Governo quer manter apoios às empresas para evitar mais miséria e desemprego

Ministro Adjunto e da Economia diz que já foram mobilizados quase 20 mil milhões de euros de apoio à economia, sob diversas formas

O ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, afirmou, esta quarta-feira, que pretende manter os apoios às empresas para evitar que se “precipite mais miséria, mais insolvências e mais desemprego”, após a visita à empresa MatCerâmica, na Batalha.

“Neste momento já mobilizámos quase 20 mil milhões de euros de apoio à economia sob diversas formas e vamos continuar a disponibilizar apoios, seja com mobilização de fundos europeus seja com o aumento da despesa pública, seja com o apoio ao investimento público. Nesta altura, a economia precisa de estímulos. Quando a procura se contraiu nos mercados internacionais e no mercado interno, é preciso sermos capazes de ajudar esta procura a recompor-se, para que as empresas e os trabalhadores possam manter um nível de ocupação. Não será aquele que tivemos no ano passado, mas que não seja tão baixo que precipite mais miséria, mais insolvências e mais desemprego”, sublinhou Pedro Siza Vieira.

O Governo anunciou esta terça-feira o apoio de mil milhões de euros para micro e pequenas empresas. O ministro lembra que a reação nesta crise é diferente da anterior: “não houve uma retração do crédito”.

“Pelo contrário, estamos a fazer todos os esforços para que a liquidez continue a chegar às empresas. Fizemos um esforço muito grande para aliviar as empresas com os compromissos que têm com os bancos, através da moratória bancária, e é preciso continuar a apoiar o esforço de vendas com o reforço dos seguros de crédito à exportação. Com este tipo de enquadramento, o esforço dos empresários pode conhecer melhores resultados”, constatou o governante.

Pedro Siza Vieira prefere não fazer antevisões como as que foram anunciadas por Bruxelas, que apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá recuar 9,8% em 2020. “Não sou economista nem ministro das Finanças, não tenho de fazer previsões. Tenho de ajudar a criar as condições para que as empresas possam responder o melhor possível a todas as circunstâncias do mercado”, afirmou.

“Olhando para as projeções, aquilo que vemos é que a Comissão Europeia estima que o pior momento do ano tenha sido o segundo trimestre”, acrescentou o ministro.

“E já estima um crescimento neste terceiro trimestre com alguma importância e com uma continuação do nosso crescimento nos meses seguintes. Vamos esperar que a situação pandémica a nível mundial evolua positivamente. Vamos continuar a apoiar as nossas empresas, vamos ver o exemplo de empresários que vão à luta e que se apoiam no esforço dos seus trabalhadores, e tentar fazer com que a retoma seja segura e certa”, referiu ainda.

A visita à MatCerâmica, em São Mamede, concelho da Batalha, no distrito de Leiria, serviu para “ouvir como é que passaram os momentos mais difíceis do confinamento e como se está agora a comportar um mercado, que ainda é incerto, mas que, apesar de tudo, está a reagir bastante bem”.

“Percebemos que a produção está sólida e que as perspetivas neste momento são positivas. Com alguma insegurança sobre os meses que se seguem, mas com a sensação de que o pior já passou. uma empresa, como outras do distrito, que investiram no passado, não só na melhoria dos processos produtivos, mas na marca, na inovação, no ‘design’, estão melhor preparadas para responder à retoma do mercado”, admitiu.

O director-geral da MatCerâmica, Marcelo Sousa, aproveitou a visita de Pedro Siza Vieira para contribuir com sugestões para novas medidas.

“A intenção é sermos úteis, para que a retoma seja o mais acelerada possível”, referiu o empresário, que entende que “é bom saber que alguns pontos já estão em agenda”, nomeadamente a questão do seguro de crédito.

“Somos uma empresa exportadora e há um conforto se tivemos ao nível dos seguros de crédito outro tipo de apoios, não só dos créditos das vendas, como o risco de fabrico, o cancelamento de encomendas, cujo momento é muito propício a isso, e que deixa muitas vezes as empresas sem o mínimo de segurança”, disse o diretor-geral.

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