Emprego

Grande Porto com fortes expectativas de emprego para 2019

O setor das tecnologias de informação continua dinâmico. Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens
O setor das tecnologias de informação continua dinâmico. Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens

A criação de postos de trabalho vai manter-se em alta. Tecnologia e indústria são os setores mais dinâmicos

O Grande Porto tem assistido à chegada de um conjunto de empresas internacionais, que escolhem a região para instalar centros de serviços partilhados e hubs tecnológicos. São multinacionais como a Vestas, a Natixis, a Zumtobel ou a Klockner. Para 2019, está prevista a chegada de outras. A região apresenta-se como um cluster que disponibiliza talento, custos competitivos (mão-de-obra, imobiliário, redes de comunicação), boas infraestruturas, localização privilegiada e qualidade de vida. O recrutamento vai disparar nas áreas das tecnologias mas também na indústria e logística. A criação líquida de emprego deverá manter-se nos 14%.

“Estamos numa fase bastante dinâmica, com empresas a alargar a sua presença e projetos novos a entrar”, diz Joana Bacelar, diretora da Michael Page. Os dados da empresa de recrutamento apontam para que o arranque de 2019 tenha “um acréscimo de cerca de 40% no que respeita ao número de oportunidades face ao início de 2018”.

Esta tendência, justificada pela “localização estratégica e a mão-de-obra qualificada e competitiva”, está a ser alimentada por empresas europeias, que tinham a sua operação em países com custos mais avultados, e que começaram a deslocalizar faseadamente projetos-piloto.

“A região norte tem sido uma das principais dinamizadoras do mercado de trabalho” no país e “foi aí que os empregadores anteciparam uma projeção de criação líquida de emprego de mais 14%”, avança Vítor Antunes, diretor-geral da Manpower. O responsável reconhece que “esta zona do país é um destino cada vez mais apetecível para empresas estrangeiras que pretendam implementar centros de serviços partilhados e hubs tecnológicos” e, por isso, antevê a evolução na procura de perfis ligados às tecnologias de informação.

Cristiano Aron, diretor da consultora Robert Walters em Portugal, alerta que os developers em tecnologias de informação vão continuar a ser um foco de contratação e “2019 será o ano onde a lacuna de competências será particularmente visível”. Os salários nas profissões mais procuradas deverão ter “um leve aumento”, mas esse incremento só será realmente sentido por aqueles que mudem de empresa, diz, apontando para estes casos um crescimento de 15% no rendimento mensal.

Vânia Borges, responsável de recursos humanos da Adecco, perspetiva para 2019 “um crescimento de 8% do emprego na região norte”, impulsionado pelo setor industrial e pelos centros de serviços partilhados. Segundo adianta, é nas regiões de Aveiro, Valença, Viana e Cerveira que se tem sentido “maior crescimento de novas empresas internacionais”, principalmente nas áreas da indústria automóvel e serviços. Engenheiros, operadores fabris, técnicos de vendas e marketing, administrativos e profissionais das áreas digital e e-commerce estão com forte demanda na região.

A força da indústria
Também Vítor Antunes frisa que “há uma tendência por parte das empresas para escolher o Grande Porto para fixar serviços e a região norte para a indústria”, adiantando que são as grandes empresas do setor industrial e logístico que mais têm contribuído para a criação líquida de emprego. O responsável recorda ainda a importância do turismo, que tem feito crescer a procura de profissionais para as várias atividades do setor e com competências em idiomas.

Embora se registe uma clara dinâmica no emprego, as empresas têm enfrentado dificuldades várias no preenchimento das vagas quando procuram perfis especializados em áreas como a engenharia e tecnologias de informação. Para Vânia Borges, esses entraves prendem-se, muitas vezes, com elevados níveis de exigência de competências e valores salariais muito baixos. Como salienta, “se estamos num mercado em que temos de trabalhar com uma população profissionalmente ativa, os pacotes salariais têm de ser mais atrativos”.

Para Cristiano Aron, a principal dificuldade é “a falta de flexibilidade” dos candidatos e das empresas. Os candidatos acabam por demonstrar resistência na mudança de emprego, apesar de estarem à procura de novas oportunidades. As empresas resistem em aceitar profissionais com currículos ligeiramente diferentes do procurado. E frisa: “Temos candidatos com um excelente perfil, que se enquadra em 90% dos requisitos, mas, por inflexibilidade, o cliente acaba por perdê-lo.”

Afinal, o que procuram as empresas? Pessoas com habilitações académicas ajustadas à função, mas que reúnam um conjunto do que hoje em dia se designa soft skills: competências comunicacionais, capacidade de resolução de problemas, organização e espírito colaborativo. E o que oferecem? Pacotes salariais atrativos, formação, prémios, dias extra de férias.

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