Governo quer "desfecho satisfatório" para inferno na Arábia Saudita

O Governo "continua em permanente contacto" com a Arábia Saudita para procurar "um desfecho satisfatório" para os 80 portugueses.

O Governo português "continua em permanente contacto" com a Arábia Saudita para procurar "um desfecho satisfatório" para os 80 portugueses que estão naquele país sem receber salários há dez meses, disse à Lusa fonte governamental, em reação a uma notícia avançada pelo Dinheiro Vivo.

Os 80 trabalhadores portugueses da empresa Saudi Oger que estão na Arábia Saudita sem receber salários desde novembro do ano passado relatam estar "em desespero".

Conforme noticiou o Dinheiro Vivo no passado 13 de agosto, na sua edição impressa (todos os sábados com o DN e JN), cerca de 80 portugueses que trabalham na construtora saudita Saudi Oger estão há nove meses sem receber salários e subsídios de alojamento.

Sem dinheiro para comprar o bilhete de volta e, em muitos dos casos, com as autorizações de residência já expiradas, estão presos num país dependente de uma matéria-prima que, em dois anos, perdeu mais de metade do seu valor. Uns vivem em apartamentos partilhados, outros em campos de trabalho “onde falta tudo”.

Nessa altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros disse ao Dinheiro Vivo que têm sido feitos “numerosos e firmes contactos políticos, quer junto do Ministério do Trabalho, quer junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino da Arábia Saudita, instando para que seja pago o que é devido aos portugueses que trabalham na referida empresa”. Leia aqui a reportagem na íntegra: O inferno de 80 portugueses na Arábia Saudita.

Alguns desses portugueses, que pediram para não serem identificados, descreveram estarem numa "situação muitíssimo complicada, sem dinheiro, sem seguros de saúde ou assistência médica e sem condições de alojamento".

Da parte da administração da empresa saudita -- que chegou a ter 30 mil funcionários -- nunca tiveram uma palavra e dizem que a embaixada portuguesa em Riade tem "boa vontade, mas pouco pode fazer".

Os portugueses estão, ao mesmo tempo, impossibilitados de sair do país, porque têm as autorizações de residência caducadas, "uma vez que não foram renovadas devido ao colapso da empresa", disseram.

Por outro lado, receiam sair da Arábia Saudita por acreditarem que, caso o façam, "muito dificilmente receberão os salários e outros créditos a que têm direito, como 10 meses de salários, subsídios de férias, alojamento e alimentação ou bilhetes de viagem".

"Estivemos aqui estes meses, com temperaturas de quase 50 graus. É complicado deixarmos aqui o dinheiro", disse um deles, recordando também que as respetivas famílias estão, em Portugal, "a viver muito precariamente".

Cerca de 70% dos portugueses pertenciam aos quadros da empresa saudita.

Os trabalhadores descreveram que havia 261 franceses também com salários em atraso, mas na semana passada a sua situação foi desbloqueada.

Em julho, numa resposta a uma pergunta do PCP sobre este caso, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros afirmou que Portugal estava a "coordenar a sua ação" com o seu congénere francês, "tendo em conta os trabalhadores franceses da mesma empresa, em número muito superior aos portugueses, em iguais dificuldades". Uma posição que deixou os portugueses "com esperança" na resolução do problema, mas agora sentem que ficaram "de fora".

Questionada pela Lusa, fonte oficial do ministério chefiado por Augusto Santos Silva garantiu hoje que o executivo português "continua em permanente contacto com o Governo saudita, trabalhando em prol de um desfecho satisfatório para os cidadãos portugueses assalariados da Saudi Oger".

A embaixada portuguesa em Riade "tem prestado todo o apoio possível a estes cidadãos", acrescentou a mesma fonte, que se escusou a detalhar quais as diligências políticas e diplomáticas em curso para não "prejudicar a sua eficácia".

Na resposta dada no início do verão, o Ministério dos Negócios Estrangeiros indicara que a embaixada portuguesa estava a ajudar, "na medida do possível, os trabalhadores portugueses, tanto quanto às condições locais quanto às dificuldades em que se encontram algumas das suas famílias em Portugal", nomeadamente emitindo declarações para justificar, junto dos bancos, o incumprimento de prestações de empréstimos à habitação.

Por outro lado, a Segurança Social portuguesa estava a prestar apoio às famílias que o solicitassem "por estarem em situação de vulnerabilidade".

 

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