Política Monetária

Guerra comercial troca as voltas à Reserva Federal e ao BCE

Mario Draghi, presidente do BCE. REUTERS/Ints Kalnins
Mario Draghi, presidente do BCE. REUTERS/Ints Kalnins

Disputa entre EUA e China arrisca tirar 0,5% ao PIB mundial e complica a tarefa dos bancos centrais.

O plano era claro. Depois das medidas extraordinárias e dos juros mínimos para responder à crise financeira, era a hora dos bancos centrais começarem a retirar os apoios à economia. Mas a guerra comercial trocou as voltas à Reserva Federal dos EUA (Fed) e ao Banco Central Europeu (BCE).

Os dois bancos centrais já admitem que em vez de seguir o caminho das subidas graduais das taxas de juro, poderão ser forçados a baixá-las. Muito por causa da incerteza criada pela guerra comercial entre os EUA e a China. “Não sabemos como esses problemas se irão resolver. Estamos a monitorizar de perto as implicações desses desenvolvimentos nas perspetivas para a economia dos EUA e, como sempre, iremos agir de forma apropriada”, garantiu o presidente da Fed, Jerome Powell.

A mensagem foi interpretada pelo mercado como um sinal de que poderá haver uma descida de juros nos EUA. Até porque outros responsáveis da Fed, como James Bullard, tinham argumentado já que seria necessário baixar juros para suster o impacto negativo da guerra comercial na maior economia do mundo.

BCE adia mexida nos juros

Mas não é só nos EUA que a guerra comercial causa receios. O presidente do BCE admitiu na passada quinta-feira que esperava que já tivesse existido um acordo para resolver o diferendo em março.

MarioDraghi salientou que “os dados económicos e a informação baseada em inquéritos que têm vindo a ser disponibilizados apontam para um crescimento um pouco mais fraco”, um reflexo da “atual debilidade do comércio internacional num enquadramento de incertezas prolongadas a nível mundial, que pesam, em particular, sobre o setor da indústria transformadora da área do euro”.

E, tal como a Fed, também o BCE admite interromper o regresso à normalidade na política monetária. Draghi adiou a alteração das taxas de juro por mais meio ano. Continuarão em mínimos históricos até, pelo menos, o final do primeiro semestre de 2020. O presidente do BCE revelou mesmo que o Conselho de Governadores discutiu uma eventual descida de juros ou compras de ativos caso a situação económica no euro piorasse.

Apesar de sublinhar que essas discussões eram preliminares e que o cenário atual não exige medidas desse tipo, Draghi avisou que “os riscos em torno das perspetivas de crescimento da área do euro permanecem enviesados para o lado descendente, devido à presença prolongada de incertezas relacionadas com fatores geopolíticos, com a crescente ameaça do protecionismo e com vulnerabilidades nos mercados emergentes”.

OFundo Monetário Internacional avisou recentemente que a continuação da guerra comercial entre os EUA e a China reduzirá o PIB mundial em 0,5%, cerca de 455 mil milhões de dólares (400 mil milhões de euros). É quase o dobro do PIB de Portugal.

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