Indústria

Guerra comercial. China perde terreno na produção mundial de calçado

Calçado. Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens
Calçado. Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens

Produção mundial cresceu 2,7%. Portugal caiu duas posições no top mundial e é, agora, o 21º maior produtor de calçado e o 13º maior exportador

A produção mundial de calçado cresceu 2,7% em 2018 para um total de 24,2 mil milhões de pares. A Ásia continua a dominar esta indústria, já que nove em cada dez pares de sapatos são aí produzidos. Também as exportações mundiais de calçado cresceram, o ano passado, 4,3% atingindo um novo recorde absoluto, em valor, de 142 mil milhões de dólares. A China é responsável por quase dois terços das exportações mundiais, mas voltou a perder terreno em 2018: a sua quota passou 67,5% para 64,7%.

Estes são dados do World Footwear Yearbook 2019, a radiografia da indústria mundial do calçado da responsabilidade da APICCAPS, a associação portuguesa do sector, e que mostra que “os recentes desenvolvimento na guerra comercial entre os EUA e a China já está a ter impactos na dinâmica do comércio internacional”. Em 2018, a China perdeu 1,7 pontos percentuais na sua quota da produção mundial de calçado, perda essa que foi distribuída por outros importantes players na região, como a Índia, que ganhou 0,5 pontos percentuais e o Vietname e a Indonésia que ganharam, cada um, 0,7 pontos percentuais cada um.

A Europa assegura, apenas, 3,3% da produção mundial de calçado, menos 0,3 pontos percentuais que em 2017. A Ásia perde 0,6 pontos percentuais e a América do Norte perde 0,2 pontos percentuais. O continente sul-americano mantém-se estável. A ganhar está África, que reforçou a sua quota em 0,7 pontos percentuais para 3,6% e já pesa mais na produção mundial que a Europa. No top 10 dos maiores produtores de calçado só há um europeu, a Itália como habitualmente.

Com 80 milhões de pares produzidos, Portugal caiu duas posições no top mundial e é, agora, o 21º maior produtor de calçado, fruto da entrada direta na tabela, para o 19º lugar, da Etiópia e do reforço do Egipto. Nas exportações, Portugal perde, também, duas posições e está em 13º lugar do ranking mundial.

“A APICCAPS edita o World Foortwear Yearbook desde 2010 e este será, provavelmente, o documento mais importante e esclarecedor destes nove anos. Os números mostram-nos que a indústria está a mudar no plano internacional e que a opção estratégica que o sector em Portugal tomou, de migrar para os segmentos de maior valor acrescentando em vez de ceder à tentação de concorrer pelo preço, foi a mais adequada”, diz o diretor de comunicação da associação. Paulo Gonçalves frisa: “Até a China está a perder protagonismo para outros operadores asiáticos, como a Índia, o Vietname e a Indonésia, ao mesmo tempo que estão a emergir um conjunto de novos produtores em países africanos, o que mostra que, se tivéssemos seguido uma estratégia de concorrência pelo preço teria sido o nosso suicídio coletivo”.

 

 

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