precariedade

Governo acusado de cumplicidade na precariedade em ‘call centers’

trabalho call center

Arménio Carlos acusou o Governo de "cumplicidade" com multinacionais e grandes empresas para a manutenção de trabalhadores com contratos precários.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou esta quinta-feira o Governo de “cumplicidade” com multinacionais e grandes empresas para a manutenção de trabalhadores com contratos precários a prestarem um serviço permanente em centros de atendimento telefónico.

“Há uma cumplicidade com as multinacionais e também com as grandes empresas para a manutenção de situações de precariedade” nos ‘call centers’, que estão associadas “ao modelo de baixos salários e trabalho precário”, afirmou o líder da central sindical.

Arménio Carlos falava à agência Lusa no final de um plenário de trabalhadores do ‘call center’ de Évora da companhia de seguros Fidelidade, que decorreu no auditório do Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), na cidade alentejana.

Segundo o líder da CGTP, “grande parte das empresas, nomeadamente multinacionais e também grandes empresas portuguesas, recorre aos ‘call centers’ para prestar um serviço que é deles, embora seja assumido por uma empresa de trabalho temporário”.

O dirigente sindical referiu que, neste caso concreto, os trabalhadores “são a voz” da Fidelidade na relação com os seus clientes e na contratação de serviços, mas notou que, no final do mês, são “de uma empresa de trabalho temporário”.

“Um serviço permanente de uma empresa como a Fidelidade deve ser prestado pelos trabalhadores que devem integrar esta empresa e não um serviço permanente a ser prestado por uma empresa de trabalho temporário”, assinalou.

Arménio Carlos considerou que a atual situação “subverte a lei e os princípios”, realçando que “apenas e só se justifica” para a Fidelidade por ter “trabalhadores com piores salários, menos direitos e, em contrapartida, vê aumentar os seus lucros”.

“Não foi por acaso que nós, já várias vezes, fizemos um apelo ao Governo e às confederações patronais para visitarem este ‘call center’ em Évora e outros por esse país fora. Só não vieram aqui e a outros lados porque não quiseram e, se não quiseram, foi porque sabem que temos razão”, disse.

Também em declarações à Lusa, Vera Prata, delegada sindical, indicou que os cerca de 100 trabalhadores que participaram no plenário decidiram convocar um dia de greve para uma data ainda a determinar.

“Foi decidido que iríamos continuar a lutar para conseguir entrar em negociações com a empresa”, frisou, adiantando que os trabalhadores reivindicam “aumentos salariais de 45 euros mensais, contrato coletivo de trabalho, 10 euros de subsídio de alimentação e integração nos quadros Fidelidade”.

No dia 28 de maio, quando os trabalhadores cumpriam um dia de greve, Miguel Vilaça, da Fidelidade, explicou aos jornalistas que a companhia de seguros “subcontrata alguns serviços que são especialistas” por entender que consegue “servir melhor” os seus clientes.

“Temos um cuidado rigoroso neste contrato que fazemos com a obrigação escrupulosa de cumprir todas obrigações legais que as empresas prestadoras de serviços têm com os colaboradores e, até à data, as indicações que temos é que estão a ser cumpridas”, realçou, na altura, o responsável.

O Centro de Atendimento de Évora da Fidelidade tem cerca de 650 trabalhadores.

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