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Grécia já não quer perdão da dívida. O novo plano grego

Yannis Varoufakis, ministro das Finanças grego
Yannis Varoufakis, ministro das Finanças grego

O Syriza assustou a Europa quando, depois de ganhar as eleições legislativas gregas, manteve como medida bandeira o perdão parcial direto da sua dívida. Uma semana depois, e em périplo pelas capitais europeias, o partido liderado por Alexis Tsipras esclarece as suas intenções e já conseguiu acalmar os mercados.

O plano proposto, anunciado em Londres Yannis Varoufakis, ministro das Finanças grego, implica substituir a dívida pública grega, detida pelos parceiros europeus, por obrigações indexadas ao crescimento da economia. Ou seja, os credores só voltariam a ver o dinheiro que emprestaram se a economia grega crescer.

Ao mesmo tempo, o Syriza propõe trocar a dívida detida pelo Banco Central Europeu por obrigações perpétuas, ou seja, a Grécia deixaria de ter um prazo para pagar esta dívida. Ficaria, ainda assim, obrigada a pagar juros todos os anos, até pagar a totalidade da dívida.

Assim, o governo grego pretende não o perdão da dívida (que ronda os 320 mil milhões de euros), mas o alívio de algumas das condições para o seu pagamento.

Ainda que esta posição esteja a ser vista no mercado como um recuo por parte do governo anti-austeridade, Yannis Varoufakis já deixou claro que não é disso que se trata. “O governo e o ministro das finanças não vão recuar, independentemente de quão tristes possam estar algumas pessoas perante a nossa determinação”, disse, em comunicado, citado pela Reuters.

Já ao Financial Times, disse que o governo irá pedir à Europa que o ajude a reformar a Grécia, dando-lhe “algum alívio fiscal para isso”. Caso contrário, “vamos continuar a sufocar e vamos tornar-nos numa Grécia deformada, em vez de reformada”, acrescentou.

Em contrapartida, o ministro das finanças grego diz que o governo irá apresentar excedentes orçamentais primários em torno de 1% a 1,5% do PIB do país, resultantes das reformas que serão implementadas.

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