Guerra do Alvarinho divide deputados da maioria

Assembleia divide-se
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É ao Governo que compete qualquer alteração à regulação da denominação de origem Vinho Verde, sendo que a última data de 2010, pela portaria 668, que atualizou os Estatutos da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. A questão do eventual alargamento do uso da designação 'Vinho Verde Alvarinho' - atualmente limitada, em exclusivo, na região dos Verdes, aos produtores de Monção e Melgaço - às restantes sub-regiões tem vindo a ser discutida formalmente na região desde dezembro, tendo a Comissão dos Vinhos Verdes criado uma comissão técnica com produtores e associações que procurou encontrar um acordo. Mas o tema chegou já ao Parlamento.

O PSD, e logo de
seguida o PS, apresentaram no início de maio uma resolução recomendando a
manutenção da atual legislação. E que foi aprovada com votos favoráveis
do PSD (apesar de haver 7 declarações de voto em sentido contrário) e
do PS e de dois deputados do CDS. Contra votaram o CDS, PCP, PEV e Bloco
de Esquerda.

Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD e candidato à Câmara de Vila Nova de Gaia nas última eleições autárquicas, é assumidamente contra o alargamento do uso da designação ‘Vinho Verde Alvarinho’ aos restantes produtores da região demarcada, insistindo no uso exclusivo de Monção e Melgaço, E usa o argumento da qualidade para o justificar. “O alargamento desta designação a vinhos que não beneficiam das características específicas únicas da sub-região de Monção e Melgaço só servirá para abastardar a marca e é isso que não queremos”, sublinha.

“O Alvarinho afirmou-se no merrcado português e começa a afirmar-se nos mercados internacionais e é normal que alguns grandes exportadores se tentem apropriar desse prestígio”, diz o deputado, que se mostra confiante que o Governo “terá primeiro em linha de conta a salvaguarda da qualidade da marca”.

Um argumento que não colhe junto dos que defendem o alargamento do uso da designação aos restantes produtores, e que lembram que, em 2011, na primeira edição do ‘Alvarinho International Wine Challenge’, o vinho melhor classificado foi um espanhol, o Bagoa do Miño, e que mais recentemente a Câmara de Melgaço atribuiu uma medalha a um Alvarinho de Santo Tirso, enquanto um outro de Valongo foi distinguido com a medalha de ouro europeia dos Alvarinhos em Dusseldorf.

Abreu Amorim desvaloriza. “Houve dezenas de concursos e os exemplos são sempre os mesmos. As características dos Vinhos Verdes Alvarinho de Monção e Melgaço estão tipificadas e são conhecidas. O consumidor sabe que este não é um Alvarinho igual aos outros. E os interesses dos restantes agricultores do Alto Minho estão inteiramente protegidos protegidos, eles podem vender os seus Alvarinhos como vinho regional Minho”, defende.

Altino Bessa, deputado do CDS eleito pelo círculo de Braga, discorda por completo e considera ser mais que justo o alargamento do uso da designação da casta Alvarinho “às restantes oito sub-regiões e 46 municípios da região dos Vinhos Verdes”. A diferenciação, diz, far-se-à pela referência, nos rótulos, da proveniência do respetivo vinho. Ou seja, tal como hoje uma garrafa de Vinho Verde Alvarinho destaca ser proveniente da sub-região de Monção e Melgaço, no futuro, com o alargamento às restante, passaríamos a ter um Vinho Verde Alvarinho da sub-região de Amarante, Baião ou Basto, por exemplo.

“Fica, assim, garantido que o consumidor sabe qual é a origem do vinho. E se valoriza o Alvarinho de Monção e Melgaço, sabe pelo rótulo qual é”, frisa Altino Bessa, sublinhando que “não deve querer manter-se este enclave de proteção desta casta”.

Para Altino Bessa não faz qualquer sentido que, dentro da região dos Vinhos Verdes, local por excelência da casta Alvarinho, seja impedido o uso da designação da marca Alvarinho nos vinhos DOC (denominação de origem controlada) quando “fora da sua região isso já permitido”. Efetivamente, é possível plantar e produzir vinhos DOC Alvarinho em várias regiões demarcadas do país, como o Douro, Tejo, Lisboa, Setúbal-Palmela e Alentejo.

O argumento de Abreu Amorim, de que os produtores de Vinho Verde podem sempre fazer vinhos regionais Alvarinho não serve de grande consolo à região e serviu já de base a um pedido de esclarecimento a Bruxelas. Os viticultores consideram-se discriminados e querem que a Comissão Europeia intervenha. Uma garrafa de vinho regional Minho Alvarinho será vendida, pelo menos, um euro mais barata do que se fosse certificada como Vinho Verde Alvarinho, admitem fontes ligadas ao sector,

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