Grupo Valerius constrói nova fábrica que vai criar 80 postos de trabalho

Sustentabilidade e economia circular, novos materiais e Indústria 4.0 foram temas em debate na iTechStyle Summitt, em Leixões

Cada europeu deita, em média, 25 quilos de roupa ao lixo por ano. Pior: dos 1,1 milhões de toneladas de vestuário que são deitados fora, 430 mil toneladas são peças em excelente qualidade. Números que contrastam com os dos países nórdicos, onde 12 mil toneladas de vestuário são, todos os anos, exportados para África, ajudando a suportar 10 mil vendedores locais e as suas famílias. A pegada ecológica é um dos graves problemas da indústria têxtil e do vestuário, mas, em Portugal há quem esteja a apostar fortemente nessa área. O grupo Valerius já investiu 20 milhões de euros na economia circular nos últimos dois anos e está já a construir uma nova fábrica exclusivamente para a área da reciclagem, que deverá arrancar em outubro ou novembro e criar 80 novos postos de trabalho.

Miklos Pál Nagy é o responsável do projeto Valerius 360º e foi um dos oradores da iTechStyle, uma organização do Citeve e que esta semana juntou, no Terminal de Cruzeiros de Leixões, cerca de 800 participantes, incluindo oradores de 20 países, para debater o futuro da indústria têxtil e dos têxteis técnicos em especial. Miklos explicou que o processo de reciclagem no grupo, que arrancou em 2017, visa a produção de malhas e de peças confecionadas a partir de desperdícios durante o processo produtivo, de roupas usadas ou de restos de coleção, peças que reentram no processo produtivo como matéria-prima para nova fiação e nova produção de fios e malhas. “A escolha é a parte mais crítica e o que fica mais caro, porque tudo tem de ser feito à mão, com a separação por cores, por matérias-primas, por tipo de composição do tecido. Foi muito duro no início”, reconhece o gestor.

Mas o grupo está já preparado para apresentar a primeira coleção completa criada a partir de reciclados. O que deverá acontecer em julho, sendo que a fábrica que se dedicará exclusivamente a esta área deve arrancar em outubro e estará dotada de tecnologia de ponta. “Não estamos a aproveitar máquinas velhas, é tudo novo. Aquilo que é possível de ser automatizado, será”, garante Miklos Pál Nagy. Mesmo assim, serão 80, os novos postos de trabalho: “Se existissem mais fábricas como a nossa seria possível reciclar cerca de 25% de toda a roupa que vai atualmente para o lixo”, diz. O grande desafio é o preço, porque produzir reciclado “é mais caro”. Para Miklos Pál Nágy é uma questão de “consciência e de educação do consumidor”. O projeto Valerius 360º está a ser desenvolvido em parceria com a Universidade do Minho.

No mesmo painel, Pedro Magalhães da Tintex deu a conhecer o Texboost, projeto para a criação de uma nova geração de soluções têxteis, que envolve 43 entidades, entre empresas e instituições de investigação, entre as quais a Sedacor, a Têxteis Penedo, o Citeve e o Centi. O objetivo é a criação de um substrato têxtil alternativo ao couro, o qual será desenvolvido a partir de resíduos e sub-produtos vegetais. A versão desenvolvida a partir de serrim foi já sujeita ao primeiro teste industrial, agora é preciso avançar com a industrialização do processo, mas “ainda há obstáculos a ultrapassar”, reconhece. O vestuário, o calçado e até a indústria automóvel são os alvos.

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