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Governo aposta na metalomecânica, cerâmica e cortiça

Fotografia: António Pedro Santos / Global Imagens
Fotografia: António Pedro Santos / Global Imagens

O Governo vai apostar no setor da construção para promover a utilização de matérias primas nacionais e a reutilização de recursos.

O Governo vai apostar no setor da construção, principalmente nas áreas de metalomecânica, cerâmica e cortiça, para promover a utilização de matérias primas nacionais e a reutilização de recursos, disse hoje o ministro do Ambiente.

“Mais importante que ter uma grande estratégia para a economia circular, devemos ter um plano de ação que integre um conjunto de setores da indústria portuguesa que já têm alguma tradição neste domínio”, referiu João Matos Fernandes.

“Apostamos no setor da construção e, dentro deste, num conjunto de subsetores – a metalomecânica, a cerâmica e a cortiça”, especificou.

O ministro do Ambiente falava à agência Lusa no final da cerimónia de apresentação do Relatório Estado do Ambiente (REA) 2016, referente a dados de 2015, e do portal do Estado do Ambiente, instrumento que pretende ajudar cidadãos e decisores a compreender dos desafios ambientais, através da consulta e análise de informação atualizada.

O governante recordou que o Ministério do Ambiente tem uma estratégia “muito clara” para a sustentabilidade, com destaque para a economia circular, que se baseia na reciclagem e reutilização de matérias-primas, nomeadamente a partir de materiais usados, e está agora a trabalhar nos instrumentos que lhe dão substância.

Se sobre as alterações climáticas, “existe já uma consciência generalizada sobre a importância de agir para garantir uma redução grande dos gases com efeito de estufa, no que respeita à passagem da economia linear para a economia circular a perceção que temos é que a consciência não é tão generalizada”, defendeu o ministro.

E justifica esta posição com o facto de que, nos anos de crise, se ter consumido menos mas não se ter abandonado o padrão de consumo da economia linear.

Os setores da metalomecânica e da cortiça utilizam na quase totalidade matérias-primas portuguesas e “porque temos mesmo de reduzir o uso de recursos, temos de fazer um esforço muito grande junto dos setores onde esses ganhos podem ser mais evidentes e que podemos deles fazer exemplo para a sociedade e a economia”.

Por outro lado, “é fundamental consciencializar os consumidores para que vivemos a crédito de recursos e esta situação tem de ser invertida o mais depressa possível”, salientou João Matos Fernandes.

Entre as empresas, trata-se de reduzir em muito a utilização de matérias-primas primárias e de apostar na reutilização de materiais.

Junto dos consumidores o objetivo é sobretudo valorizar os produtos que resultam do reaproveitamento de matérias-primas e que utilizam cada vez menos fontes primárias de matéria-prima.

O REA 2016 divide-se nas áreas de Economia e Ambiente, Energia e Clima, Transportes, Ar, Água, Solo e Biodiversidade, Resíduos e Riscos Ambientais.

Entre os dados do REA está a taxa de 51,7% de produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, conseguida em 2015, sendo os transportes um dos setores com maior consumo energético, com 36,5% do consumo da energia primária.

Os transportes foram também uma das principais fontes de emissões de gases com efeito de estufa, com 23% do total, em 2014, segundo os dados do relatório, recolhidos pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Quanto à qualidade do ar, a classe predominante do índice nos últimos anos tem sido “Bom”, tendência que se manteve em 2015, havendo um ligeiro aumento dos dias com qualidade “Muito Bom”, de 10% em 2014 para 10,3 % em 2015, embora se tenha verificado no mesmo período uma subida do número de dias com “Fraco” e “Mau”, de 2,2% para 2,7%.

 

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