Agricultura

Governo prepara linha de apoio para agricultores afetados pelos fogos

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O Governo está a preparar linhas de apoio para os agricultores afetados pelos incêndios de domingo, anunciou o secretário de Estado da Agricultura

O Governo está a preparar linhas de apoio para os agricultores afetados pelos incêndios de domingo, anunciou o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, à margem da visita ao stand da Portugal Fresh, na Fruit Attraction, a segunda maior feira europeia de fruta e legumes a decorrer de 18 a 20 de outubro, em Madrid. O levantamento dos prejuízos está a ser feito para prestar apoio aos agricultores o “mais tardar em duas semanas”.

“Estamos a fazer o levantamento. Os prejuízos são elevados, mais nuns sectores do que noutros”, reconhece Luís Medeiros Vieira, sem adiantar valores. “Os prejuízos são elevados para o sector agrícola, principalmente na pecuária de pequenos e grandes ruminantes, mas também na avicultura”, admite.

Os apoios serão dirigidos sobretudo para “dar ajuda imediata para a alimentação animal, durante o período em que não é possível alimentar os animais nas zonas onde houve incêndios”, mas será ainda criada uma “linha de apoio ao investimento para repor o material produtivo”, explicou Luís Medeiros Vieira. Ou seja, para “equipamentos, alfaias agrícolas, armazéns e culturas permanentes”.

Com mais de quatro dezenas de empresas e associações empresariais portuguesas a marcar presença na Fruit Attraction, das quais mais de 30 através da Portugal Fresh, a edição deste ano da feira assinala a “maior presença de sempre de empresas nacionais”, com um aumento de 50% face ao ano passado, destaca o secretário de Estado. “Demonstra a dinâmica do sector” das frutas, legumes e flores que “tem reforçado o seu perfil exportador”. “Só nos primeiros oito meses as exportações cresceram 20%, com o subsetor das frutas a crescer 40%, os pequenos frutos 26% e os legumes mais de 15%”, destaca Luís Medeiros Vieira.

Um crescimento muito “por determinação dos empresários”, mas o secretário de Estado da Agricultura destacou ainda os apoios estatais canalizados para o sector agrícola e agroalimentar: 15 mil projetos foram aprovados, representando 2,3 mil milhões de euros de investimento, dos quais 1,1 milhões de apoio do PDR 2020. Deste montante, 3 mil projetos são do sector agrícola, que receberam 621 milhões, dos quais 236 milhões em apoios.

Novos mercados: México e China

Gonçalo Santos Andrade, presidente executivo da Portugal Fresh, que reúne empresas e associações setoriais do sector da fruta e legumes, apontava novos crescimentos na casa dos dois dígitos para este ano. “Esperamos atingir a barreira dos 1.500 milhões de euros de exportações do setor hortofrutícola nacional este ano, o que representa um crescimento de 14,5% em relação a 2016”.

Entrar em novos mercados é uma prioridade para o sector, frisou Gonçalo Santos Andrade. O México é um dos mercados mais recentes a abrir para pera rocha e a maçã. Falta fechar apenas alguns procedimentos formais com as autoridades deste mercado da América Latina, para a pera rocha e maça nacional poderem chegar a um mercado com 120 milhões de consumidores. “Já tivemos reuniões com o Walmart” (2600 lojas), assim como com “operadores do mercado abastecedor da Cidade do México, o maior do mundo e por onde passam cerca de 500 mil pessoas por dia”. Só a Cidade do México tem 22 milhões de habitantes.

“No México vamos tentar usar a Fresh Fusion para aproveitar o seu maior poder negocial”, adianta o responsável, ou seja, o mesmo agrupamento de 14 organizações de produtores, criado para exportar pera rocha para o Lidl na Alemanha, mercado que em dois anos (2014 para 2016) passou do nono para o quinto mercado mais relevante para as exportações nacionais, depois de Espanha, França, Reino Unido e Holanda. Só o ano passado a Fresh Fusion levou 6 mil toneladas de pera rocha.

A seguir ao México, mercado para o qual a Portugal Fresh considera que Portugal poderá vir a exportar 5 a 10 mil toneladas de pera rocha no prazo de um ano, “a aposta vai ser a China”. “O Governo tem estado já a trabalhar”, disse o responsável da Portugal Fresh.

O dossier China esta a ser trabalhado há oito anos. “Abrimos o mercado para a carne de porco. Levou quase uma década”, conta o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira. “Estamos a negociar há algum tempo, tal como estamos a negociar com a Coreia do Sul, para exportar fruta e legumes: pera rocha, maça e uva de mesa”, revela. “Estamos muito empenhados, sendo que o dossier que está mais avançado é o da uva de mesa”, diz, sem precisar uma data para a abertura deste mercado asiático a esta nova gama de produtos nacionais.

Em dois anos, lembra o secretário de Estado da Agricultura, abriram-se 36 mercados aos produtos agrícolas de origem animal e vegetal. Os mais recentes foram o Peru, Colômbia e México. Os Estados Unidos deverão ser o mercado que se segue para peras e maças, diz Luís Medeiros Vieira. “Este ano prevemos ter confirmada esta abertura”.

Em Madrid. A jornalista viajou a convite da Portugal Fresh

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