Governo vai contrair 4500 a 5750 milhões em nova dívida até setembro

Portas, Passos e Albuquerque
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O Estado português quer pedir emprestado nos mercados financeiros através da emissão de bilhetes e obrigações do Tesouro entre 4500 e 5750 milhões de euros até ao final de setembro, indicou hoje o IGCP. Será uma das derradeiras decisões de João Moreira Rato, que vai sair do instituto para o cargo de administrador financeiro do BES.

Em comunicado, o presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública dá detalhes sobre as “linhas de atuação para o terceiro trimestre” deste ano.

“O IGCP prevê a realização de um a dois leilões de OT [obrigações, dívida de médio a longo prazo] no trimestre, sendo esperadas colocações de 750 a 1000 milhões de euros por leilão.”

“Os leilões de OT terão a participação dos Operadores Especializados de Valores do Tesouro (OEVT) e Operadores de Mercado Primário (OMP) e poderão ser realizados à 2ª ou 4ª quartas-feiras de cada mês após anúncio do montante indicativo e linhas de OT a reabrir até três dias úteis antes da respetiva data de leilão.”

O IGCP diz que “continuará a explorar a oportunidade para a realização de uma emissão via sindicato se as condições de mercado e procura por títulos de dívida pública portuguesa o permitirem.”

Fará ainda três leilões de seis BT (bilhetes), que são empréstimos de curto prazo, num valor que pode ir de 1000 a 1250 milhões por leilão. O primeiro será já a 16 de julho, o seguinte a 20 de agosto e o terceiro a 17 de setembro.

O stock de dívida pública bruta total portuguesa ascende já a 226 mil milhões de euros (135,8% do PIB), segundo dados de abril do Banco de Portugal.

Se a dívida de curto prazo não agrava esta indicador – ela é flutuante, amortizada até final do ano – já a dívida de longo prazo poderia agravar o endividamento. Em todo o caso, o Tesouro está a contrair estes empréstimos para pagar outros mais antigos.

Em meados de junho, amortizou 4376 milhões de euros de uma OT emitida em 2003 (Governo Durão Barroso, PSD) e a 15 de outubro pagará mais 5144 milhões de uma OT herdada do Governo de José Sócrates (PS).

Estes pagamentos ajudarão a conter o reforço do endividamento hoje anunciado.

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