Grécia. Bancos alemães, americanos e ingleses em maus lençóis

Muito se fala da exposição dos Estados soberanos à Grécia (via BCE e fundos europeus), com Alemanha, França, Itália e Espanha a encabeçarem a lista, mas quando se olha para o sector privado, mais concretamente para a banca, o panorama muda. A Alemanha continua a liderar, mas logo a seguir aparecem dois países que nem sequer estão no euro.

Os bancos da Alemanha, dos Estados Unidos e do Reino Unido são, por esta ordem, os mais diretamente expostos à eventual saída da Grécia da zona euro, mostram dados do Banco de Pagamentos Internacionais (BPI) recolhidos pelo Dinheiro Vivo (ver gráfico).

Os bancos alemães têm a haver 10,9 mil milhões, os americanos 10,5 mil milhões, os ingleses 10 mil milhões de euros, os holandeses 1,4 mil milhões, os franceses 1,5 mil milhões e os italianos 1,1 mil milhões. Portugal é o 10.º mais exposto: 210 milhões. Números por baixo, mas oficiais. A medida usada pelo BPI é a dos créditos consolidados sobre o país em causa numa base de risco último.

Os bancos portugueses, com cerca de 210 milhões de euros a haver na Grécia, estão relativamente isolados quando se olha para o contágio direto. O valor caiu muito depois de o BCP ter alienado as suas operações no país. O mesmo não será verdade para o contágio indireto via outros países que estão entra a Grécia e Portugal.

Situação líquida, em constante mutação

O Banco de Pagamentos Internacionais mede apenas a chamada exposição direta, remontando estes dados (os mais recentes) a final de 2014.

Ora, tal pode ter mudado, já que bancos e fundos têm vindo a drenar capitais (aplicações, depósitos, créditos sobre devedores gregos) do país. Em contrapartida, a exposição à banca não é só direta, o que pode inflacionar o valor final. Os números oficiais comparáveis e mais atualizados são os do BPI e são a fotografia da situação no final de 2014.

Além do levantamento nas caixas automáticas, serão os grandes clientes que estarão a contribuir para a sangria. Mario Draghi, presidente do BCE, continua a segurar os bancos gregos com assistência de emergência, mas agora sem negociações, nem perspetiva de acordo, com o dinheiro a esvair-se dos bancos e com o referendo no horizonte, o ventilador do BCE ajuda cada vez menos.

Contaminação

Sem este "suporte de vida" e sem mais apoios oficiais, será o início do fim da Grécia no euro. Haverá bancos que por certo e imediatamente irão à falência, podendo arrastar vários congéneres estrangeiros. Ou causar danos sérios, no mínimo.

Os números do BPI mostram que a exposição direta dos privados existe, mas é bem menor do que antes da crise e do primeiro ajustamento grego (era quase 140 mil milhões de euros no final de 2009). Mas, por exemplo, pouco desceu face ao final de 2013. Já a exposição dos governos aumentou brutalmente, sendo esse hoje o maior problema: a exposição dos contribuintes.

Este último aspecto tem sido muito explorado pelos governos da Alemanha e de países pequenos, como Portugal, Eslováquia, Eslovénia, Letónia ou Finlândia, que evocam as qualidades nacionais em prejuízo da capacidade e vontade dos gregos em reformar o seu país. Bons contra maus.

Na zona euro, os seis países (bancas) mais expostos eram: Alemanha, Holanda, França, Itália, Espanha e Portugal. Fora do euro eram: EUA, Reino Unido, Coreia do Sul e Japão. A exposição à Grécia afeta quase tanto a Alemanha quanto os EUA e o Reino Unido.

Feridas que custam a sarar

O problema é que as responsabilidades diretas não contam a história toda. Pode haver contágio sempre, já que os sistemas financeiros e setores bancários estão muito interligados globalmente. E mesmo que tudo corra pelo melhor na Grécia, os danos deste período negro vão ficar marcados por bastante tempo, fragilizando a atividade económica, a confiança dos investidores e dos consumidores.

Quando se olha para os bancos individualmente, a situação muda outra vez de figura.

HSBC, Crédit Agricole, Deutsche Bank, etc.

Segundo um estudo recente divulgado pelo Bruegel, os grupos bancários mais dependentes face à Grécia são o HSBC Holdings (inglês, com 4,9 ml milhões de euros no final de 2014), o grupo Crédit Agricole (francês, com 2,9 mil milhões de euros), o Deutsche Bank (alemão, com 2 mil milhões de euros), o Barclays (inglês, com 1,7 mil milhões de euros) e BNP Paribas (francês, com 700 milhões de euros na Grécia).

A Reuters fez outras contas, só para a Alemanha, e chegou a números bem superiores aos reportados pelo BPI. Pediu aos maiores grupos bancários alemães as suas exposições à Grécia e viu que as responsabilidades dos gregos perante o sector germânico ascendiam a 23,5 mil milhões de euros no final de Setembro de 2014 (o BPI referia só 10,9 mil milhões).

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