Energia

Grupo EDP investe 800 milhões até 2022 em plano de digitalização a nível mundial

José Ferrari Careto, Fábrica Digital da EDP
(Orlando Almeida / Global Imagens)
José Ferrari Careto, Fábrica Digital da EDP (Orlando Almeida / Global Imagens)

António Mexia anunciou um investimento de 800 milhões na digitalização da empresa e a aposta em novos negócios digitais.

A meta é ambiciosa: até 2021, a EDP quer que 40% dos seus clientes (cerca de 1,6 milhões, de um total de quatro milhões) tenham serviços adicionais contratados através da conta da luz, com duplicação do número de clientes em específico no serviço Funciona. Neste momento, são 18% os clientes da EDP que têm estes serviços contratados, o que significa que a empresa quer mais do que duplicar, no espaço de três anos, a venda de produtos e serviços de valor acrescentado. Só em 2018, o Funciona para o mercado residencial registou um crescimento de 15%.

O que talvez não se saiba é que esta estratégia agressiva de cross-selling de produtos e serviços, anunciada pela CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, para fazer crescer a empresa nos próximos anos foi gerada, incubada e desenvolvida a partir de um projeto de análise de dados numa nova fábrica digital que existe dentro da própria empresa.

Esta não é uma fábrica qualquer. Não tem maquinaria pesada, botas com biqueira de aço nem capacetes de proteção. Apenas muitas ideias que se transformam em projetos com vista a resolver problemas dos clientes, de ativos e operações e dos colaboradores da EDP, explicou ao Dinheiro Vivo José Ferrari Careto, diretor da Digital Global Unit do grupo, que até 2022 tem um orçamento bem generoso para investir. Em plena apresentação do update estratégico da elétrica em fevereiro, em Londres, coube ao CEO António Mexia anunciar aos investidores o valor do investimento em digitalização nos próximos quatro anos: 800 milhões até 2022.

Com luzes néon a anunciar a entrada para a Digital Factory no piso térreo da sede da EDP, em Lisboa, não podia ter um ambiente mais à la Google: um manifesto de intenções logo à porta, cacifos individuais, almofadas coloridas, anfiteatro de madeira e um grande open space onde se cruzam designers, data scientists, programadores e outros especialistas sem rigidez de hierarquias.

O que hoje é a Digital Global Unit nasceu da fusão da ex-Direção de Sistemas de Informação e do projeto EDP X, que decorreu em 2017 e 2018, quando “a EDP sentiu necessidade de pensar o digital”. A partir da fábrica, o Digital Hub está em contacto com todas as unidades de negócio do grupo EDP: geração, distribuição e comercialização, em todas as geografias. “Dizem-nos o que gostavam de testar ou que querem melhorar a nível digital e fazemo-lo aqui”, garante Ferrari Careto.

Na fábrica há sempre uma capacidade mínima interna da EDP (cerca de 20 pessoas), complementada com parceiros de empresas externas, muitas startups, que “nos ajudam a desenvolver os minimum viable projects (MVP), ou seja, os projetos “vamos lá ver se isto funciona”, diz o responsável. “Em vez de estarmos meses a testar e a gastar dinheiro para pôr na rua algo que os clientes podem não gostar, vamos testando pelo caminho. Se corre bem desenvolve-se, senão morre mesmo ali. Se é para falhar, é para falhar depressa.”

Neste momento a fábrica digital da EDP tem ativos de cerca de 80 MVP distribuídos por quatro fases. “Cada post-it colorido é um projeto. Entram no onbording. Passam pela execução e desenvolvimento, terminam no sucesso, análise ou falhanço, explica Ferrari Careto, apontando para o quadro branco atrás de si. “Esta não é uma fábrica só de ideias, mas de projetos executados. Entram como ideias e saem como sucessos ou fracassos.”

E dá alguns exemplos: como o projeto do recibo de vencimento interativo da EDP, que está a ser testado neste momento por 400 colaboradores e que permite clicar em links e marcar férias; o cross-sell do serviço Funciona; um interface de voz no site da EDP, com a Alexa, que permite pedir faturas e saber quanto pagámos no mês passado; ou a nova app de mobilidade elétrica da EDP, anunciada por Vera Pinto Pereira, que também saiu da fábrica digital.

“O foco é sempre a resolução de problemas da organização, quer do lado dos clientes quer dos colaboradores. É facilitar-lhes a vida. Procurar problemas para resolver”, diz Ferrari Careto, “sempre com a preocupação de que seja a unidade de negócio específica a liderar o desenvolvimento, porque no final tem de haver uma boa compra do projeto”. Já a curto prazo, a fábrica digital da EDP vai crescer na sede de Lisboa, com espaço para mais 70 colaboradores residentes.

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