Governo preocupado com impacto das sanções ao Irão nas empresas portuguesas

Ministério dos Negócios Estrangeiros diz que sanções unilaterais são “uma má notícia” e garante que acompanha “atentamente a situação”.

As sanções unilaterais dos EUA ao Irão estão a enervar a Comissão Europeia e a causar apreensão nas empresas portuguesas. O governo também se mostra preocupado, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) a admitir preocupação com os impacto que a decisão de Donald Trump pode vir a ter num dos destinos das exportações que tem ganho relevância.

“A reintrodução, pelos EUA, de sanções unilaterais, na sequência da denúncia unilateral do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) por Washington, é certamente uma má notícia”, indica fonte oficial do MNE ao Dinheiro Vivo. Numa “economia altamente globalizada e interligada como aquela em que vivemos, é difícil antever de forma precisa o alcance das mesmas para as empresas portuguesas”.

Veículos e maquinaria têm sido dos bens que as empresas portuguesas mais têm exportado para o Irão. O volume das vendas num dos maiores mercados do Médio Oriente acelerou após o levantamento das sanções tanto dos EUA como da União Europeia em 2016. Agora Trump decidiu reintroduzir essas penalizações. Algumas arrancaram já esta semana e abarcam produtos que ajudaram as empresas portuguesas a crescer.

“Incidindo as sanções norte-americanas grosso modo sobre alguns dos setores onde as exportações nacionais para o Irão têm vindo a crescer nos últimos anos, seria otimismo excessivo acreditar que as mesmas não afetarão as relações comerciais entre os dois países”, refere o ministério liderado por Augusto Santos Silva.

Resposta à ameaça

A grande apreensão do governo português é com o impacto das sanções financeiras. “Preocupa-nos em particular a reintrodução de sanções direcionadas aos fluxos financeiros de, e para, o Irão, pelas dificuldades adicionais que colocarão no acesso a divisas ou na obtenção de garantias para exportação para aquele mercado”, indica o MNE que garante que o governo “está a acompanhar atentamente a situação”.´

A administração americana foi perentória, ameaçando que quem fizesse negócio com o Irão incorreria no risco de ser barrado da maior economia do mundo. O governo diz que “será difícil antecipar de que forma as empresas com interesses no mercado dos EUA - ou com financiamentos obtidos junto da banca norte-americana ­- reagirão aos riscos associados ao restabelecimento das sanções”.

Multinacionais europeias como a Daimler, a PSA, a Renault e a Total já indicaram que vão refrear a atividade no Irão para não desagradar a Washington. Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Empresarial de Portugal, tinha já referido ao Dinheiro Vivo que “há empresas europeias no Irão que podem também ser potenciais clientes de empresas portuguesas e que vão reduzir investimento, o que resultaria numa descida das encomendas. Vemos com alguma preocupação que isso possa acontecer”.

Governo admite maior risco para empresas no Irão

Para responder às sanções de Trump, a Comissão Europeia respondeu também esta semana com a ativação do estatuto de bloqueio. “Contribuirá certamente para restaurar alguma da confiança dos operadores europeus, colocando à disposição destes um conjunto de instrumentos legais para salvaguarda dos seus negócios no Irão”, defende o governo.

Mas apesar desse mecanismo, muitos observadores têm referido que essa medida é mais simbólica que eficaz. E o MNE admite também que “é inegável que o risco daquele mercado será, a partir de agora, mais elevado e que muitos operadores económicos procurarão, instintivamente, reorientar as suas exportações para destinos mais estáveis”.

Ainda assim, o governo rejeita o cenário de um retrocesso nas relações comerciais com o Irão. “Estão em curso vários processos de licenciamento da exportação de produtos de origem vegetal e animal para o mercado iraniano bem como a negociação de um Acordo de Proteção Recíproca de Investimento (APRI). Será por isso, a nosso ver, prematuro falar, para já, num “retrocesso” nas relações comerciais entre os dois países”, conclui o MNE.

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