Governo quer fazer testes em massa a trabalhadores temporários na Grande Lisboa

António Costa atribui focos da Grande Lisboa, com maioria de novas infeções, à relação de trabalho e condições das habitações dos trabalhadores.

As autoridades de saúde vão nos próximo dias iniciar a testagem em massa de trabalhadores de empresas de trabalho temporário na região da Grande Lisboa, aquela que concentra a grande maioria de novos casos de covid-19, muitos deles detetados em zonas de logística como Azambuja e em alguns bairros da capital.

A informação foi avançada esta sexta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, após reunião do Conselho de Ministros num dia em que Portugal somou 350 novos casos de contágio pelo novo coronavírus, a quase totalidade na região de Lisboa e Vale do Tejo.

“Vamos fazer esse trabalho com todos aqueles que são contratados via empresas de trabalho temporário ao longo dos próximos dias para haver um teste intensivo. Tanto mais que são pessoas que rodam muitas vezes entre diferentes empresas e, portanto, estão mais sujeitos ao risco de contaminação e também eles próprios constituem um maior risco de contaminação de terceiros”, anunciou o primeiro-ministro.

Segundo António Costa, será possível mobilizar uma capacidade de sete mil testes diários na zona da Grande Lisboa, podendo ainda ser chamadas outras regiões para o esforço. “Vamos mobilizar os recursos necessários para fazer um grande foco de testagem”, assegurou.

O líder do governo recusou associar o processo de desconfinamento ao grande aumento de casos na região, aludindo indiretamente aos casos detetados na Sonae MC de Azambuja, com pelo menos 175 infetados entre um grupo de mais de 800 trabalhadores que laboram neste armazém do grupo na plataforma. No total, a Sonae tem três mil trabalhadores na Azambuja, não estando ainda todos a ser testados.

“Os supermercados estiveram sempre a funcionar e por trás deles estiveram sempre as plataformas logísticas que permitiram abastecê-los. Não foram atividades novas que reabriram neste período de desconfinamento. Foram atividades que estiveram encerradas”, argumentou.

Segundo o primeiro-ministro, todas as infeções detetadas dirão respeito a trabalhadores temporários. “Como verificámos, creio que posso dizer, todos estavam ao serviço de empresas de trabalho temporário”.

Segundo o primeiro-ministro, a Direção Geral de Saúde ainda estará a investigar as cadeias de transmissão na origem dos diferentes focos de Lisboa e Vale do Tejo. “Até agora, o que têm dito é que não tem a ver com problemas no local do trabalho mas fora do local de trabalho”, disse.

Na zona industrial de Azambuja, um primeiro foco inicial do surto teve origem numa unidade de abate de aves, a empresa Avipronto, com mais de 120 infetados. Seguiu-se logo a seguir a Sonae MC, onde 11 casos numa primeira semana evoluíram para os pelo menos 175 casos conhecidos até aqui.

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) tem vindo a apelar a que todos os trabalhadores desta zona logística sejam testados e pretende ainda expor à Direção Geral de Saúde a possibilidade de ser investigado o efeito das zonas de frio dos armazéns na propagação da doença.

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