Novo Banco

Grandes bancos decidem sobre Novo Banco em fevereiro

Entidade do sector vai decidir se anuncia "evento de crédito" no Novo Banco e aciona os seguros que cobrem perdas as decorrentes da decisão do BdP

Os maiores bancos do mundo vão esperar até 12 de fevereiro para decidir sobre se existe ou não um “evento de crédito” no caso das obrigações do Novo Banco que o Banco de Portugal resolveu passar para o BES, o banco mau, movimento que envolve perdas avultadas de investidores institucionais. Os institucionais afetados vão decidir se acionam ou não os seus seguros contra o incumprimento do NB.

Tal como noticiou ontem o Dinheiro Vivo, desde início deste mês que os representantes da alta finança global estão a avaliar o problema. Ontem e hoje decorreram duas importantes reuniões, mas, confirma a Associação Internacional de Swaps e Derivados (ISDA na sigla em inglês), o encontro de hoje (21 de janeiro) foi inconclusivo.

“O comité de determinações [o órgão de 15 elementos, 10 bancos e 5 gestoras de fundos, que vota sobre estes casos difíceis) reuniu hoje para continuar as suas discussões” sobre se devem ser acionados os respetivos seguros (CDS ou credit default swaps) que cobrem as perdas em que os “institucionais” entretanto incorreram ou vão incorrer. O haircut imposto pela decisão do Banco de Portugal ascende a cerca de 80%.

O órgão da ISDA diz que quer ter informação atualizada do Banco de Portugal e do Novo Banco sobre as obrigações afetadas, que podem ser mais do que as cinco transmitidas pelo BdP a 29 de fevereiro.

A reunião foi inconclusiva, tendo a ISDA contratado já um “painel externo” para ajudar a “avaliar” a complexa situação do Novo Banco.

“Tendo em conta que os resultados semestrais foram preparados a 30 de junho de 2015, o comité de determinações decidiu que era prudente esperar e fazer novas tentativas, a fim de estabelecer informação atualizada sobre o valor do principal para as obrigações relevantes em relação à entidade de referência, incluindo o financiamento do banco central, antes de fazer uma determinação [decisão através de voto]”, diz a entidade da ISDA.

“Assim, o comité prorrogou o prazo para tomar uma decisão até 12 de fevereiro de 2016”. A reunião decorrerá como é hábito em Londres, estando programada para as 13h00.

Na mesa estão: Bank of America, Barclays Bank, BNP Paribas, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley e Nomura.

Além destas instituições com direito a voto (o esquema de votação é rotativo) participam o gigante japonês Mizuho, a Société Générale e cinco fundos de gestão de capitais como AllianceBernstein, BlueMountain Capital Management, Citadel, Pimco (Pacific Investment Management Co), Cyrus Capital Partners, Elliott Management.

A Pimco é das mais críticas e eventualmente das gestoras que mais dinheiro perdeu com a decisão do Banco de Portugal.

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