Coronavírus

Governo vê economia a crescer 4,3% em 2021 e desemprego nos 8,7%

O primeiro ministro, António Costa, fala aos jornalistas durante a conferência de imprensa realizada no final da reunião do Conselho de Ministros, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, 04 de junho de 2020. MANUEL DE ALMEIDA / POOL/LUSA
O primeiro ministro, António Costa, fala aos jornalistas durante a conferência de imprensa realizada no final da reunião do Conselho de Ministros, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, 04 de junho de 2020. MANUEL DE ALMEIDA / POOL/LUSA

Governo publicou cenário macroeconómico para 2020 e 2021. Exportações afundam mais de 15% este ano e investimento mais de 12%.

O Governo prevê uma recuperação da economia no próximo ano de 4,3% depois de uma queda histórica de 6,9% no conjunto deste ano. A previsão consta da resolução do Conselho de Ministros que aprovou o Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) publicada este sábado em Diário da República.

“Para 2020, perspetiva-se uma forte contração da economia portuguesa em resultado do choque económico provocado pela pandemia da doença covid-19 e das medidas de contenção implementadas”, refere o diploma, acrescentando que se prevê “uma queda abrupta na taxa de variação real do PIB para 6,9 %, a maior contração que há registo nas últimas décadas”.

Para 2021, o Governo espera então uma recuperação da economia de 4,3%, indica a resolução aprovada no Conselho de Ministros de quinta-feira, dia 05 de junho. “Para 2021, projeta -se uma recuperação significativa do crescimento do PIB (+4,3 %), por via de um aumento da procura externa e de um maior dinamismo na procura interna, refletindo -se num contributo positivo do consumo privado e investimento”, lê-se do diploma.

O Executivo acredita que a a “atividade económica deverá recuperar para os níveis registados antes da pandemia, com a exceção de alguns setores da economia, como o turismo, para os quais a recuperação se antecipa mais lenta”.

O Executivo antecipa que “o impacto [da pandemia] ocorra principalmente no segundo trimestre do ano, após a quebra de 2,3 % registada no 1º trimestre de 2020”, com “reflexo mais significativo no 2º trimestre do ano”.

cenario macro

Fonte: Resolução do Conselho de Ministros

 

Lay-off trava aumento do desemprego
Para este ano, o Governo aponta para uma taxa de desemprego de 9,6%, recuperando ligeiramente em 2021, fixando-se em 8,7%, ou seja, ainda acima da cifra registada antes da crise (6,5% em 2019).

E só não é pior por causa do lay-off simplificado, acredita o Executivo: “Em virtude do efeito das medidas de apoio ao emprego adotadas, estima -se que a redução no emprego seja significativamente inferior à redução do PIB, o que resulta numa diminuição da produtividade aparente do trabalho em 3,1%”, indica a Resolução do Conselho de Ministros.

“No mercado de trabalho, antecipa-se uma redução no emprego de 3,9 % em 2020, após registar-se um crescimento de 0,8 % no ano anterior”, apontam as previsões de Mário Centeno.

Exportações e investimento afundam
Têm sido o motor da economia, mas este ano serão um travão, muito graças a quebra do turismo. “Estima-se que a pandemia tenha um efeito negativo na procura externa relevante para as exportações portuguesas em 2020, prevendo-se uma redução de 15,4 % nas exportações, após registar -se um crescimento de 3,7 % em 2019”, apontam as previsões do Governo.

Um dos grandes responsáveis por esta derrapagem é o setor do turismo. “Parte deste efeito reflete uma redução nas exportações de serviços do setor do turismo, onde o impacto da pandemia se espera particularmente severo”.

As componentes da procura deverão ter todas um comportamento negativo para o PIB, “com a exceção do consumo público que deverá acelerar para 3,1 %, refletindo o impacto das políticas adotadas”, refere o documento.

“O investimento – Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – deverá recuar 12,2 %, após ter registado um crescimento de 6,6 % no ano anterior. Esta evolução é explicada por uma contração no investimento privado, que deverá ser parcialmente compensada por um aumento do investimento público”.

Já o consumo privado, que teve taxas de crescimento acima de 2% nos últimos seis anos, “deverá o deverá reduzir-se em 4,3 %, mais “acentuada na componente de bens duradouros, refletindo a diminuição esperada no rendimento disponível das famílias”, apontam as projeções.

“As importações de bens e serviços deverão cair 11,4 %, em linha com a evolução da procura global”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Paschal Donohoe

Sucessor de Centeno: Irlandês Donohoe surpreende e bate espanhola Calviño

O Ministro das Finanças, João Leão. EPA/MANUEL DE ALMEIDA

Défice de 2020 vai ser revisto para 7%. Agrava previsão em 0,7 pontos

Comissário Europeu Valdis Dombrovskis. Foto: STEPHANIE LECOCQ / POOL / AFP)

Bruxelas acredita que apoio a empresas saudáveis estará disponível já este ano

Governo vê economia a crescer 4,3% em 2021 e desemprego nos 8,7%