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“Greve nos CTT tem uma agenda política”

Lisboa, 19/02/2018 - António Pedro Silva, administrador executivo dos CTT. António Pedro Silva (Gerardo Santos / Global Imagens)
António Pedro Silva, administrador dos CTT Gerardo Santos / Global Imagens

Administrador dos Correios garante que encerramentos não comprometem serviço e confirma negociações com juntas de freguesia para suprir encerramentos.

Uma greve com “agenda política” e que “tem tudo menos preocupação com a empresa e os trabalhadores” é como António Pedro Silva, administrador dos CTT com a área operacional, classifica a paralisação nacional de sexta-feira. “Não esperamos uma adesão elevada nesta greve”, ao contrário dos sindicatos.

Em dois meses, é a terceira vez que os trabalhadores dos CTT fazem greve nacional exigindo o fim do fecho de lojas, dos despedimentos e o regresso da companhia à esfera do Estado. “Tem tudo menos preocupação com a empresa e os trabalhadores, tem agenda política: a renacionalização dos CTT”.

A greve surge num momento em que os CTT estão a completar a passagem das 22 estações encerradas para pontos de acesso (parceiros) no âmbito de um plano de reestruturação a três anos que prevê fecho de lojas e a saída de 800 trabalhadores, por rescisão amigável ou reforma antecipada. “Temos a tradição de não fazer despedimentos coletivos”, sublinhou.

A Norte, fecharam lojas no Porto, Vila Real, Gondomar, Freamunde (Paços de Ferreira) e Paços de Brandão (Santa Maria da Feira), Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão) com 60% dos novos pontos de acesso a serem instalados nas juntas de freguesia. No Porto, abriu uma nova estação perto do Hospital São João.

António Pedro Silva garante que os níveis de qualidade de serviço postal irão manter-se. “Os postos fazem exatamente o que é necessário em termos de serviço público universal postal e cumprem uma função social que é o pagamento de vales e faturas”. Em Paços de Brandão foi uma loja de material de construção a receber um ponto de acesso. “Estamos a falar de um espaço autonomizado, onde está um balcão dos CTT que não é misturado com o atendimento da loja de materiais de construção”, descreve António Pedro Silva quando questionado sobre se este tipo de opção era garante de qualidade do serviço postal. “Por vezes, o que se vê na fachada é uma loja de materiais de construção ou uma florista. No entanto, quando se visita os locais, é visível o esforço que estes pequenos negócios fazem, com o nosso apoio, para terem um espaço digno”, argumenta.

Os pontos de acesso recebem formação de duas semanas, equipamento dos CTT e apoio da estação mais próxima. Para a rede de mais de 1700 pontos de acesso pelo país, os CTT estão ainda a trabalhar numa linha de apoio telefónica, um “call center”, num teste piloto na zona de Coimbra. “Iremos fazer o teste com um posto da Sonae, para saber se podemos alargar”.

Negociação com freguesias
O operador admite rever os termos do modelo de negócio com os parceiros, assente numa mensalidade fixa com base em projeções de tráfego e uma comissão por cada serviços postal prestado. Já está a negociar com a Associação Nacional de Freguesias (Anafre), que assegura mais de 800 dos mais de 1700 pontos de acesso CTT, o protocolo em vigor desde 2012. “Em março, gostaríamos de ter já o novo protocolo fechado”. Questões jurídicas e financeiras estão em cima da mesa, diz o administrador sem mais pormenores.

Também para março estão previstas as reuniões do grupo de trabalho criado pelo Governo para discutir o dossiê CTT. “Connosco ainda não se iniciaram as reuniões. Aguardamos pela convocatória”, diz, recusando-se a comentar as declarações no Parlamento do ministro das Infraestruturas, Pedro Marques, de que era “boa notícia” a concessão do serviço postal universal dos CTT ter apenas mais três anos.

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