Função Pública

Governo Costa enfrenta primeira greve geral da função pública

Num ano de forte contestação social, a CGTP marcou o arranque das manifestações no dia 11 de Fevereiro, no Terreiro do Paço. Em 2012, Arménio Carlos substituiu o histórico Carvalho da Silva

Trabalhadores reclamam aumentos salariais e melhores condições de trabalho.. Sindicatos estimam adesão generalizada nos vários sectores.

Pela primeira vez desde que o atual governo assumiu funções, os sindicatos da função pública afetos à CGTP e UGT uniram esforços e cumprem esta sexta-feira um dia de greve. Os serviços de Saúde, Educação e recolha de resíduos deverão ser dos mais afetados, mas a expectativa dos dirigentes sindicais é de que se registe uma adesão generalizada nos vários sectores. Motivo? Os trabalhadores estão “muito dececionados” com o que lhes promete o próximo Orçamento do Estado.

A falta de resposta do governo sobre aumentos salariais foi a ‘gota de agua’ que acabou por juntar nesta greve a Frente Comum, Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap) e Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE). Desde março de 2015, quando Passos Coelho era primeiro-ministro, que tal não acontecia.

As motivações para a luta eram então bem diferentes: na altura o que se exigia era o fim da requalificação e do horário das 40 horas. Agora o principal motivo é a atualização salarial, com os sindicatos a recusarem um aumento residual para todos ou um valor mais elevado para os que ganham menos. A greve acontece antes da reunião pedida pelos sindicatos ao abrigo da negociação suplementar, que terá necessariamente de acontecer até 2 de novembro.

“As pessoas estão muito indignadas. Tinham expectativas, estavam à espera que este Orçamento do Estado as tivesse em linha de conta”, afirma Ana Avoila, da Frente Comum. Na origem desta indignação, refere a sindicalista ao Dinheiro Vivo, está a ausência de aumentos salariais e a degradação de condições de trabalho. Mas não só. Ana Avoila refere também o “balde de água fria” que foi a nova proposta do governo para as reformas antecipadas. “Tinham muita expectativa de se reformarem com menos cortes e agora percebem que não vai ser assim” e “os telefones do sindicatos” não pararam de tocar desde que começou a perceber-se o que está previsto para as reformas antecipadas.

O conteúdo destes telefonemas permite à coordenadora da Frente Comum esperar que este seja “um grande dia de luta”.

O secretário-geral da Fesap, José Abraão, assinala que a ausência de uma proposta consistente para aumentos fez os funcionários públicos ficarem zangados e a querer mostrar o que sentem. Ao fim de quase uma década de congelamento de salários, “a reposição de alguns direitos não chega”. “As pessoas estão descontentes e exigem do governo uma posição diferente”, diz, precisando que esta greve é para pressionar a negociação. “Não fazemos greve pela greve, mas para negociar e obter resultados”.

O STE acredita que o eco do descontentamento que vai chegando ao sindicato faz antecipar que esta seja uma jornada de luta com adesão significativa. “Temos dado o benefício da dúvida a este governo”, precisa Helena Rodrigues, lembrando que desta vez os trabalhadores sentiram que é necessário ir para a greve para “o governo perceber que isto não pode continuar” ou seja que a redução do défice não pode continuar a assentar essencialmente nos mesmos: os funcionários públicos.

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