Governo vê PIB a crescer "13,3% ou mais" no segundo trimestre deste ano

O ministro da Economia diz que fim das moratórias "é a nova barca do inferno da economia portuguesa" da oposição.

O governo acredita que a economia teve, no segundo trimestre deste ano, um desempenho muito semelhante ao do verão do ano passado quando o produto interno bruto (PIB) registou uma recuperação de 13,3% em cadeia.

No encerramento do debate do Estado da Nação, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, lembrou que no ano passado, quando o país reabriu depois do confinamento da primavera, a atividade registou uma forte recuperação de 13,3% comparando com o segundo trimestre, quando o produto interno bruto afundou 14%.

Este foi um dos argumentos usados pelo governante para justificar os efeitos dos muitos milhões injetados na economia para fazer face aos impactos da pandemia de covid-19. "Os 5,4 mil milhões de euros de apoios a fundo perdido que dirigimos às empresas, as moratórias bancárias e as linhas de crédito lançadas conseguiram manter a capacidade produtiva e foi por isso que a cada quebra do produto quando cresciam as restrições, a economia reagia quando estas eram levantadas", sublinhou Siza Vieira.

"Foram 13,3% de crescimento económico (...). Outro tanto ou talvez mais no segundo trimestre deste ano", antecipou o ministro de Estado e da Economia. A estimativa rápida das contas nacionais trimestrais vai ser divulgada no dia 30 de julho.

As previsões agora apontadas pelo ministro estão em linha com os intervalos das estimativas mais recentes das universidades portuguesas, mas em termos homólogos e não em cadeia. O Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), por exemplo, aponta para um crescimento em termos homólogos que pode chegar aos 16%.

"Com os dados quantitativos incompletos disponíveis para o segundo trimestre de 2021, estima-se que o PIB trimestral tenha crescido entre 15% e 16% em relação ao trimestre homólogo de 2020", refere a síntese de conjuntura do ISEG. É preciso ter em linha de conta que há um efeito base muito marcado, devido à forte contração da atividade na primavera do ano passado.

Também a Católica aponta para uma forte recuperação entre abril e junho, a rondar os 15,5%, em termos homólogos. Já em cadeia deverá registar uma expansão na ordem dos 5%.

O governo mantém, para já, a previsão de 4% de crescimento económico para o conjunto do ano.

A "nova barca do inferno"

Na resposta aos partidos da oposição que questionaram o governo sobre o fim das moratórias a 30 de setembro, Pedro Siza Vieira procurou desvalorizar seguindo o discurso do primeiro-ministro durante o debate do Estado da Nação.

"A catástrofe estaria aí, na próxima oportunidade e hoje voltámos a ouvir isso. No outono o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não estaria preparado, nas novas restrições impostas ao longo deste ano e que encerraria definitivamente as empresas afetadas e agora com a retirada dos apoios públicos. Esses apoios que passaram de insuficientes para indispensáveis. Agora, o que anuncia o apocalipse é o chamado fim das moratórias", afirmou o ministro da Economia.

"A nova barca do inferno da economia portuguesa", assinalou Siza Vieira, referindo as críticas dos partidos da oposição, em concreto do PSD com o fim das moratórias.

O ministro da Economia reconheceu que não é possível "negar o impacto da pandemia", mas insistiu na promessa de manter os apoios se for necessário. "O governo foi sempre estendendo apoios à medida das circunstâncias e já garantiu que estas se manterão enquanto tal se mostrar necessário", sublinhou.

"Já renovámos os apoios às atividades que se encontram encerradas designadamente ao setor da animação noturna. Já desenhámos uma solução para apoiar as empresas dos setores mais afetados a enfrentar o fim das moratórias bancárias", exemplificou.

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