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“Guerra ao açúcar” com efeito negativo nos mercados

AÇÚCAR

Consumo de produtos mais saudáveis e taxas penalizadoras abrandam aumento da procura pelo açúcar, cuja cotação já desceu para 16,26 cêntimos este ano.

A “guerra ao açúcar” ameaça a indústria de 150 mil milhões de dólares (133 mil milhões de euros) que, este ano, enfrenta os preços em queda (16%) e uma diminuição da procura que inverte a tendência dos últimos anos. Com as perspetivas de maior produção na Europa e abalos na procura indiana, há excesso de açúcar nos mercados e as perspetivas não são de melhoria.

Desde a década de 1960 que o aumento da procura de açúcar praticamente duplicava, por pessoa, mas a recente tendência controlo nas bebidas e nos doces acusados da epidemia de obesidade que afeta o mundo desenvolvido está a inverter a tendência e a dar lugar, antes, ao aumento dos xaropes doces utilizados na indústria de alimentos processados.

“O crescimento [da procura] já não é o que era”, disse Tom McNeill, diretor da Green Pool, uma empresa especialista em matérias-primas. “Sem dúvida que há um movimento por parte de produtores de bebidas e fabricantes de alimentos processados globais para reduzir o conteúdo em açúcar nos seus produtos”, acrescentou.

A Coca-cola, por exemplo, está a trabalhar em 200 reformulações de produtos para baixar o conteúdo em açúcar, segundo informação do CEO, James Quincey, em outubro. A PepsiCo jurou que pelo menos dois terços da produção da companhia terá menos de 10o calorias provenientes de açúcares acrescentados por cada 0,35 litros até 2025. A Nestle anunciou, no ano passado, que tinha descoberto uma forma de reduzir até 40% do açúcar no chocolate e que diminuiria 10% a quantidade de açúcar nos chocolates e noutros produtos que vende no Reino Unido e na Irlanda.

Cidades norte-americanas como Filadélfia e S. Francisco e países como a França ou o México possuem impostos e taxas, anteriormente reservadas para o álcool ou o tabaco, para refrigerantes açucarados.

A indústria está a adaptar-se a esta “guerra ao açúcar” e os consumidores procuram-no menos. Na Europa, prevê-se que a procura diminua na Alemanha, na França e no Reino Unido.

Nalguns países, o açúcar está a ser substituído por xaropes doces mais baratos. Na China e nas Filipinas, os fabricantes de refrigerantes estão a recorrer a xarope de milho com elevado teor de frutose. Fica cerca de 534 dólares (474 euros) mais barato por tonelada do que açúcar. Só na China, o referido xarope terá evitado o consumo de 3,3 milhões de toneladas de açúcar em 2016.

Neste cenário, os preços do açúcar no mercado de futuros desceu, em Nova Iorque, para 16,26 cêntimos de dólar (cerca de 14 cêntimos de euro) por libra (cerca de 450 gramas). E os analistas temem que a tendência seja de longo prazo.

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