Comércio internacional

Governo promete “soluções criativas” para ajudar as empresas

Micam

Secretário de Estado da Economia visitou a Micam, a feira de calçado em Milão, que este ano sofre os efeitos do coronavírus; são esperados menos 20% de visitantes

O ano de 2019 foi difícil para os industriais de calçado, que perderam mais de 107 milhões em vendas ao exterior, mas os primeiros meses de 2020 parecem já trazer consigo ventos de mudança. Os empresários estão confiantes e transmitiram-no ao secretário de Estado da Economia que, neste domingo, visitou os expositores portugueses na Micam, a maior feira de calçado do mundo, em Milão. De João Neves receberam a promessa de que o Governo está disponível para “encontrar soluções criativas” que ajudem as empresas, do calçado, mas não só, a enfrentar os desafios. Tudo em nome de uma “economia mais forte”.

João Neves refere-se a soluções que poderão misturar “instrumentos de crédito com reforço dos capitais próprios”, mas, também, a instrumentos para combater as distorções ao comércio internacional. O que terá de ser conseguido no seio da União Europeia. E promete colocar o tema no centro da agenda da Presidência portuguesa da União Europeia, que acontece no primeiro semestre de 2021. O objetivo é implementar “mecanismos que sejam adaptados às mudanças que o mundo está a ter e que permitam que as regras de comércio estejam assentes naqueles valores que nós consideramos muito importantes para o mundo de hoje, como a sustentabilidade ou o respeito pelos direitos humanos”, salientou o secretário de Estado.

O debate terá de ser realizado ao nível comunitário, mas João Neves acredita que é possível chegar a bom porto. Sobretudo tendo em conta as mudanças na própria sociedade. “Hoje estamos numa fase diferente também no interior da UE e julgo que o debate sobre a transição energética e sobre a sustentabilidade vai conduzir também a alterações das regras de acesso ao mercado e das regras que valorizam o Made in Europe“, diz, sublinhando: “É uma discussão difícil, como todas, mas é uma discussão que está em marcha”.

Portugal quer ser um “parceiro ativo” nesta discussão e irá aproveitar a presidência da UE para “colocar no centro do debate da política industrial e da política comercial os elementos justos para um comércio também equilibrado”. E junto de países que têm uma indústria mais forte, como a França ou a Alemanha, e que “estão hoje com uma posição muito distinta sobre a articulação da política industrial com a comercial, o que é um sinal muito positivo”. E há, ainda, a Espanha e a Itália, produtores industriais por natureza e que estão de acordo com estas medidas.

O presidente da APICCAPS, a associação dos industriais de calçado, aplaude a intenção. As barreiras ao comércio livre preocupam Luís Onofre, que assumiu o tema como prioritário no seu mandato como presidente da Confederação Europeia do Calçado. “Na Europa entram muitos produtos que se calhar não são taxados como deviam, e quando queremos mandar os nossos produtos, nomeadamente sapatos, para a China ou para o Brasil, por exemplo, têm taxas alfandegárias brutais. Isso torna o comércio injusto e vou tentar lutar para que haja uma igualdade [efetiva] no comércio mundial”, reiterou hoje em declarações aos jornalistas.

  • * A jornalista viajou a Milão a convite da APICCAPS
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