Governo prepara levantamento de restrições por fases no início de maio

É terreno desconhecido e exemplos de outros países podem não servir de muito. Próximas duas semanas vão ser cruciais para definir calendário.

O governo está a preparar o levantamento faseado das medidas de restrição e a primeira etapa está prevista logo para o início de maio. Num primeiro momento, reabrir o pequeno comércio local “com uma monitorização atenta e ir avaliando a evolução da pandemia”, referiu fonte do executivo ao Dinheiro Vivo.

As próximas duas semanas - espera-se que as últimas em estado de emergência - vão ser cruciais para decidir o que fazer com as restrições que começaram a ser impostas a meio de março, atirando o país para dentro de portas e a economia para o charco.

Maio parece ser o mês do início do fim do “grande confinamento”, mas o calendário mais fechado só no final de abril, depois de uma avaliação dos próximos 15 dias, em que as medidas se vão manter nos moldes atuais, sem grandes alterações.

A ideia parece seguir as recomendações de Bruxelas que nesta semana sugeriu que “as medidas devem ser levantadas em diferentes etapas, decorrendo um lapso de tempo suficiente entre as mesmas (por exemplo, um mês) que permita avaliar o seu impacto”.

“Temos de ser prudentes e graduais”, alertou António Costa no debate de renovação do estado de emergência, mas deu exemplos por onde poderia começar “o alívio da compressão social que temos”, incluindo a possibilidade de retomar as aulas presenciais para os alunos do 11º e 12º anos.

“Temos de começar pelo pequeno comércio de bairro que junta menos gente, que exige menos tempo de deslocação, que melhor responde às necessidades imediatas dos cidadãos”, indicou. “Depois podemos avançar para as lojas de rua e depois havemos de chegar também às grandes superfícies”, incluindo “os barbeiros e cabeleireiros”, apontou o primeiro-ministro, sempre com uso de máscaras e luvas.

A decisão é entre travar o vírus e a tentação de evitar uma contração da economia maior do que aquela que as mais recentes projeções apontam. E todas são más.

Os países pioneiros

Áustria, Espanha, Itália e República Checa colocaram-se na linha da frente para aliviar algumas medidas.

Roma permitiu a abertura de livrarias, lavandarias, papelarias, lojas de roupa infantil em algumas regiões. Os trabalhadores florestais e do setor das tecnologias da informação podem regressar ao trabalho, mas com distanciamento social. O uso de máscara é obrigatório em todas as situações em que não está garantida a distância de dois metros.

Em Espanha, o alívio das restrições começou com a construção e a indústria. As máscaras são aconselhadas e o governo está a fazer distribuição das mesmas nas estações de transportes públicos.

São casos distintos da situação em Portugal, onde não foram impostas limitações à atividade na construção e indústria nem encerrados os quiosques de venda de jornais.

Na Áustria, as pequenas lojas reabriram no dia 14 e as restantes devem retomar a atividade no dia 1 de maio. Para meados de maio prevê-se a reabertura dos restaurantes e hotéis, dependendo da evolução da doença.

Ainda antes de Espanha e Itália, a República Checa começou a eliminar restrições. No dia 9 de abril, permitiu-se a reabertura de pequenas lojas e o mesmo deve acontecer com os mercados e lojas de artesanato na próxima segunda-feira. As lojas de maior dimensão deverão abrir uma semana depois. Para o dia 8 de junho tudo o resto: empresas, hotéis, restaurantes e bares.

A Alemanha optou por uma abordagem mais gradual, com a reabertura de lojas até 800 metros quadrados na próxima segunda-feira, mas sempre sob medidas muito apertadas de higiene e distanciamento.

Na Dinamarca as creches e escolas reabriram na quarta-feira. Seguem-se os restantes níveis de ensino no dia 10 de maio.

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