O secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Vieira, disse esta sexta-feira que “o Governo acatará” o que a Assembleia da República decidir sobre a Casa do Douro, que preocupa as empresas de vinho do Porto.

“A iniciativa legislativa pertence à Assembleia da República”, declarou à agência Lusa o secretário de Estado, à margem da cerimónia em que foram empossados os corpos sociais da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) para o triénio 2019-2021.

“Ela não se identifica nem com a região nem com os viticultores”, acusou o presidente reeleito da AEVP, António Saraiva.

Segundo Luís Vieira, “neste momento, há algumas propostas de lei que irão ser debatidas na Assembleia da República sobre a Casa do Douro e o Governo acatará a resolução” que daí emanará.

“O Governo tem ideias próprias sobre o Douro e o nosso objetivo, e penso que dos legisladores, é que haja estabilidade na região”, acrescentou, frisando ser “necessário que se possa continuar a apostar na qualidade e na imagem” dos vinhos locais.

Luís Vieira acrescentou que, pelo que conhece dos projetos sobre a Casa do Douro, “é possível encontrar fórmulas para dar estabilidade à Região Demarcada do Douro, que só tem a ganhar com isso”.

“Através do diálogo entre todos, é possível sempre chegar aos melhores resultados”, completou, lembrando que as exportações de vinho atingiram 803 milhões de euros em 2018 e que “o objetivo para 2022 é chegar aos 1.000 milhões”.

As empresas desconfiam do que pode vir aí e António Saraiva, disse-o perante Luís Vieira, salientando que a “proposta parlamentar de novos estatutos para a Casa do Douro preocupa enormemente” os associados pela sua possível politização.

Notícias recentes indicam que o PS, CDU e Bloco de Esquerda acordaram apresentar um projeto de lei visando recuperar a Casa do Douro enquanto entidade pública de inscrição obrigatória dos viticultores durienses e direção eleita por estes.

“Ela não identifica nem com a região nem com os viticultores. Ela identifica problemas políticos, resolvidos unicamente a pensar em soluções, vantagens e receitas políticas”, considerou António Saraiva.

António Saraiva prevê e receia que “a estabilidade conseguida nestes últimos anos termine, politizando-se de novo a região e estabelecendo-se um clima de desconfiança institucional que não é de todo desejável”.

“Nunca poderemos aceitar que a Região Demarcada do Douro seja uma moeda de troca de um qualquer acordo político, que nada terá a ver coma nossa região”, advertiu António Saraiva.

A Casa do Douro, criada em 1932 e com sede na Régua, viveu durante anos asfixiada em problemas financeiros.

A natureza pública da instituição foi extinta em dezembro de 2014, durante o Governo PSD/CDS-PP, sendo posteriormente aberto um concurso para a gestão privada da instituição, que foi ganho pela Federação Renovação do Douro.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: João Manuel Ribeiro/Global Imagens

Número de desempregados é o mais baixo dos últimos 28 anos

Fotografia: João Manuel Ribeiro/Global Imagens

Número de desempregados é o mais baixo dos últimos 28 anos

O antigo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos ouvido na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco. Assembleia da República, Lisboa, 19 de junho de 2019. MIGUEL A. LOPES/LUSA

As razões de Teixeira dos Santos – e aquilo que nunca soube

Outros conteúdos GMG
“Governo acatará” o que a Assembleia da República decidir sobre a Casa do Douro