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Governo acompanha insolvência da empresa de trabalho portuário de Lisboa

Contentores no Porto de Lisboa. 
(Gerardo Santos / Global Imagens)
Contentores no Porto de Lisboa. (Gerardo Santos / Global Imagens)

Empresa controlada pela Yilport, ETE e Terminal Multiusos do Beato decidiu ontem avançar para a insolvência.

O ministro das Infraestruturas garantiu esta sexta-feira que o Governo está a acompanhar “com preocupação” a insolvência da Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), que cede mão-de-obra às empresas de estiva do Porto de Lisboa.

“A única coisa que posso dizer neste momento é que nós estamos a acompanhar a situação obviamente com preocupação e queremos acompanhar as reivindicações dos trabalhadores. Percebermos as empresas também, porque temos sempre aqui dois lados, mas obviamente estamos preocupados com quem trabalha no porto e estamos, sobretudo, preocupados com as consequências [de paragens]”, disse o ministro, ressalvando não querer fazer mais comentários que ponham “em risco” o trabalho que o Governo está a fazer quanto à situação no Porto de Lisboa.

Pedro Nuno Santos falava aos jornalistas à margem do almoço/debate do International Club of Portugal, sobre “Os Desafios da Ferrovia: Infraestrutura, Serviços e Indústria”, em Lisboa.

“Antecipámos já os riscos para o país para a região de Lisboa e, sobretudo, para o Porto de Lisboa, que tem sido fustigado com greves que têm consequências, não só no curto prazo, mas a longo prazo para a própria sobrevivência do Porto Lisboa, mas, obviamente também estamos preocupados com as reivindicações dos trabalhadores do Porto de Lisboa”, acrescentou.

A Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), empresa de cedência de mão-de-obra às sete empresas de estiva do Porto de Lisboa, anunciou na quinta-feira que vai pedir a insolvência devido à situação financeira em que se encontra.

“A A-ETPL, reunida em assembleia geral, decidiu pedir a insolvência da associação, face à situação financeira em que esta se encontra, e face à impossibilidade de encontrar soluções para a sua viabilização com o sindicato representante dos trabalhadores”, refere um comunicado enviado à Lusa.

A insolvência foi anunciada um dia depois dos estivadores do Porto de Lisboa terem iniciado uma greve de três semanas em protesto contra os salários em atraso e incumprimento dos acordos celebrados por parte da A-ETPL.

Contactada pela agência Lusa, fonte do Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística (SEAL) escusou-se a fazer comentários sobre a decisão da A-ETPL, remetendo uma tomada de posição para depois de um plenário dos estivadores do Porto de Lisboa, que está ainda a decorrer.

Os primeiros dois dias da greve convocada pelo SEAL no Porto de Lisboa, que prevê a recusa dos estivadores ao trabalho para três empresas do grupo turco Yilport – Liscont, Sotagus e Multiterminal – e para uma quarta empresa, TMB (Terminal Multiusos do Beato), registaram uma adesão de 100 por cento.

A A-ETPL, empresa de trabalho portuário que garante a disponibilização de mão-de-obra aos diferentes operadores do Porto de Lisboa e que tem vindo a pagar os salários aos estivadores às prestações desde há cerca de um ano e meio, reuniu-se na terça-feira com a direção do SEAL numa derradeira tentativa para evitar a greve.

Na reunião, a A-ETPL alegou que a situação financeira da empresa era extremamente difícil e limitou-se a reafirmar as propostas que já tinha apresentado anteriormente com vista a uma redução de salários dos estivadores, a par da intenção de passar mais de três dezenas de trabalhadores efetivos a trabalhadores eventuais, propostas que não foram aceites pelo sindicato.

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