Governo desmente sondagem a peritos para reestruturar dívida portuguesa

Passos Coelho falou na Suécia
Passos Coelho falou na Suécia

A história foi publicada logo de manhã pela agência Reuters: Portugal teria contactado informalmente vários especialistas sobre a possibilidade de avançar com uma reestruturação da dívida, seguindo o exemplo da Grécia. A sondagem tinha sido feita através de “contatos muito discretos”, avançava a agência, e acompanhava as negociações dos investidores privados com Atenas, que devem ser concluídas esta semana.

Confrontado pelo Dinheiro Vivo com a notícia, fonte oficial do gabinete de Pedro Passos Coelho desmente qualquer contacto do Governo, formal ou informal, com os peritos apontados pela Reuters, negando que a discussão sobre uma eventual reestruturação esteja em cima da mesa.

Segundo a agência, algumas das empresas consultadas aconselharam o Governo português a seguir um caminho semelhante ao da reestruturação da divida grega detida por credores privados, para persuadir os detentores de acções a aceitar uma reestruturação voluntária das suas acções, se o acordo helénico chegar a bom porto nas próximas seis semanas.

“Se houver sucesso no acordo com os privados na Grécia, então pode abrir os olhos de alguns governos”, disse um conselheiro sobre dívida soberana envolvido nestas conversações preliminares. “Iria demonstrar que afinal de contas a redução de dívida é possível e não é o fim do mundo. Pode criar um precedente interessante”.

As empresas consultadas e que são apologistas de uma reestruturação da dívida portuguesa apelam que seja tomada uma decisão rapidamente. A procrastinação tornou a experiência grega em algo mais doloroso do que o necessário.

“A lição a retirar da Grécia é que se conseguir mais dinheiro dos credores oficiais e deixar o sector financeiro escapar, com pelo menos 40 mil milhões de euros em pagamentos de obrigações (feitos pelo sector oficial aos investidores), significa que existem menos opções de reestruturação”, disse Mitu Gulati, professor da Universidade de Duke, especialista em reestruturações soberanas.

As preocupações sobre a incapacidade de Portugal regressar aos mercados em 2014 aumentaram e um segundo resgate do FMI, BCE e Comissão Europeia pode ser negociado. Em Junho de 2014, expira a maturidade de 11 anos no valor de seis mil milhões de euros, com juros de 20% actualmente.

Outros países na Europa periférica viram os seus juros a descer desde a mini-bazuca do BCE em Dezembro, mas os juros portugueses continuam a níveis elevados no mercado secundário, mesmo depois da chanceler alemã, Angela Merkel, avisar que a reestruturação da dívida detida por privados só se vai aplicar à Grécia. Durante os próximos dois anos, Portugal tem duas maturidades de longo prazo a expirar no valor de 18,9 mil milhões de euros.

Contundo, o conselheiro disse que, como a Grécia, o país tem de emitir uma série de obrigações a curto prazo.Por exemplo, este ano vão maturar obrigações de três anos no valor de 16,4 mil milhões de euros. “É errado pensar que Portugal está fora dos mercados até 2013. Tem de estar no mercado regularmente através da emissão de dívida a curto prazo e isto está a prejudicar o país”, considera o conselheiro.

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